Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Violência de gênero

Mulheres poderão denunciar violência em aplicativo da Ufes

Os dados coletados pelo app serão analisados por pesquisadores e usados para criação de políticas públicas mais assertivas

Publicado em 19 de Setembro de 2023 às 11:05

Mikaella Mozer

Publicado em 

19 set 2023 às 11:05
Aplicativo Fordan entrada
Área inicial do aplicativo tem mensagem em português e em guarani Crédito: Divulgação | Ufes
Abas com informações de saúde, registro de boletim de ocorrência, pedido de medida protetiva, denúncia por áudio e outros serviços vão ser oferecidos em um aplicativo desenvolvido na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Trata-se do Fordan, cuja proposta é reduzir a incidência de feminicídio no Espírito Santo, e futuramente em outros Estados, ao acolher e escutar mulheres de diferentes realidades.
O aplicativo será lançado na próxima sexta-feira (22), na Ufes. A princípio, estará disponível em lojas de aplicativos somente para moradoras do Espírito Santo. Após um período de teste, mulheres de todo o país também poderão baixar o app e usufruir dos serviços. 
Ao baixar o aplicativo, as mulheres vão encontrar ajuda para diferentes situações, entre as quais um caminho para solicitação de medida protetiva contra agressores. Segundo Rosely Pires, coordenadora do Fordan, algumas sentenças judiciais negavam o pedido de vítimas por não reconhecer o risco. Isso acontecia, em determinados casos, pela diferença entre o relato da vítima e o registrado na delegacia. 
“Temos alguns problemas com a violência institucional e, com a expertise de zero feminicídio, vimos que precisávamos de algo que atendesse o assunto. Agora, com o aplicativo, a mulher vai poder abrir e preencher um pedido de medida protetiva com perguntas direcionadas ao assunto. Assim, ela pode escrever exatamente o que aconteceu”, pontua Rosely Pires.
A ferramenta foi desenvolvida pensando em como chegar até cada mulher. Assim, há também um opção de completar os dados por áudio. É só apertar o botão e responder às perguntas, que serão preenchidas automaticamente.
A percepção da importância de inclusão ainda se revela na inscrição da frase "Você não está sozinha" em guarani, uma etnia indígena. A mensagem aparece ao abrir o aplicativo e foi escolhida após vítimas de violência doméstica acolhidas pelo Fordan falarem que não se sentem sozinhas com o apoio do projeto. 

Construção coletiva

Rosely Pires ressalta que as mulheres são a razão da concepção desse serviço e, por isso, foram ouvidas em toda a construção da plataforma.  Foram criados grupos para trocas de mensagens em que elas manifestavam suas demandas e dificuldades, ao passo que uma equipe técnica, de diferentes áreas, desenvolviam o modelo do aplicativo. 
Ao entender a demanda de indígenas, quilombolas, mulheres do campo, trans, lésbicas, entre outros grupos, todo o sistema foi montado para abrigar cada uma. Assim, todos os serviços disponíveis foram pensados para se aproximar da realidade em que vivem.
O geomapeamento é um desses serviços. Ao notar a dificuldade de chegar a locais onde ocorriam denúncias de violência de gênero, foi criada a aba pela qual a vítima pode compartilhar sua localização. Desse modo, as equipes policiais conseguem alcançar regiões mais distantes e ajudar, por exemplo, mulheres do campo.

Políticas públicas

O aplicativo vai auxiliar também a criar políticas públicas mais assertivas. "Vai dar visibilidade a corpos invisibilizados. Elas existem, mas não estão nos dados e é necessário conhecer a realidade delas para criar melhores políticas", frisa Rosely Pires. 
A coordenadora do projeto observa que conhecer mais as mulheres é saber o caminho a ser tomado e os tipos de crimes que não são combatidos. Por essa razão, há um questionário para cadastro sobre religião, grupo étnico, se a vítima tem deficiência, se foi alvo de outras violências, como o racismo, entre outros questionamentos. 
Apesar de todos esses recursos, Rosely Pires ressalta a necessidade de parceria entre diversos segmentos para enfrentamento à violência de gênero. "O acesso à internet é a primeira bandeira a ser levantada pelos governos para facilitar as denúncias. As mulheres do campo, por exemplo, falam que não conseguem chamar a polícia por não ter internet", adverte. 

COMO FUNCIONA:

O aplicativo fornece diversos serviços e apoio para mulheres denunciarem de forma mais segura e rápida.
O aplicativo fornece diversos serviços e apoio para mulheres denunciarem de forma mais segura e rápida Crédito: Divulgação | Ufes
  1. Cadastro: é necessário fazer um cadastro com dados pessoais, de familiares e sobre a agressão. Caso a vítima tenha alguma dificuldade para conseguir escrever as informações, ela pode fazer por áudio. É só clicar no símbolo de gravação e ir falando conforme o que é pedido.
 2. Da denúncia à informação: dentro do aplicativo existem várias abas com serviços para informar sobre questões de saúde e acesso a dispositivos para denúncia. Entre eles estão:
  • Boletim de ocorrência: a mulher pode entrar e fazer o próprio registro e como se sentiu no momento da agressão, seja ela qual for. Assim, é garantido que seja escrita a dinâmica do momento e conseguir um direcionamento mais correto.
  •  Medida protetiva: em parceria com a Defensoria Pública, quem abrir essa aba consegue informar toda a situação e o órgão recebe. Além disso, a medida retorna ao aplicativo. Assim, a mulher recebe mais rápido e o pedido não cai na mão do agressor ou de outra pessoa.
  •  Informações sobre saúde: no aplicativo, haverá dados para as mulheres terem mais acesso a informações sobre a própria saúde.
  • Informação sobre violência: no aplicativo, haverá também dados para as mulheres terem mais acesso a informações sobre a violência. Assim, espera-se que elas reconheçam situações de violência e saibam como pedir ajuda. 
  • Geomapeamento: as mulheres vão conseguir informar o local exato do pedido de ajuda, principalmente aquelas que moram em regiões com difícil localização em mapas convencionais. 
  • Pensão alimentícia: ao acessar essa aba, a mulher tem acesso direto ao site da Defensoria Pública. Por lá, ela informa os dados e o órgão dará início ao processo para solicitação do benefício. 
O aplicativo foi desenvolvido dentro do edital "Mulheres na Ciência", da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Espírito Santo (Fapes).

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Trump diz que EUA vão pausar operação de escolta de navios no estreito de Ormuz
Imagem de destaque
'Não somos só notícia, somos pessoas': o apelo dos passageiros presos em cruzeiro com surto de hantavírus
Imagem de destaque
O que se sabe sobre ataque a tiros que deixou duas pessoas mortas em escola no Acre

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados