Publicado em 31 de maio de 2024 às 08:00
O Fiat 500, carinhosamente conhecido como Cinquecento – pronuncia-se “tchinqüetchento” – surgiu na Itália em 1957 e teve a primeira versão produzida até 1975 na fábrica de Mirafiori, em Turim, na Itália. Voltou em sua segunda geração já nos anos 2000 e foi lançado no Brasil de 2009, importado inicialmente da Polônia, e de 2012 até 2017, do México. >
Retornou às linhas de montagem de Turim em 2020, na sua terceira geração, com motorização totalmente elétrica – que desembarcou no mercado brasileiro no ano seguinte. Como vendeu pouco mais de 250 unidades em seus quase três anos de mercado nacional, o Cinquecento carregável em tomadas é tão raro nas ruas brasileiras que continua a parecer novidade. >
O preço elevado – R$ 214.990 – certamente é um dos fatores que inibem uma demanda maior pelo modelinho elétrico de estilo lúdico e de visual “vintage”. Mas não é o único.>
Embora estejam abaixo dos R$ 239.990 pedidos em agosto de 2021, quando chegou ao Brasil, os atuais R$ 214.990 cobrados pelo 500e no site da Fiat não deixam o modelo competitivo em relação aos concorrentes chineses. >
>
Exatamente por conta dos preços mais baixos, compactos e subcompactos de lançamento mais recente, como os BYD Dolphin (R$ 149.800 a R$ 178.800) e Dolphin Mini (R$ 115.800) e o GWM Ora 03 (R$ 150 mil a R$ 184 mil), tomaram conta do mercado brasileiro de elétricos no último ano. E já se tornaram “figurinhas fáceis” nas ruas as grandes cidades brasileiras.>
Além do preço, outro fator que inibe as vendas do 500e é a autonomia proporcionada pelas baterias – um tema especialmente sensível para os modelos elétricos. Segundo o Inmetro, a autonomia do 500e fica em 227 quilômetros –distante dos concorrentes Dolphin (291 quilômetros na versão GS e 330 quilômetros na Plus) e Dolphin Mini (280 quilômetros) e Ora 03 (232 quilômetros na versão Skin e 319 quilômetros na GT). >
Para reverter tal defasagem em relação aos chineses, a Stellantis anunciou que investirá 100 milhões de euros (R$ 555 milhões) para desenvolver um novo pacote de baterias para o Fiat 500e, que aumentará sua autonomia e reduzirá custos. A atual bateria do 500e é da Samsung e vem da Coreia do Sul, mas a nova bateria será desenvolvida na China e montada na Itália. >
A novidade deve chegar junto com a segunda geração do pequeno Fiat elétrico, provavelmente em 2026/2027. Localizada sob o assoalho, a atual bateria de íons de lítio de 42 kWh do 500e pode ser reabastecida em casa por meio de cabos que acompanham o veículo. Nas estações com carregadores rápidos, consegue ser reabastecida até 80% em 35 minutos. >
O subcompacto elétrico italiano também se recarrega sozinho nas frenagens, por conta da regeneração de energia. São três modos de condução – “Normal”, “Range” e “Sherpa”.>
Apesar de ter crescido um pouco em comparação aos seus tempos de motor a combustão – ganhou 5,6 centímetros no comprimento, dois centímetros no entre-eixos e 6,1 centímetros na largura –, o 500e permanece sendo um subcompacto. >
Com 3,63 metros de comprimento, 1,68 metro de largura, 1,52 metro de altura e 2,32 metros de distância de entre-eixos, o elétrico da Fiat tem 1.352 quilos – as baterias sempre “engordam” os veículos elétricos. A tarefa de mover o carrinho fica a cargo do motor assíncrono trifásico com tração dianteira, que entrega 118 cavalos de potência e 22,4 kgfm de torque –números semelhantes aos de um motor 1.8 aspirado ou um 1.0 turbo.>
Se o preço, a autonomia e a concorrência chinesa dificultam que o 500e deslanche nas vendas no Brasil, o jeito é assumir o papel de carro de imagem – e uma imagem cheia de estilo e de referências emocionais ao respeitado design automotivo italiano é algo que o subcompacto elétrico da Fiat tem de sobra. >
Com uma das silhuetas mais icônicas da indústria automotiva mundial, o modelo atual mistura elementos do visual do Cinquecento original de 1957 com detalhes “herdados” de sua segunda geração. O conjunto óptico dianteiro é certamente o maior charme, com suas luzes de circulação diurnas (DRL) separadas dos faróis principais, que conferem um simpático “olhar sapeca”. >
Todas as luzes externas do 500e são em LED e, em conjunto com o efeito “Infinity Mirror” (que associa os LED de superfícies reflexivas para criar uma espécie de espelho infinito) adotado nos faróis e nas lanternas, criam uma assinatura luminosa singular. O Fiat 500e é oferecido nas cores Verde Oceano, cinza, preto e branco.>
Na cabine do 500e, chama a atenção o painel frontal em plástico branco duro e brilhante, que remete às gerações anteriores movidas a gasolina. Apesar de elegante, a superfície é reflexiva e pode ofuscar um pouco em dias ensolarados. O teto panorâmico tem vidro fixo (só a cortina se abre) e dá a sensação de o espaço interno ser maior. >
Contudo, em um país tropical como o Brasil, a excessiva intensidade solar no habitáculo pode até incomodar. E a luminosidade a bordo ainda é potencializada pelo interior totalmente claro, com bancos em couro ecológico com grafismos exclusivos. >
Embora o design interno seja bastante criativo, há algumas soluções no 500e que não são tão intuitivas. Como a substituição das maçanetas tradicionais pelo sistema E-Latch, que permite abrir as portas por meio de um pequeno botão localizado junto ao puxador – desde que haja alguém com a “wearable key” (chave/controle) por perto.>
Posicionado atrás do volante multifuncional com acabamento bicolor, o cluster full-digital de 7 polegadas traz o quadro de instrumentos redondo, que evoca o estilo do 500 original. A central multimídia com tela de 10,25 polegadas de alta resolução pode ser personalizada, oferece controle por voz e tem espelhamento sem fio para Android Auto e Apple CarPlay.>
O 500e comporta quatro pessoas – só há dois cintos e dois apoios de cabeça no banco traseiro. Nos bancos frontais, o espaço é até adequado. Já nos traseiros, qualquer adulto com altura ligeiramente acima da média tem dificuldade de se ajeitar. O acesso à parte de trás é facilitado pelas portas amplas e pelo fato de os dois assentos frontais correrem para a frente.>
Dentro do universo dos veículos elétricos, cada modelo tem suas especificidades. E o subcompacto da Fiat apresenta algumas propostas diferenciadas. Como o inusitado painel de controle de funções, posicionado em um pequeno platô no tablier e acionável em quatro teclas – “P” (parking), “R” (ré), “N” (neutro) e “D” (drive). >
No console central, onde normalmente fica posicionada a alavanca de câmbio, estão outras teclas: os comandos de modos de condução e do volume do multimídia e o acionador do freio de estacionamento. >
Como é comum aos veículos elétricos, o 500e embala silenciosamente – um leve zumbido dos sistemas de recuperação de energia pode ser percebido quando o carro desacelera. Já a tampa que isola o bagageiro do restante da cabine é mais ruidosa que o desejável. >
Tecnologias como controle de velocidade adaptativo, assistente de permanência no centro da faixa, frenagem automática de emergência e alerta de veículo no ponto cego ajudam a tornar as viagens no 500e mais seguras. O som emitido para alertar os pedestres da presença do modelo é inspirado na trilha sonora do italiano Nino Rota para o filme “Amarcord”, de 1973.>
No modo “Normal”, que na prática acaba sendo o mais “esportivo”, o 500e se comporta como um carro convencional a combustão. Nesse modo, praticamente não há recuperação de energia em desacelerações, apenas nas frenagens, que são feitas da forma tradicional – no pedal da esquerda. >
No modo “Range”, a regeneração passa a ser mais presente e aumenta um pouco a autonomia – o motorista pode usar apenas o pedal do acelerador a maior parte do tempo. Já quando a autonomia começa a se tornar uma preocupação e o foco do motorista passa a ser recuperar e preservar a energia, o recomendável é acionar o “Sherpa”. >
O modo cria economia extra ao limitar a velocidade a 80 km/h e diminuir a intensidade do ar-condicionado. Deste jeito, o motorista dirige com apenas o pedal da direita – se tirar o pé do acelerador, o veículo diminui a velocidade gradualmente até parar, e ainda recupera energia. Em caso de necessidade de parar mais rápido, basta pressionar o pedal de freio.>
Quando o 500e sai dos centros urbanos e chega nas estradas, os 118 cavalos de potência e os 22,4 kgfm de torque são mais do que suficientes para garantir desenvoltura de sobra a um modelo tão pequeno e razoavelmente leve para um elétrico – tem 1.352 quilos. Dinamicamente, para quem gosta de andar rápido, o 500e é divertido e transmite uma sensação de estar dirigindo um kart. >
O pequeno elétrico consegue administrar bem os 22,4 kgfm de torque que são despejados instantaneamente. Pelos dados da Fiat, a aceleração de zero a 100 km/h pode ser feita em nove segundos, enquanto a velocidade máxima é de 150 km/h (limitada eletronicamente). >
Com a autonomia de 227 quilômetros aferida pelo Inmetro, é preciso aprender a dominar a “range anxiety” – ou ansiedade de alcance, em bom português. Nas viagens, vale calcular as distâncias e planejar previamente as paradas necessárias.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta