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Publicado em 21 de novembro de 2023 às 19:03
- Atualizado há 2 anos
A Prefeitura da Serra pretende processar o deputado estadual Pablo Muribeca (Patriota) e três vereadores do município por abuso de poder, quebra de decoro e por perturbar o funcionamento de órgãos públicos. Na última sexta-feira (17), Muribeca e os vereadores Anderson Muniz (Podemos), Darcy Junior (Patriota) e Professor Artur (Solidariedade) entraram na agência do Sine da Serra sob o argumento de que estaria ocorrendo no local crime de direcionamento de vagas de emprego. >
Muribeca é um dos cotados para disputar a Prefeitura da Serra nas eleições de 2024 e é opositor político de Sérgio Vidigal (PDT), atual prefeito.
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Após a ação do deputado e dos três vereadores no Sine, o subsecretário de Trabalho e Renda da Serra, Renato Ribeiro, responsável pelo serviço, foi levado pela Polícia Militar para a Delegacia Regional da Serra junto a um celular funcional apreendido pelos parlamentares onde supostamente haveria provas das irregularidades. Segundo a Polícia Civil, porém, não há provas suficientes de crime.>
Em nota, a Polícia Civil informou que o subsecretário foi ouvido e liberado "visto que após análise não foi possível concluir se houve crime. Diante da falta de elementos conclusivos e da necessidade de apuração mais detalhada, não foi adotado nenhum procedimento flagrancial em desfavor dos envolvidos".>
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De acordo com os vídeos publicados por Muribeca nas redes sociais, teria chegado aos vereadores uma denúncia de que haveria direcionamento de cargos no Sine da Serra. Cargos melhor remunerados e em empresas grandes seriam distribuídos fora do sistema, beneficiando pessoas específicas. De posse dessa denúncia, o deputado e os três vereadores fizeram uma incursão na agência na manhã da sexta-feira (17). A ação foi batizada por eles de "Operação Peixada". >
Nas imagens divulgadas, é possível ver que o grupo entra no órgão público, na parte administrativa, supostamente atrás de provas da fraude e de um aparelho celular, por onde, segundo eles, seria feita a negociação das vagas direcionadas. O deputado e os três vereadores apontam ainda ter encontrado currículos impressos no local. Em seguida, chega ao local o subsecretário, que logo depois sai no banco traseiro de uma viatura da PM, sem algemas.
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O procurador-geral da Serra, Edinaldo Ferraz, descreve a ação como "terrorismo". "Foi uma coisa policialesca. Eles deram até titulação de "Operação Peixada", como se fossem policiais verdadeiros. Ultrapassaram tudo o que é permitido pela legislação", afirmou.
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Edinaldo diz que a prefeitura vai tomar medidas administrativas e judiciais contra os envolvidos. Segundo o procurador, Muribeca será denunciado à Corregedoria da Assembleia Legislativa do Espírito Santo e ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES), juntamente com os três vereadores. Ele disse ainda que o município vai ajuizar ação na Justiça contra os envolvidos. >
"Houve quebra de decoro parlamentar com relação aos parlamentares e abuso de poder. Um deputado não pode invadir uma repartição pública, seja estadual e muito menos municipal. Não pode tomar celular, não pode prender ninguém. Feriram tudo o que se possa imaginar de princípios federativos e republicanos", apontou Edinaldo Ferraz.>
O procurador também disse que será aberta uma representação na Corregedoria da Polícia Militar para que seja apurada a conduta dos militares que atuaram no caso.
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Sobre a denúncia de fraude apresentada pelos parlamentares, Edinaldo disse que será apurada administrativamente. >
Além das ações da prefeitura, o próprio subsecretário Renato Ribeiro, que foi levado à delegacia e depois liberado, disse que também pretende processar os autores da "Operação Peixada". O advogado do servidor, Homero Mafra, afirmou que será apresentada representação na Corregedoria da Assembleia, contra Muribeca, e na da PM, por conta da ação dos militares. Já os vereadores serão ainda cobrados judicialmente por crime contra a honra, abuso de autoridade e quebra de decoro. >
"Evidentemente, ele (Muribeca) não fazia fiscalização nenhuma. Não estava agindo em nome da Assembleia ou de nenhuma comissão da Casa. Foi uma ação isolada dele", avaliou Mafra.>
Em nota, a PM disse que foi instaurado procedimento administrativo, pela Corregedoria da corporação, para apuração dos fatos, referentes às condutas dos policiais militares.>
O deputado Pablo Muribeca enviou nota para A Gazeta em que diz interpretar a ação da prefeitura como "forma de retaliação, visando intimidar e impedir a continuidade dos trabalhos intensivos que vem realizando em favor do povo serrano". Ele afirma ainda que a operação foi toda filmada e demonstra que não houve abuso por parte dos parlamentares. O deputado planeja também uma representação ao Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) e à Controladoria Geral da União (CGU) a respeito da denúncia de direcionamento de cargos no Sine da Serra.
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O vereador Anderson Muniz afirmou que o prefeito Sérgio Vidigal "age politicamente". "Nossa ação de fiscalização mostrou para toda sociedade serrana o esquema de direcionamento de vagas dentro do Sine. Por que ele não afastou seu indicado mediante as confirmações da servidora efetiva, dona Penha? Por que o foco dele não está em apurar os indícios? O foco de Vidigal está em perseguir quem fiscaliza sua gestão!", disse, em nota. >
Já o vereador Darcy Junior afirmou que a questão será esclarecida com a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que pretende instaurar na Câmara da Serra. "Vejo as ameaças de processos judiciais contra nós como uma forma de o prefeito tentar amedrontar um grupo de vereadores que não abaixa a cabeça para ele. Nós revelamos um esquema instalado no Sine da Serra. Ao invés de ele trabalhar para acabar com isso, foca em nos atacar, o que mostra absoluta conivência da parte dele. Não é a primeira vez que ele persegue quem resolve fiscalizar", afirmou, também em nota. >
Professor Artur, que também participou na ação, classificou as denúncias da prefeitura como perseguição. >
"A prefeitura tinha dois caminhos: ajudar a apurar e esclarecer as graves denúncias sobre o Sine ou perseguir os parlamentares que foram fiscalizar. Eles optaram pela segunda opção com o claro desejo de nos intimidar. O que sabemos até o momento é que eles dificultaram o acesso às provas e agora querem criar uma narrativa de abuso de poder. As redes sociais permitem levar ao conhecimento da população em tempo real a nossa atuação, e isso ainda assusta alguns caciques da velha política. Estamos na nossa prerrogativa, não podemos e não iremos recuar", apontou, em nota.
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Nota do deputado estadual Pablo Muribeca
O deputado Pablo Muribeca e os vereadores Anderson Muniz, Artur Costa e Darcy Junior vêm a público reiterar que toda a ação realizada na "Operação Peixada" atendeu inteiramente à legalidade e aos princípios do ordenamento jurídico.
Após receberem denúncias gravíssimas de servidores efetivos e comissionados, os parlamentares constataram o uso político e eleitoral do SINE da Serra com favorecimento a apadrinhados do Secretário Adjunto.
A Operação foi integralmente filmada, o que confirma a ausência de qualquer abuso praticado pelos parlamentares que agiam no gozo de suas prerrogativas, especialmente porque qualquer cidadão tem o direito de impedir situações flagrantes de ilegalidade, tendo a Polícia Militar sido acionada pelo 190 e enviado viatura ao local, seguindo os trâmites que a lei impõe.
As filmagens disponíveis ao público nas redes sociais do Deputado traz o depoimento de uma servidora efetiva da Prefeitura da Serra que afirma e dá luz ao forte esquema dentro do SINE da Serra. Além de denúncia formalizada e protocolada no Ministério Público, que chegou ao conhecimento dos Vereadores e do Deputado.
Dessa forma, o Deputado e os Vereadores já esperavam intimidação por parte do Prefeito da Serra e informam que continuarão a defender o povo, estando à disposição com tranquilidade dos órgãos de controle e cobrando veementemente que os verdadeiros criminosos sejam punidos pelo uso fraudulento do SINE da Serra.
Em tempo, o Deputado e os Vereadores acompanharão com olhos de lupa qualquer perseguição à servidora efetiva Penha, que denunciou o esquema, e esperam do Prefeito Sérgio Vidigal que, pela primeira vez, tenha postura enérgica contra a corrupção em sua gestão.
Em relação à decisão do Prefeito Sérgio Vidigal de processar os parlamentares, o Deputado interpreta esta ação como uma forma de retaliação, visando intimidar e impedir a continuidade dos trabalhos intensivos que vem realizando em favor do povo serrano. O Deputado ressalta que permanece à disposição de todos os órgãos competentes para fornecer quaisquer esclarecimentos necessários.
Com o desdobramento da fiscalização, apelidada de "Operação Peixada", o Deputado Pablo Muribeca fará uma representação ao Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), à Controladoria Geral da União (CGU), tendo em vista que o sistema do SINE é mantido com recursos federais, e aos demais órgãos competentes, em resposta às ilegalidades que vêm ocorrendo na Prefeitura Municipal da Serra atribuídas ao Subsecretário Renato Ribeiro e consentidas pelo Prefeito Municipal Sérgio Vidigal. Ambos enfrentarão consequências legais pelos atos ilícitos cometidos.
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