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Como é possível identificar sinais de violência contra criança?

A psicóloga Adriana Müller explica que os sinais são enviados pelas crianças muitas vezes como um modo de chamar a atenção, mesmo que de maneira discreta

Publicado em 18/08/2020 às 17h42
Atualizado em 19/08/2020 às 11h51
As crianças não sabem e nem conseguem denunciar os abusos
As crianças não sabem e nem conseguem denunciar os abusos. Crédito: shutterstock

O evento recente e polêmico da menina de 10 anos que engravidou após ter sido vítima de estupro no município de São Mateus, no Norte do Estado, chocou e chamou a atenção não apenas dos leitores de A Gazeta, mas de toda a população. De acordo com o relato à Polícia Civil do Espírito Santo, a vítima afirmou que era abusada pelo tio desde os seis anos de idade. Diante dos fatos, muitos pediram esclarecimentos sobre quais são, afinal, os sinais que uma criança pode manifestar ao ser vítima de uma violência e como a população pode estar atenta à isso? 

Segundo a psicóloga Adriana Müller, comentarista da Rádio CBN Vitória, é preciso estar atento e desenvolver o olhar para ver os sinais que indicam uma violação na criança. Em entrevista ao jornalista Fábio Botacin, durante o quadro CBN e a família desta terça-feira (18), a psicóloga ressalta as mudanças que as crianças manifestam aos adultos ao estarem passando por uma situação de abuso ou violência.

Adriana Müller

Psicóloga 

"Vivemos em uma cultura em que, infelizmente, esses casos de violência contra a criança partem geralmente de pessoas próximas, conhecidos ou familiares em que a família confia: parentes, padrastos, avós. Nessas situações, a vítima fica em um dilema, pois é educada para obedecer ao que os mais velhos pedem. Junto a isso, do lado do abusador sempre tem uma chantagem como ‘se você contar para alguém não vão acreditar no que está dizendo' "

A psicóloga explica que é gerado um conflito interno nas crianças após o abuso, por não saber como proceder. "Ao mesmo tempo em que a vítima  deseja que o abuso pare ao denunciar ou conversar sobre o que aconteceu, a criança fica preocupada com o 'bem estar do agressor após a denúncia'. Mesmo assim sempre são demonstrados sinais de que algo incorreto aconteceu" , ressalta.

De acordo com Adriana,  por muitas vezes a criança também se sente duplamente violada ao narrar o que aconteceu para alguém e ser desacreditada. Como consequência de não ter sido acolhida diante da sua confissão, a criança poderá modificar o seu "padrão habitual" e em quase todos os casos a vítima tenta se manifestar da sua própria maneira.

Adriana Muller 

Psicóloga 

"É necessário que eles se sintam ouvidos e acolhidos, só o ato de estarem relatando o que vivenciaram e sofreram já é uma vitória."

QUAIS SÃO OS SINAIS DO ABUSO SEXUAL 

  1. 01

    Mudanças no comportamento

    Ter um declínio no desempenho escolar, por exemplo, um bom aluno pode se transformar em um aluno com nota baixa; começar a ficar mais calado, mais reservado ou até mesmo mais agressivo.

  2. 02

    Evidencias físicas

    Relatos de dores físicas ou incômodo na área genital, principalmente.                     

  3. 03

    Distanciamento do agressor

    Medos súbitos de estar com uma pessoa específica, repulsa de chegar perto do agressor. A criança também pode se tornar extremante mais reservada.

A psicologa ressalta que, no momento em que familiares notarem o que está ocorrendo com a criança, é preciso ter uma conversa calma e séria com a vítima, dando o espaço necessário, pois nesse momento ela tomou a coragem de falar.  "O melhor a se fazer é conversar com a criança, ela muitas vezes está aguardando que notem os sinais para que possa se abrir com uma pessoa de confiança. Percebendo os sinais, vamos chamar a criança para conversar e falar o que estamos vendo: você está triste? Está com medo de alguém? Desde quando?", destaca.

Caso seja afirmado que a criança foi vítima de um abuso sexual ou suspeitas sejam presentes, é mais do que necessário uma denúncia por meio do telefone do Disque 100. O serviço nacional de ajuda pode ser acionado há qualquer momento, sem a necessidade de identificação. 

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