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Saiba como fazer a manutenção e evitar problemas com a caixa d’água

Saiba como fazer a manutenção e evitar problemas com a caixa d’água

Rompimento de reservatório em prédio de Vitória acendeu alerta para cuidados na conservação; especialistas orientam sobre instalação e manutenção

Filipe Turini

Estagiário do Estúdio Gazeta / [email protected]

Publicado em 6 de março de 2026 às 15:28

Inspeções periódicas, acompanhamento de profissionais habilitados e escolha adequada dos materiais utilizados no sistema de reserva de água, estão entre os cuidados.
Inspeções periódicas, acompanhamento de profissionais habilitados e escolha adequada dos materiais utilizados no sistema de reserva de água estão entre os cuidados. Crédito: Shutterstock

rompimento de uma caixa d’água em um prédio no bairro Santa Cecília, em Vitória, que provocou alagamentos e espalhou destroços pela área durante a madrugada desta semana, acendeu um alerta sobre a importância da manutenção e da instalação correta desses reservatórios em edificações.

A principal forma de evitar acidentes envolvendo reservatórios de água, segundo o engenheiro civil e gerente de fiscalização do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES) , Leonardo Leal, é a manutenção periódica.

Isso porque o acompanhamento técnico permite identificar desgastes estruturais antes que eles evoluam para falhas mais graves. Principalmente nos prédios onde o sistema de caixas d'água já não é tão atual.

“A manutenção preventiva é sempre melhor do que a corretiva. Além de evitar acidentes, ela costuma ser mais barata”, afirmou.

Laje do prédio onde ocorreu o acidente, felizmente, sem feriados. Segundo avaliado, a caixa d'água teria cedido a corrosão.
Laje do prédio onde ocorreu o acidente, felizmente, sem feriados. Segundo avaliado, a caixa d'água teria cedido a corrosão. Crédito: Crea-ES

No caso citado, por exemplo, a vistoria do conselho, no edifício apontou que o reservatório que se rompeu era de concreto armado e tinha cerca de 20 anos.

“Verificamos que não foram realizadas as manutenções preventivas adequadas e identificamos sinais significativos de corrosão nas armaduras de aço”, explicou.

Leal explica que isso ocorre porque a água tratada contém cloro, usado para garantir a qualidade do abastecimento. Entretanto, sem a proteção adequada, a substância pode acelerar o desgaste de componentes metálicos. 

“A água exerce pressão constante dentro da caixa. Quando o aço começa a corroer, a estrutura perde resistência e pode chegar ao ponto de romper”, disse.

Segundo o engenheiro, as estruturas de concreto armado costumam apresentar sinais de alerta antes de falhas mais graves, como trincas ou rachaduras, e por isso devem ser avaliadas por um profissional.

Inspeção anual é recomendada e necessária

A realização de inspeções prediais periódicas, inclusive, está entre as recomendações do conselho, além de uma avaliação do reservatório de água. De acordo com Leandro Leal, "o ideal é que o condomínio contrate anualmente um profissional habilitado ou uma empresa de engenharia registrada no Crea-ES para fazer a inspeção predial."

Durante a avaliação, são analisados diversos elementos da edificação, como estrutura, casa de máquinas, sistemas de segurança e possíveis sinais de deterioração.

Material e instalação também influenciam

Outro ponto que influencia na segurança do sistema de reservação é o tipo de material utilizado. De acordo com o engenheiro, caixas d’água de polietileno, modelo comum em muitas residências e edifícios, têm se tornado mais frequentes em novas instalações por não sofrerem corrosão como as estruturas de concreto armado.

Mesmo assim, o especialista destaca que o material também exige cuidados específicos, como a instalação em uma base bem nivelada e a proteção contra exposição excessiva ao sol, que pode reduzir a durabilidade do reservatório.

Responsabilidade técnica e segurança

Além disso, o conselho também reforça que a instalação ou substituição de caixas d’água deve ser acompanhada por um profissional habilitado, responsável por avaliar a estrutura e definir a solução mais adequada para cada edificação. Esse acompanhamento é formalizado por meio da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), documento que identifica o profissional responsável pelo serviço.

Para o Crea-ES, a adoção de rotinas de manutenção e acompanhamento técnico é fundamental para preservar a segurança das edificações e evitar acidentes.

“A ausência de manutenção adequada compromete a durabilidade das estruturas e pode gerar situações de risco. É fundamental que síndicos e responsáveis por edificações contem sempre com profissionais habilitados e mantenham rotinas periódicas de inspeção”, destacou o presidente do conselho, Jorge Silva.

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