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Vitória fecha ano com metro quadrado mais caro do país; veja bairros com maior valorização

Vitória fecha ano com metro quadrado mais caro do país; veja bairros com maior valorização

Escassez de terrenos, localização estratégica e infraestrutura consolidada explicam por que bairros como Enseada do Suá, Praia do Canto e Santa Lúcia concentram os maiores preços e as maiores altas do ano, segundo o Índice FipeZAP de 2025

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Yasmin Spiegel

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Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 18:19

Enseada do Suá
Enseada do Suá lidera preço do metro quadrado em Vitória Crédito: Fernando Madeira

Mantendo o padrão de resultados anteriores ao longo do ano, Vitória encerrou 2025 como a capital com o metro quadrado mais caro do Brasil. De acordo com o Índice FipeZAP, divulgado nesta terça-feira (06), o preço médio de venda de imóveis residenciais na cidade chegou a R$ 14.108 por metro quadrado em dezembro, após uma valorização acumulada de 15,13% ao longo do ano. No recorte dos últimos 12 meses, a alta foi ainda maior, de 18,15%, confirmando o desempenho acima da média nacional.

A limitação de terrenos, demanda contínua por moradia e concentração de infraestrutura, serviços e qualidade urbana são os fatores elencados por especialistas que explicam o resultado. 

"A escassez de terrenos segue sendo um dos fatores princiais, mas ela se soma a um mercado já maduro, com pouco espaço para expansão e crescimento mais voltado à qualificação do estoque imobiliário. A consolidação de novas regiões, melhorias urbanas e a evolução do perfil dos empreendimentos contribuíram para sustentar a valorização observada nos últimos anos", afirma Ricardo Gava, diretor da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES). 

Nesse cenário, alguns bairros concentram os preços mais elevados, enquanto outros se destacam pelo ritmo acelerado de valorização, movimento explicado por, além dos fatores já citados, elementos como entrega de novos empreendimentos, perfil dos imóveis e mudanças no eixo de crescimento da cidade.

Enseada do Suá lidera preço do metro quadrado

Com preço médio de R$ 17.566 por metro quadrado, a Enseada do Suá aparece no topo do ranking dos bairros mais caros de Vitória. 

A lista dos bairros de Vitória com o metro quadrado mais caro, em ordem decrescente de preço médio fechou com os seguintes resultados em 2025:

  1. Enseada do Suá – R$ 17.566/m²
  2. Praia do Canto – R$ 16.518/m²
  3. Mata da Praia – R$ 15.689/m²
  4. Barro Vermelho – R$ 15.560/m²
  5. Aeroporto – R$ 13.893/m²
  6. Jardim Camburi – R$ 12.646/m²
  7. Santa Lúcia – R$ 12.452/m²
  8. Bento Ferreira – R$ 11.604/m²
  9. Jardim da Penha – R$ 10.202/m²
  10. Centro – R$ 4.203/m²

Para o conselheiro da Ademi-ES, Eduardo Fontes, o resultado está diretamente ligado ao perfil da oferta imobiliária da região, já que o bairro concentra hoje um volume maior de imóveis prontos à venda quando comparado, por exemplo, à Praia do Canto, que tradicionalmente lidera os preços nos lançamentos. Assim, como o Índice FipeZAP é calculado a partir de anúncios de imóveis disponíveis no mercado, a maior oferta de unidades prontas acaba puxando a média do bairro para cima.

“Quando falamos de lançamentos, a Praia do Canto ainda lidera o preço do metro quadrado. Mas a Enseada do Suá tem hoje mais imóveis prontos anunciados, e isso influencia diretamente o resultado do índice”, explica.

Além disso, a região reúne empreendimentos mais novos, padrão construtivo elevado, proximidade com o centro financeiro da cidade e acesso facilitado a serviços, fatores que sustentam os valores praticados.

Logo atrás da Enseada do Suá aparecem Praia do Canto, Mata da Praia e Barro Vermelho, com preços médios de R$ 16.518/m², R$ 15.689/m² e R$ 15.560/m², respectivamente. Essas regiões têm em comum a localização estratégica, a oferta de serviços, comércio, a forte demanda por imóveis residenciais e, no caso da Praia do Canto, a escassez de terrenos disponíveis para novos projetos mantém os preços elevados e a procura constante.

Para o diretor do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Espírito Santo (Sinduscon-ES), Eduardo Borges, outro ponto relevante é que esses bairros concentram imóveis de padrão médio-alto e alto, muitos deles próximos à orla. “São regiões centrais, ‘perto de tudo’, com boa infraestrutura urbana e de lazer. Exceto o Barro Vermelho, todos estão na orla, com calçadão e praia, o que agrega valor”, destaca.

Santa Lúcia puxa valorização

Rua Aleixo Netto no bairro Santa Lúcia
Santa Lúcia liderou valorização entre os bairros nos últimos 12 meses Crédito: Vitor Jubini

Se no ranking de preços a liderança é da Enseada do Suá, no de valorização em 12 meses quem se destaca é Santa Lúcia, com alta de 30,1%, a maior entre os bairros analisados pelo índice.

A lista de bairros de Vitória com maior valorização nos últimos 12 meses:

  1. Santa Lúcia – +30,1%
  2. Enseada do Suá – +29,9%
  3. Aeroporto – +26,5%
  4. Centro – +23,5%
  5. Barro Vermelho – +15,0%
  6. Jardim Camburi – +14,8%
  7. Bento Ferreira – +14,6%
  8. Mata da Praia – +14,1%
  9. Praia do Canto – +13,2%
  10. Jardim da Penha – +9,2%

Para Eduardo Fontes, esse avanço expressivo tem uma explicação pontual. “Santa Lúcia é um bairro pequeno, com pouquíssima oferta de imóveis novos e, em 2025, tivemos a entrega de um novo empreendimento. Quando um empreendimento com várias unidades é entregue, o preço do metro quadrado sobe de forma significativa em comparação aos imóveis usados, que são mais antigos”, afirma.

Segundo ele, esse tipo de movimento tende a provocar um salto momentâneo nos indicadores, mas não necessariamente indica um processo contínuo de valorização acelerada, justamente pelas limitações do bairro para receber novos projetos.

O levantamento do FipeZAP também chama atenção para bairros que historicamente não figuravam entre os mais valorizados da capital. O Centro de Vitória, por exemplo, registrou valorização de 23,5% em 12 meses, apesar de ainda ter o menor preço médio entre os bairros analisados: R$ 4.203/m².

Para Fontes, o movimento reflete tanto o baixo patamar de preços quanto as intervenções recentes do poder público. “O Centro ainda tem valores muito inferiores aos dos bairros mais nobres da ilha, o que abre uma margem grande de valorização. Soma-se a isso as melhorias urbanas, mais serviços e avanços na segurança”, explica.

Já a região classificada pelo índice como bairro Aeroporto, área que se conecta a Jardim Camburi, aparece entre as maiores altas por concentrar empreendimentos novos entregues recentemente. “São imóveis de boa qualidade, cercados por shopping, supermercados, praças e serviços. Isso puxa o valor médio do metro quadrado”, afirma.

Futuro promissor

Apesar da valorização expressiva registrada em 2025, o setor avalia que o movimento deve continuar em 2026, ainda que em ritmo mais moderado. Para Eduardo Borges, os indicadores de vendas em Vitória seguem saudáveis e apontam para um desempenho acima da média nacional. "Acredito que Vitória continuará se valorizando acima da média nacional, num contexto político-econômico positivo, tanto da Capital como do Estado".

Segundo Ricardo Gava, a expectativa de queda da Selic, a redução gradual das taxas de financiamento e a ampliação do limite do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e do uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) tendem a destravar operações e dar fôlego ao mercado. “O imóvel segue como uma opção segura tanto para moradia quanto para investimento, especialmente em uma capital com oferta limitada como Vitória”, conclui.

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