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Candidato bolsonarista derrotado ganha cargo no governo Casagrande

Secretário-geral do PSL no Espírito Santo, Amarildo Lovato foi nomeado diretor de projetos especiais na Aderes, autarquia vinculada à Secretaria de Estado de Desenvolvimento

Colatina / Rede Gazeta
Publicado em 04/05/2021 às 15h54
Aliado de Bolsonaro, Amarildo Lovato ganha cargo no governo Casagrande
Amarildo Lovato ganha cargo no governo Casagrande. Crédito: Assessoria de Comunicação e Hélio Filho/Secom-ES

O secretário-geral do PSL no Espírito Santo, Amarildo Lovato, foi nomeado, nesta terça-feira (4), para um cargo no governo Casagrande. Ele agora é diretor de projetos especiais na Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas e do Empreendedorismo (Aderes), autarquia vinculada à Secretaria de Estado de Desenvolvimento.

Lovato é defensor ferrenho de Jair Bolsonaro (sem partido). E foi atrelado à figura do presidente da República que ele disputou a Prefeitura de Vila Velha em 2020. Recebeu 3,75% dos votos válidos e ficou em quinto lugar.

Já Renato Casagrande (PSB) é crítico ao presidente. O governador, inclusive, é alvo constante de bolsonaristas.

O posto para qual Lovato foi nomeado é de livre indicação. O salário, de acordo com o Portal da Transparência, é de R$ 8,4 mil brutos. Na gestão do governador Paulo Hartung (sem partido), Amarildo Lovato já ocupou um cargo na diretoria da Aderes.

PSL NEGA INTERFERÊNCIA NA NOMEAÇÃO

Apesar de o PSL do Espírito Santo ser próximo de Casagrande, a indicação de Amarildo Lovato causou certa surpresa, em função da proximidade do secretário-geral da sigla com Bolsonaro e por ter criticado a gestão do socialista algumas vezes.

Quando Bolsonaro estava no PSL, era Amarildo Lovato quem liderava o partido no Estado. Ele foi substituído na presidência pelo deputado estadual Alexandre Quintino, em março de 2020, quando o presidente da República já tinha deixado a legenda. Bolsonaro desembarcou do PSL após um racha, no final de 2019.

Na época, a sigla ficou dividida entre uma ala bolsonarista e uma ala bivarista, mais alinhada ao presidente nacional do partido, Luciano Bivar.

Foi justamente o presidente nacional do partido que atuou na mudança nos rumos da sigla no Espírito Santo. A troca de comando foi feita em acordo com Luciano Bivar. A Amarildo Lovato foi garantido o espaço para concorrer às eleições em Vila Velha.

Amarildo Lovato ao centro, com o deputado Alexandre Quintino (à esquerda) e o vice da chapa, coronel Foresti (à direita)
Amarildo Lovato ao centro, com o deputado Alexandre Quintino (à esquerda) e o vice nas eleições 2020, coronel Foresti (à direita). Crédito: Divulgação / PSL Vila Velha

Com a troca de Lovato por Quintino, o PSL mudou de rota no Espírito Santo. Diferentemente de seu antecessor, o deputado estadual mostrou-se menos alinhado à figura de Bolsonaro e é um aliado de primeira hora do governador Renato Casagrande, mantendo diálogo com siglas de centro-esquerda.

Apesar dessa boa relação entre o PSL capixaba e o governo Casagrande, Quintino negou que o partido tenha indicado Lovato para o cargo na Aderes. O dirigente destacou que tinha conhecimento da possibilidade de nomeação, mas não sabia a data nem o cargo que Amarildo ocuparia.

O deputado estadual acredita ainda que a proximidade entre Lovato e o governo Bolsonaro não vai representar um desconforto, já que o correligionário teria capacidade técnica para a função.

"SOU LIGADO AO BOLSONARO. VOU CONTINUAR LIGADO"

Na última administração de Paulo Hartung, Amarildo Lovato exerceu o cargo de diretor-técnico da Aderes. Além disso, ocupou funções no setor administrativo do Sebrae e de diretor-geral do Ipem-ES, órgão do Inmetro no plano estadual. Ocupou também o cargo de coordenador de fiscalização urbanística de Vila Velha durante o governo de Rodney Miranda (DEM).

O bolsonarista é um dos principais defensores do presidente no Espírito Santo e usou bastante a imagem do chefe do Executico em sua tentativa de chega ao comando de Vila Velha. 

Candidato 2020
Amarildo Lovato no lançamento da candidatura à Prefeitura de Vila Velha. Crédito: Divulgação/Assessoria

Procurado pela reportagem de A Gazeta, Amarildo Lovato reforçou que o movimento não teve articulação do PSL e afirmou que foi um convite do governo em função do seu histórico na autarquia. Segundo ele, a escolha para o cargo foi uma "decisão técnica". 

Ele afirmou que, mesmo ocupando uma função no governo do Estado, não vê problema em ser defensor de Bolsonaro: "Sou ligado ao Bolsonaro, vou continuar ligado. Mas vou trabalhar de maneira técnica independente de política. O governo é do povo".

GOVERNO DIZ QUE NOMEADO TEM CAPACIDADE TÉCNICA

Questionado sobre as qualificações de Amarildo Lovato para ocupar o posto ao qual foi recém-nomeado, o governo do Estado listou, em nota enviada à reportagem, outras funções desempenhadas por ele anteriormente e concluiu que "possui qualificação técnica". 

"Visto que o senhor Amarildo é empresário, além de ter sido presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Espírito Santo (Faciapes), diretor administrativo e financeiro do Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas do Espírito Santo (Sebrae-ES), com uma extensa participação no associativismo, ele possui qualificação técnica para o cargo", diz a nota.

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