Publicado em 24 de fevereiro de 2026 às 08:00
A leucemia é um tipo de câncer que afeta os glóbulos brancos (leucócitos), as células responsáveis pela defesa do nosso organismo. Diferente de outros tumores que formam um "caroço", a leucemia acontece no sangue e na medula óssea, onde o sangue é fabricado. >
De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), a estimativa é de que ocorram cerca de 11 mil novos casos de leucemia por ano no Brasil, sendo aproximadamente 5.920 em homens e 4.860 em mulheres. A doença, que pode acometer pessoas de todas as idades, é caracterizada pela produção descontrolada de glóbulos brancos imaturos na medula óssea, o que compromete a formação normal das células sanguíneas. >
Ao contrário de alguns outros cânceres, não existem exames de rastreio para a leucemia, portanto, reconhecer os sintomas da doença é fundamental para que o diagnóstico seja feito de forma precoce, aumentando as chances de sucesso no tratamento. O médico hematologista Douglas Covre Stocco diz que os sinais mais comuns incluem cansaço excessivo, febre persistente, sangramentos ou hematomas sem explicação aparente, infecções recorrentes, dores ósseas ou articulares, perda de peso e palidez.>
“Independente do tipo, essas são doenças muito graves, por isso a importância de serem diagnosticadas logo no início, para que o paciente receba o tratamento adequado e as chances de cura sejam maiores”, afirma.>
>
Ao identificar qualquer um desses sintomas, é essencial procurar assistência médica para a realização de exames como o hemograma, que pode indicar anormalidades nos glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e plaquetas. A partir daí, outras investigações específicas serão conduzidas pela equipe médica.>
O tratamento da leucemia aguda varia conforme o tipo e o estágio da doença, mas geralmente envolve quimioterapia, terapia direcionada e, em alguns casos, o transplante de medula óssea. >
O procedimento de transplante é considerado uma alternativa eficaz para muitos pacientes, e a compatibilidade entre doador e receptor é um dos maiores desafios. Por isso, a campanha Fevereiro Laranja também enfatiza a importância do cadastro de doadores voluntários no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome).>
A leucemia é o tipo de câncer infantojuvenil (até os 19 anos) mais comum no mundo, representando 30% de todos os tumores que acontecem antes dos 15 anos de vida e cerca de 20% abaixo dos 20 anos. >
Dentre os subtipos da doença, a que tem maior incidência na infância e juventude são as Leucemias Agudas, com destaque para a Leucemia Linfóide Aguda (LLA). Já a Leucemia Mielóide Aguda (LMA) é o tipo mais comum de Leucemia em adultos, correspondendo a 80% dos casos neste grupo. A ocorrência de LMA aumenta com a faixa etária (maior incidência acima de 65 anos).>
“Comparados com casos em adultos, os tumores na infância são muito mais agressivos e evoluem com maior velocidade. Em contrapartida, a resposta às terapias costuma ser muito mais rápida, o que faz com que a maioria dos casos de câncer infantil sejam curáveis desde que haja o diagnóstico rápido e a criança seja prontamente encaminhada aos cuidados de uma equipe preparada para lidar com as especificidades da doença nos mais jovens”, comenta o oncopediatria Sidnei Epelman, da Oncoclínicas.>
Infelizmente, a leucemia infantojuvenil não é prevenível, contudo, é fundamental que a família procure ajuda médica caso haja sintomas que possam estar ligados aos sinais de alerta para a doença. “Quanto antes o tratamento for iniciado, maiores são as chances de cura”, acrescenta. >
Por serem sintomas comuns a outras condições que afetam as crianças, é muito importante estar atento ao conjunto de sinais e iniciar a investigação médica precocemente. >
Os principais sintomas de leucemia em crianças
• Dor nas pernas;
• Dor nas articulações;
• Sensação de cansaço extremo (fadiga);
• Febre;
• Palidez;
• Manchas roxas e/ou pintinhas vermelhas na pele;
• Hemorragias;
• Aumento dos gânglios linfáticos ou ínguas;
• Dor abdominal (causada por aumento do fígado ou do baço);
• Cefaleia;
• Vômitos;
• Perda de peso sem motivo aparente.
Para o início da investigação, será realizada uma análise da história clínica do paciente e também um exame físico. Durante a consulta, o especialista irá checar ainda os linfonodos (ínguas ou gânglios), áreas de sangramento, hematomas e aumento do baço ou fígado. >
"O hemograma completo é uma ferramenta importantíssima também nessa primeira etapa. Através do exame, podemos checar se há alterações sanguíneas, assim como anemias, plaquetas baixas e presença de blastos", frisa Sidnei Epelman. >
O exame pode incluir: mielograma (identifica a presença de células blásticas em número aumentado na medula óssea); a citometria de fluxo e imuno-histoquímica (que tem o objetivo de classificar a leucemia e o acompanhamento da resposta ao tratamento); cariótipo ou citogenética (avaliação dos cromossomos para identificar alterações genéticas) e a biologia molecular (mais sensível que o cariótipo na avaliação da mutação genética dos cromossomos)>
Em alguns casos, pode ser necessário ainda uma biópsia do osso ou exame do líquor. Contudo, vale lembrar que apenas o médico poderá recomendar quais exames devem ser realizados durante a investigação.>
"Para definir o tratamento adequado, é importante levar em consideração cada caso individualmente. O mais realizado é a quimioterapia. Já o transplante de medula óssea, utilizamos naqueles casos que não evoluem bem ou de altíssimo risco", diz o especialista. Vale lembrar que a duração do tratamento para cada paciente também poderá variar.>
A quimioterapia tem o objetivo de destruir as células doentes. Seus possíveis efeitos adversos são náusea, vômitos, queda do cabelo, mucosites (lesões em variados graus na mucosa do trato gastrointestinal e diarreia. É administrada por via venosa, oral, intramuscular ou subcutânea.>
"O importante é garantir uma estrutura para oferecer o melhor acolhimento e a melhor condição de diagnóstico e tratamento dessas crianças e suas famílias. Esse é o caminho para, sem dúvidas, chegarmos a um final feliz”, finaliza Sidnei Epelman.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta