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Covid-19

Casagrande: 'Forças Armadas devem ser instituição de Estado, não de governo'

Governador do ES avalia, no entanto, que ministro Gilmar Mendes errou ao usar a palavra 'genocídio' em referência às mortes provocadas pelo novo coronavírus no país

Publicado em 20 de Julho de 2020 às 11:25

Redação de A Gazeta

Publicado em 

20 jul 2020 às 11:25
Vitória - ES - Governador do Estado, Renato Casagrande (PSB).
Governador Renato Casagrande (PSB), já recuperado da Covid-19, no Palácio Anchieta Crédito: Vitor Jubini
O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), que administra um Estado que registra mais de duas mil mortes por Covid-19, avalia que o governo federal até ajuda, com verbas, mas a instabilidade no Ministério da Saúde e o comportamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) atrapalham.
Casagrande discorda, no entanto, do termo "genocídio" utilizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. Para Mendes, "é preciso dizer isso de maneira muito clara: o Exército está se associando a esse genocídio, não é razoável. É preciso pôr fim a isso".
As referências são às mais de 75 mil mortes por Covid-19 no país e à gestão do Ministério da Saúde, comandado interinamente pelo general Eduardo Pazzuelo.
"O que faz diferença no Ministério da Saúde é a instabilidade, é a troca permanente de ministro e a permanência de um ministro interino. Isso faz diferença porque muda equipe técnica, atrapalha a coordenação nacional, que teria que ser puxada pelo presidente da República", afirmou o governador.
"O ministro Gilmar Mendes errou ao falar a palavra 'genocídio', mas acertou na avaliação de que é preciso ter estabilidade no Ministério da Saúde e é preciso que as Forças Armadas se coloquem na posição de instituição de Estado, não de prestação de serviço a um governo"
Renato Casagrande (PSB) - Governador do Espírito Santo
A frase de Gilmar acirrou ainda mais, num primeiro momento, os ânimos entre o governo federal e o Judiciário, notadamente o STF. O Ministério da Defesa chegou a emitir uma nota de repúdio assinada também pelos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. E até a Procuradoria-Geral da República foi acionada.
O ministro do STF não retirou o que disse e recebeu uma ligação de Pazzuelo, numa tentativa de diálogo. A conversa, segundo interlocutores, foi "institucional" e "cordial", como registrou o jornal "O Estado de S. Paulo".
Na entrevista, Casagrande falou também sobre possível impeachment de Bolsonaro e sobre a politização do combate à Covid-19. Confira a entrevista na íntegra.

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