ASSINE

Carro parado na quarentena: gasolina no tanque perde a validade?

O que dizem os especialistas? Quais devem ser os cuidados? Veja orientações de quem entende do assunto

Publicado em 17/06/2020 às 19h09
Atualizado em 17/06/2020 às 19h09
Vitória - ES - Posto de combustíveis vende o litro de gasolina por R$ 3,64 no Centro da capital
Posto de combustíveis no Centro da capital. Crédito: Vitor Jubini

Com a necessidade de distanciamento social imposta pela pandemia do novo coronavírus, muitos veículos têm permanecido dentro das garagens. A questão que surge diante disso é se o combustível parado no tanque perderia a validade e causaria algum dano ao motor. Para responder a estas questões, a reportagem conversou com quem entende do assunto.

De acordo com Gilberto Pose, especialista em combustíveis da Raízen, licenciada da marca Shell, nos automóveis a validade da gasolina fica em torno de 2 a 3 meses, dependendo do nível de combustível dentro do tanque. "Quanto menor o nível, ou seja, quanto menos gasolina no tanque, haverá mais contato com o oxigênio e mais rápida será a oxidação, ou envelhecimento do combustível.", disse.

Neste sentido, Pose afirma que para longos períodos de inatividade do veículo, a recomendação é de que se mantenha o tanque de combustível o mais cheio possível, para se evitar condensação do ar dentro dele. "A condensação forma gotículas de água que podem se emulsionar ao combustível tornando-o inapropriado ao uso pelo motor. Para motores a Diesel é fundamental a inspeção constante quanto à presença de água, drenando-a. A água torna possível a multiplicação de fungos e bactérias presentes no Diesel e no biodiesel, causando o bloqueio dos filtros e danos severos à bomba de combustível e aos bicos injetores", recomendou.

Apesar disso, segundo ele, por serem produtos comercializados a granel, a gasolina, o diesel e o etanol não têm um prazo de validade rigidamente estabelecido. "Porém, há testes homologados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), através dos quais pode-se estabelecer um paralelo entre a estabilidade química do combustível e sua funcionalidade para uso", disse.

NOS POSTOS E NOS TANQUES

Tanque de gasolina de carro é abastecido
Já dentro dos tanques de veículos, a gasolina sofrerá influência do calor e do oxigênio, podendo valer por cerca de dois meses. Crédito: Tomaz Silva | Agência Brasil

Para Marcus Vinícius Lisboa Motta, doutor em Química, professor e diretor de uma instituição privada de ensino superior da Grande Vitória, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), combustível automotivo não tem um prazo de validade. Sua estabilidade depende do armazenamento.

No caso do armazenamento em postos de combustível, o químico informa que se bem armazenada (longe de luz e calor), a gasolina pode se manter, dentro das normas, sem perder suas características por até 6 meses. Já dentro dos tanques de veículos, a gasolina sofrerá influência do calor e do oxigênio, podendo valer por cerca de dois meses. "O processo de funcionamento do motor pode fazer a gasolina aquecida retornar ao tanque e lá encontrar-se com o oxigênio, que altera as propriedades do combustível. Para identificar o combustível fora do prazo de validade é necessário realizar o teste da ANP. Por isso, a dica é sempre abastecer no mesmo posto e guardar os recibos para evidenciar qualquer problema", explicou.

Ainda sobre a gasolina, Marcus diz que esta é uma mistura de substâncias. "Os componentes mais leves podem evaporar com o tempo, deixando os componentes mais densos, que podem comprometer o funcionamento do motor (bicos injetores), dificultando a partida e aumentando o consumo do combustível".

DIESEL

De acordo com o professor universitário, no caso do diesel o tanque deve ser regularmente drenado para evitar o acúmulo de água. "A validade de um combustível depende do armazenamento, evitando acúmulo de agua (diesel), oxidação e desenvolvimento de micro-organismos", frisou.

Da mesma forma, Ricardo Barbosa, proprietário de um centro de reparação automotiva de Vitória, comenta que o diesel apresenta problemas quando há água. "Já a gasolina apodrece no tanque, vai virando graxa, fica pastosa. O álcool, na verdade, não estraga. Os carros mais novos, de uns 10 anos para cá, com tanques de plástico, e que estejam parados nesse momento de pandemia, demoram um pouco mais a estragar o combustível, estão mais preparados. A partir de 6 a 8 meses é que começa a dar problema. A atenção agora deve ser com a bateria", avisou.

GASOLINA ADITIVADA

Pose explica que a gasolina aditivada possui componentes que melhoram a resistência do combustível à oxidação (envelhecimento). "Com uma estabilidade maior, a gasolina aditivada tem um controle maior quanto à formação de gomas no sistema de alimentação de combustível, permitindo um fluxo mais contínuo e homogêneo do produto. Sua durabilidade é em média de 2 a 3 vezes maior que a da gasolina comum (sem aditivos)", explicou.

DICAS

Para Barbosa, é recomendável seguir alguns passos para ativar o funcionamento do veículo e, assim, evitar imprevistos como a queda da bateria, o envelhecimento do combustível e a deformação dos pneus, durante a quarentena.

  1. 01

    Ligar o carro

    Depois de 2 meses do carro parado, ir à garagem, ligar o carro, deixar funcionando entre 15 a 20 minutos;

  2. 02

    Atenção aos pneus

    O pneu parado vai se deformando e esvaziando. O ideal é movimentar o veículo, deslocar para frente e para trás;

  3. 03

    Passeio curto

    Dar uma volta no quarteirão;

  4. 04

    Calibragem

    Calibrar os pneus com uma ou duas libras a mais;

  5. 05

    Bateria

    Evitar ligar o farol para não gastar bateria. "O que mais tem aparecido na oficina são pessoas que querem sair mas ficaram sem bateria; mas para problemas com gasolina é mais difícil, precisaria de um tempo maior para acontecer algo", disse.

A Gazeta integra o

Saiba mais
Coronavírus no ES gasolina Petróleo Combustível Pandemia Isolamento social

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.