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Pais falam sobre os desafios e as vantagens de ter filhos após os 40

Estabilidade financeira e emocional são alguns dos principais fatores que levam os pais a optarem por terem filhos em idade mais madura. Saiba quais são os benefícios e os desafios da paternidade “tardia”

Publicado em 01/08/2020 às 09h00
Atualizado em 01/08/2020 às 09h01
Pai mais velho tocando violão com o filho
Apesar da maior estabilidade, fatores como o grande choque geracional podem ser desafiadores. Crédito: Shutterstock

Apesar do estereótipo de que ser pai mais velho é cansativo, perigoso para a saúde dos pais e dos bebês, a realidade é que muitos pais sentem mais segurança ao esperar um pouco mais pra aumentar a família. Algumas vantagens como a estabilidade profissional, emocional e familiar são aspectos que colaboram para a escolha de ter filhos mais tarde. E se a saúde permitir, a idade não é um problema.

Atualmente, tanto homens quanto mulheres, adiam o momento de se tornarem pais para aproveitar a paternidade ou maternidade de forma mais madura e tranquila. Essa escolha pode ser um grande benefício para a educação das crianças, já que, geralmente, o nascimento acontece de forma muito bem pensada e planejada em todos os detalhes. Alé disso, maioria desses pais se sente tão ativa e envolvida com a criação dos seus filhos quanto outros que têm duas décadas a menos de idade.

O trader Hermenegildo Neto, hoje com 64 anos, teve sua primeira filha aos 42 anos e foi pai novamente aos 44. Ele optou pela paternidade nessa idade por conta de sua profissão. “Viajava muito, estava muito envolvido na minha profissão e me faltava tempo”, comenta.

Esperar pelo momento certo, proporcionou a ele a oportunidade de acompanhar mais de perto as primeiras fases das filhas. Ele conta que a fase inicial, o nascimento de ambas a filhas, foi um processo muito saudável, valioso e riquíssimo na criação delas. “É uma experiência única. Tem que aproveitar a oportunidade, foi um período único e extremamente valioso para mim, na condição de pai, e também para a minha esposa”, lembra.

“Já na fase de levar e buscar nos lugares, também foi um período muito importante na convivência com as minhas duas filhas. Sempre me senti muito orgulhoso e feliz”, conta.

Em dose dupla

Missias Martins e as filhas Bárbara e Lara
Missias Martins foi pai de gêmeas aos 46. Crédito: Arquivo pessoal

O empresário Missias Martins foi pai das gêmeas Bárbara e Lara aos 46 anos e segundo ele, tê-las nessa idade foi uma “exigência da vida”. Elas são o resultado de um grande desejo meu de ser pai. Com a ajuda da medicina (inseminação artificial) e a total concordância da mãe elas nasceram lindas”, conta.

Logo no início da vida de pai, Missias explica que houve alguns probleminhas, mas que nunca faltou amor e dedicação para enfrentá-los. “Exigiram um cuidado diferenciado logo no início. Uma delas ficou na UTI neonatal por 40 dias. Após este período, a energia para brincadeiras e acompanhamento vieram espontaneamente e com muita alegria”, lembra ele.

Hoje, as filhas têm 23 anos e já se foram várias fases, todas elas únicas. O empresário sempre fez questão de acompanhar de perto todas elas. “É prazeroso, faz parte da alegria de ser pai”, conclui.

Vantagens e desvantagens da paternidade tardia

Carolina Vale Quaresma, terapeuta familiar
 A terapeuta familiar Carolina Vale Quaresma explica quais são os pontos que devem ser levados em consideração ao ter filhos mais tarde. . Crédito: Arquivo pessoal

Segundo a terapeuta familiar Carolina Vale Quaresma, se ter os filhos mais tarde for uma opção em consciência, e se o casal se sente bem e preparado para isso, é vantajoso para todos os membros da família. “O mais importante é que a decisão não seja tomada com base naquilo que os outros familiares, amigos ou a própria sociedade determina, ou quer que eles façam. A liberdade de querer ou não querer, ter ou não ter, a idade para ter, a quantidade de filhos, só diz respeito ao casal. E é preciso confiança e firmeza para não ceder a pressões”, aconselha.

Em relação aos fatores que devem levados em conta nessa escolha, a terapeuta explica que a questão do amadurecimento é relativa, até porque com ele surgem também mais medos, mais receios e ansiedades, o que habitualmente acaba por não ser benéfico para a família. “Assim como a procura da "estabilidade financeira", é muitas vezes, uma utopia que faz com os casais acabem por criar um foco nas condições materiais, esquecendo o lado mais emocional”, explica Carolina.

Além da probabilidade de complicações gestacionais, que aumenta com o passar dos anos, o choque geracional também pode ser ampliado. “Nas famílias com quem trabalho em que o pai é mais velho, as mães comentam com frequência que os maridos parecem avôs na postura com os filhos, porque têm dificuldade em colocar limites. Muitas vezes também porque não têm paciência para isso”, explica a profissional

“Os pais mais velhos têm também uma noção de que muito provavelmente será o único e o último filho, o que gera um cuidado extremo associado à superproteção da criança, porque sentem medo que se magoem ou de os perder”, complementa.

Para a terapeuta, é importante que quem opta por ser pai e mãe a partir dos 40 anos não o faça com a sensação de que tem de ser agora ou nunca, e que precisam de mil e uma condições (financeiras) senão não vai correr bem.

“É fundamental também que não seja com a premissa de que "vivemos a vida bem, agora venham os filhos", como que se a vida acabasse ali. O que ajudo as minhas famílias a fazer é exatamente, serem felizes em família. Resolverem os seus medos, inseguranças e ansiedades, para que vivam da melhor forma com os filhos, melhorando as suas relações, seja com 30, 40 ou 50 anos”, finaliza Carolina.

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