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Publicado em 24 de julho de 2025 às 14:51
Os números do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgados nesta quinta-feira (24), expõem um dado preocupante para o Espírito Santo: os estupros e estupros de vulneráveis estão crescendo, e Cariacica, na Grande Vitória, figura entre as 50 cidades do Brasil com as taxas mais elevadas de estupro a cada 100 mil habitantes. >
O levantamento, feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, traz recortes dos mais variados tipos de violência, como homicídios, ameaças, injúria racial e crimes contra o patrimônio, por exemplo. >
No caso dos estupros, os dados revelam que, no Brasil, de 2023 para 2024, foi registrado um aumento de 0,8%: eram 20.106 há dois anos e foram 20.350 no ano passado. O crescimento de 244 casos, apesar de parecer pequeno, expõe a sequência de ocorrências de um dos crimes mais banais contra o ser humano. Em relação ao estupro de vulnerável, os registros foram de 66.279 (2023) para 67.204 (2024), uma variação de 1%.>
No Espírito Santo, no acumulado de 2023, foram 449 casos de estupro e 1.404 de estupro de vulnerável. Em 2024, os números foram 478 e 1.853, respectivamente. Proporcionalmente, o Estado é o 9º do Brasil em aumentos de casos de estupro no período. Já nos casos contra vulneráveis, é o 15º.>
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Nos recortes do anuário, Cariacica aparece na 46ª posição em uma lista com 50 cidades com as taxas mais elevadas de estupros. No município da Grande Vitória, a taxa desse tipo de crime é de 63,1 a cada 100 mil habitantes.>
“As taxas, como no ano anterior, foram calculadas a partir da soma do número de vítimas de estupro e estupro de vulnerável informadas nas bases de microdados compartilhadas pelos gestores de estatística dos estados e do Distrito Federal”, divulga o material. Em 2023, Linhares, cidade da Região Norte do Estado, chegou a ficar na 37ª posição do ranking, mas diminuiu as taxas do crime no ano seguinte.>
A reportagem de A Gazeta procurou a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) e a Prefeitura de Cariacica para questionamentos sobre os números de violência sexual no Espírito Santo e, especificamente, em Cariacica, bem como para saber sobre ações de prevenção ao crime. A demanda, porém, não foi respondida até a publicação deste texto. O espaço segue aberto para manifestação.>
Apesar dos números preocupantes, o anuário também revela que, no Espírito Santo, as tentativas de estupro (incluindo contra vulneráveis) caíram em 2024: foram 106 casos registrados, frente 123 do ano anterior, uma redução de 14,4%. O cenário é similar ao do recorte nacional. No Brasil, em 2023, foram 5.362 tentativas e, em 2024, foram 5.176 (-3,9%).>
Ao detalhar o perfil das vítimas, o levantamento do Fórum de Segurança Pública revela que, dos 478 casos de estupro registrados no Espírito Santo no último ano, 414 tiveram mulheres como alvos. Em 2023, foram 396 ocorrências desse tipo.>
Já nos casos de estupro de vulnerável, foram 1.416 registros em 2024, sendo 1.128 vítimas do sexo feminino — número ligeiramente inferior ao de 2023, quando 1.158 meninas foram alvo desse tipo de crime, o que representa uma queda de 3,2%.>
Segundo o Anuário de Segurança Pública, ao analisar todos os boletins de ocorrência de estupro e estupro de vulnerável registrados em 2024, foi possível traçar o perfil das vítimas — de acordo com sexo, idade e raça/ cor –, bem como identificar as prevalências de local do crime e relação entre vítima e autor. >
“As principais vítimas de estupro no Brasil são meninas e mulheres, representando 87,7% do total de casos registrados em 2024, em contraposição a 12,3% de vítimas do sexo masculino. Essa diferença significativa entre o sexo das vítimas pode estar relacionada a dois fatores principais: a maior prevalência da violência sexual contra meninas e mulheres, em um contexto marcado por uma cultura patriarcal que historicamente controla e viola os corpos femininos; e a subnotificação de casos envolvendo meninos e homens, que, em razão do estigma e do medo do julgamento social, tendem a denunciar menos essas violências”, divulga o Fórum.>
O levantamento ainda revela que a faixa dos 10 aos 13 anos concentra o maior número de vítimas de estupro no Brasil. Ao segmentar a análise pelo total de estupros de vulnerável, essa porcentagem sobe para 42,1% nessa mesma faixa etária.>
“Entre as vítimas com menos de 10 anos, os dados revelam uma realidade brutal: 23,4% do total de casos de estupro de vulnerável têm vítimas crianças de 5 a 9 anos, enquanto 13,1% são crianças de 0 a 4 anos. Significa que, em 2024, 61,3% das vítimas de estupro do país eram crianças com 13 anos ou menos – o que equivale 51.677 crianças”, destaca o anuário.>
No contexto das agressões, dois recortes se destacam: a localização dos crimes e a relação entre as vítimas e os autores. A residência das vítimas, segundo o anuário, segue sendo o principal ambiente deste tipo de crime, revelando que os estupros acontecem, majoritariamente, em ambientes associados à intimidade e ao convívio familiar.>
No âmbito das relações, 26,7% das vítimas com 14 anos ou mais são alvo dos companheiros; já autores desconhecidos são responsáveis por 16,1% dos crimes contra vítimas de 0 a 13 anos e 21,7% das pessoas com 14 anos ou mais. >
Ainda é possível observar que 59,5% das vítimas de 0 a 13 anos são alvo de algum tipo de familiar, enquanto essa taxa é de 26,6% entre as pessoas com 14 anos ou mais.>
O anuário também mostra que 24,4% das vítimas com idade de 0 a 13 são alvo de “outros conhecidos”, sendo que as vítimas com 14 anos ou mais representam 14,5%.>
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