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Amigas do Peito: como contar pra quem me ama que estou com câncer?

No segundo episódio da série especial da rádio CBN Vitória, o assunto é o momento de compartilhar o diagnóstico com a família

Publicado em 15/10/2020 às 14h00
Atualizado em 15/10/2020 às 14h00
Mãos dadas contra a violência doméstica
O apoio da família é fundamental no momento de enfrentamento da doença. Crédito: Skeeze/Pixabay

Durante todo o mês de outubro, período da campanha de prevenção ao Câncer de Mama, a rádio CBN Vitória transmite a série “Amigas do Peito”, que vai ao ar sempre às quintas-feiras. A convidada para participar da série sob comando de Fernanda Queiroz é a advogada e professora Gilsilene Passon, que descobriu o câncer de mama em 2014 e, desde então, busca auxiliar outras mulheres no entendimento da doença.

O segundo episódio, que foi ao ar no último dia (8) teve foco na fase de compartilhamento do diagnóstico com a família e com quem mais a paciente quiser dividir o assunto. Para Gilsilene, a complexidade do momento acontece porque esse é o processo em que elas contam pra si mesmas e para os outros que se está com câncer de mama. “É o momento que vamos falar para pessoas que nós amamos que a gente pode morrer”, disse.

Ela conta que o diagnóstico vem acompanhado de muitas dúvidas, questionamentos e, principalmente, desafios. Segundo Gilsilene, tanto para ela, quanto para outras mulheres de quem ela já ouviu o relato, contar para quem elas amam está entre as fases mais difíceis do tratamento. “Algumas mulheres dizem que é mais difícil até que receber o diagnóstico”, pontua.

Gilsilene explica que o momento de comunicar envolve várias etapas: o médico comunica a paciente, a forma como ele faz essa comunicação influencia na forma como ela vai receber e comunicar a si e aos outros. “Cada uma de nós vive a sua própria história, muitas tornam a sua história pública e compartilham até com desconhecidos. Mas especificamente com a família, principalmente com quem temos um vínculo primário - filho, marido, pai, mãe. irmã -, esse momento é um grande desafio”.

Cada paciente é única

“Falar da doença, comunicar precisa estar dentro da autonomia da paciente: algumas optam por restringir isso a um grupo muito pequeno e outras optam por trazer pra mais pessoas”, complementa.

A advogada conta que, em especial, desde que recebeu o diagnóstico, passou a pensar de um ponto de vista empático, como seria contar pra sua mãe sobre a doença. “Eu como mãe fiquei pensando como eu receberia essa notícia. Muitos optam até por não contar ou contar de uma forma diferente, minimizando o impacto, porque teme pelo sofrimento do parente”, afirmou.

Gilsilene afirma que pesquisas evidenciam que pacientes em tratamento que contam com uma rede de apoio, passam por um enfrentamento mais positivo da doença. Faz muita diferença nessa jornada, para que nós possamos atravessá-la de uma forma mais assertiva e com posturas mais positivas, não só pensamentos, como também ações positivas que vão nos levar ao momento que tanto ansiamos: a cura”.

Como se preparar para dar a notícia

A advogada conta que primeiro compartilhou com o marido e foi de forma bastante inusitada. “Foi sem prepará-lo muito, eu recebi os exames e, como não estava em casa, pedi a ele para pesquisar um termo (que entregava o diagnóstico) pra mim e ele tentou amenizar e me disse para vermos depois”, lembra ela.

Para Gilsilene foi mais desafiador contar aos pais e para a irmã, mas ela conta que o apoio que ela recebeu deles foi fundamental. “Quando nós falamos, as pessoas reagem de maneira diferente e aí a gente precisa fazer uma diferenciação entre emoção e sentimento: a emoção é a reação imediata que o nosso corpo demonstra quando estamos diante de uma situação significativa. É diferente de sentimento, que é quando eu racionalizo essa emoção”, explicou.

“É importante, para nós pacientes, filtrarmos como as pessoas respondem a essa comunicação da doença. Às vezes, as pessoas falam com o objetivo de nos motivar, mas as pessoas, muitas vezes até tentando nos ajudar, tentam negar o problema ou minimizar a situação”, completou.

Gilsilene a aconselha aos familiares, amigos e às pessoas que cercam a paciente precisam ter uma inteligência emocional para lidar com a paciente em tratamento, prestar atenção no que e trabalhar a escuta. Afirmar o apoio também é essencial. “A palavra tem um efeito terapêutico, às vezes a gente só precisa falar”, pontua.

“Quem está por perto, apoiando a paciente, também precisa de suporte emocial verbalizar como está sendo por este momento”, finaliza.

Para ouvir o episódio na íntegra, clique aqui.

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