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Publicado em 23 de junho de 2021 às 17:16
A Neural Empreendimentos (antiga Tantum), empresa responsável por vender álcool em gel para o Espírito Santo com suspeita de superfaturamento e fraude, vai responder a um processo administrativo de responsabilização (PAR) aberto pelo governo do Estado. A Secretaria de Controle e Transparência (Secont) instaurou o procedimento na última terça-feira (22), 15 dias após a deflagração da Operação Volátil, da Polícia Federal, que também investiga a compra. >
A abertura do processo foi publicada no Diário Oficial desta quarta-feira (23). Além da Neural, também serão apuradas possíveis irregularidades da Forte Ambiental, que, de acordo com a PF, apresentou documento fraudulento para comprovar a capacidade da Neural de fornecer os produtos.>
Dois auditores do Estado foram designados para montar uma comissão que vai apurar os indícios de irregularidades no contrato. Eles terão 180 dias para apresentar um relatório conclusivo sobre o caso. A Secont solicitou à Receita Federal informações sobre o faturamento bruto das empresas no ano de 2020. A investigação vai tramitar sob sigilo. >
Se o procedimento comprovar que houve irregularidades, as empresas poderão ser suspensas por dois anos de contratar com a administração pública, nas esferas municipal, estadual e federal, e obrigadas a ressarcir os cofres públicos.>
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A Neural Empreendimentos (antiga Tantum) vendeu ao Estado 400 mil frascos de 500 ml de álcool em gel, por R$ 6,3 milhões, em abril de 2020. Na mesma época, o governo do Estado contratou outras empresas para o fornecimento do mesmo produto, em quantidades menores, por valores entre 52,1% e 297,5% mais baratos do que o preço por litro oferecido pela Tantum.>
Segundo a publicação no Diário Oficial, a equipe de investigação da Secont identificou, preliminarmente, que o atestado de capacidade apresentado pela Neural, na época da contratação, pode ter sido falso. O atestado era assinado pelo empresário Wesley Ferreira Pessanha, sócio da Forte Ambiental. >
Esse documento simulava, de acordo com as investigações, uma compra de 400 mil frascos de álcool em gel – mesma quantia que o Estado procurava – entre a Forte Ambiental e a Tantum. No entanto, Pessanha também era sócio da Tantum no período em que, em tese, a Forte Ambiental e a Tantum fizeram a transação.>
O empresário foi um dos alvos da Operação Volátil, da Polícia Federal, e também da Operação Chorume II, do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), ambas realizadas simultaneamente em 7 de junho deste ano. No Estado fluminense, ele é acusado de fazer parte de um esquema criminoso que realizou contratos superfaturados estimados em R$ 40 milhões.>
Ao Estado, a Neural (na época, Tantum) apresentou um documento em que a empresa estava registrada em nome de outra pessoa, mas os dados que divergem das informações que constam na Receita Federal. Para a Secont, o ato pode configurar fraude documental, que caracteriza ato lesivo à Administração Pública. A secretaria chegou a notificar as duas empresas, que não se manifestaram sobre a identidade de seus representantes. >
Além da Secont e a Polícia Federal, deputados estaduais querem abrir uma CPI para investigar a compra. Para o procedimento ser aberto, no Legislativo, são necessárias 10 assinaturas, além do aval do presidente da Casa, Erick Musso (Republicanos). Até esta quarta-feira, seis parlamentares haviam assinado o pedido para abertura da comissão.>
A reportagem tentou contato pelos telefones e e-mails que constam no registro da Neural Empreendimentos e da Forte Ambiental na Receita Federal, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.>
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