Publicado em 10 de janeiro de 2026 às 11:59
O cardeal italiano Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, procurou representantes americanos na Santa Sé no final do ano passado para tentar mediar um asilo para o ditador Nicolás Maduro na Rússia, diz o jornal The Washington Post.>
De acordo com o veículo, a conversa ocorreu na véspera de Natal, quando o religioso convocou Brian Burch, embaixador dos EUA na Santa Sé, para obter detalhes dos planos dos Estados Unidos na Venezuela.>
Embora confirme negociações no período natalino, o Vaticano afirmou ao jornal que é "decepcionante que partes de uma conversa confidencial tenham sido divulgadas sem refletir com precisão o conteúdo". O Departamento de Estado americano não comentou, assim como o porta-voz do Kremlin.>
O Washington Post atribui a informação a documentos governamentais e entrevistas com quase 20 pessoas, que teriam pedido anonimato para discutir assuntos sensíveis.>
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Durante a conversa com Burch na Cidade do Vaticano, Parolin teria perguntado se os EUA realmente buscavam uma mudança de regime e insistido em uma saída pacífica admitindo, porém, que Maduro precisava sair do poder.>
Ele teria dito, então, que a Rússia estava pronta para receber o ditador e pedido paciência aos americanos para evitar instabilidade e derramamento de sangue no país da América Latina. O cardeal, que já atuou como embaixador do Vaticano em Caracas, tem um interesse especial na Venezuela.>
O documento sobre a reunião, diz o Washington Post, afirma que Parolin citou o que descreveu como um rumor: a Venezuela havia se tornado uma "peça fundamental" nas negociações entre Moscou e Kiev e a Rússia "abriria mão da Venezuela se estivesse satisfeita com a situação na Ucrânia".>
O cardeal se referia à mudança na correlação de forças no mundo após o início da Guerra da Ucrânia, em fevereiro de 2022. Segundo analistas consultados pelo jornal, a Rússia, ocupada com o conflito no país vizinho, diminuiu seu apoio à Venezuela nos últimos anos, e a suposta oferta de asilo a Maduro teria sido uma forma garantir um acordo favorável sobre a Ucrânia.>
Parolin teria dito ainda que Maduro parecia estar disposto a renunciar após as eleições de 2024, nas quais foi declarado vencedor sem apresentar as provas exigidas pela lei venezuelana. Na época, ele teria sido convencido a permanecer no poder por seu ministro do Interior, Diosdado Cabello, face da repressão do regime.>
O cardeal disse estar "muito, muito, muito perplexo com a falta de clareza dos planos finais dos EUA na Venezuela", segundo os documentos, e pediu que Washington desse um prazo para a saída de Maduro e garantias à sua família.>
Dias depois, porém, os EUA bombardearam cidades venezuelanas, incluindo Caracas, e capturaram o líder e sua esposa, Cilia Flores. Ambos estão agora em Nova York para serem julgados pela justiça americana por acusações de narcoterrorismo.>
De acordo com o jornal, Maduro pode ter recusado o asilo devido às restrições financeiras na Rússia. Acredita-se que o ditador tenha dinheiro em paraísos fiscais provenientes do comércio de ouro venezuelano, e ele não teria acesso a essas reservas na Rússia.>
Segundo na hierarquia do papa, Parolin liderou nas casas de apostas para ser o novo líder da Igreja Católica após a morte de Francisco, no ano passado. Ele era descrito como forte candidato por sua experiência diplomática e por não se comprometer ser aberto a continuar o caminho de reformas iniciado pelo argentino.>
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