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Publicado em 7 de junho de 2021 às 10:07
A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta segunda-feira (7), a Operação Volátil para investigar uma organização criminosa que pode ter fraudado documentos e superfaturado preços em compras de álcool em gel feitas pelo governo do Espírito Santo. Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em residências e empresas nos municípios de Vitória e Vila Velha, no Estado, e em Macaé e São Fidelis, no Rio de Janeiro. >
As suspeitas, de acordo com a PF, são de fraude e superfaturamento envolvendo o uso da verba federal destinada ao combate da Covid-19. A operação teve início após a análise de relatórios da Superintendência da Controladoria Geral da União no Espírito Santo (CGU-ES) e do Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCES). >
Os documentos apontaram para irregularidades na compra de álcool em gel pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), em processo de compra com dispensa de licitação nos meses de março e abril de 2020.>
As auditorias realizadas pelos órgãos de controle e as investigações conduzidas pela PF indicam que a empresa que forneceu o álcool para a Sesa foi criada com a finalidade de participar do certame, sem qualquer histórico de atuação no fornecimento desse tipo de material.>
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Há ainda indícios do uso de documento falso para comprovar a capacidade técnica de fornecimento do álcool em gel contratado, assim como o indicativo de superfaturamento.>
Durante as investigações foi possível constatar que os empresários envolvidos movimentaram os recursos recebidos com a venda do álcool para o governo do Espírito Santo para outras empresas do grupo, parentes e empresas em nome de terceiros, em operações financeiras típicas da prática de lavagem de dinheiro. >
O mesmo grupo criminoso também é investigado no Rio de Janeiro e seus integrantes, de acordo com a Polícia Federal, foram alvo da Operação Chorume, da Polícia Civil do Rio de Janeiro e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), deflagrada em março deste ano. A Polícia Federal e os órgãos responsáveis pela operação carioca compartilharam informações que culminaram na Operação Volátil. Também nesta segunda-feira, a Polícia Civil e o MPRJ fazem uma nova fase da Operação Chorume.>
São investigados os crimes de formação de organização criminosa, fraude a licitações e lavagem de capitais.>
A Secretaria de Estado de Saúde foi procurada pela reportagem. Assim que o órgão se posicionar, este texto será atualizado.>
O Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCES) informou que os relatórios que culminaram na operação não são públicos e que as informações sobre a possíveis irregularidades serão repassadas somente pela Polícia Federal.>
O secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, afirmou, em entrevista coletiva à imprensa, que a compra investigada no Espírito Santo foi feita em momento de escassez do produto no mercado e que o governo colabora com as investigações. Já por meio de nota, a secretaria informou que o Tribunal de Contas da União não identificou sobrepreço no contrato.>
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