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Câmara e Senado

Bolsonaro ganha fôlego, mas quem sai fortalecido é o Centrão

Vitória dos candidatos apoiados pelo governo federal  na Câmara e no Senado foi resultado de negociações envolvendo emendas e cargos, mas apoio do grupo liderado por Arhur Lira (PP-AL) é volátil

Publicado em 04 de Fevereiro de 2021 às 02:00

Ana Clara Morais

Publicado em 

04 fev 2021 às 02:00
Ministro general Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, presidente da Câmara, Arthur Lira, presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e presidente da República, Jair Bolsonaro
Ministro general Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo; presidente da Câmara, Arthur Lira; presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e presidente da República, Jair Bolsonaro Crédito: Marcos Correa/PR
eleição do deputado Arthur Lira (PP-AL) e do senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) para presidir a Câmara dos Deputados e o Senado representou uma conquista do governo de Jair Bolsonaro (sem partido), mas uma vitória ainda maior para o Centrão, grupo suprapartidário liderado por Lira e que é conhecido por negociar apoio ao Executivo em troca de cargos e emendas.
governo apostou alto e liberou verbas para parlamentares às vésperas do pleito, negociou vagas e sinalizou recriar ministérios, tudo para aplacar o apetite do grupo de Lira e garantir os votos necessários para emplacá-lo. O esforço, no entanto, pode não ser o suficiente. O Centrão é conhecido por seu apoio volátil, que pode mudar de direção a depender de interesses políticos frente ao eleitorado ou de vantagens mais promissoras.
Com Lira e Pacheco no comando das Casas, portanto, Bolsonaro consegue espaço para respirar e se blindar dos 64 pedidos de impeachment e solicitações de criação de comissões para investigação de atos do governo, mas também se vê "mais refém do que nunca" das vontades do grupo que, durante a campanha eleitoral, tanto criticou. É o que apontam cientistas políticos entrevistados por A Gazeta.
A atuação de Bolsonaro na campanha eleitoral dos aliados demonstra, para o cientista político Paulo Edgar Resende, uma ação "desesperada por proteção". O especialista ressalta que, além dos pedidos de impedimento, também tramitam no Congresso pedidos de CPIs para investigar a atuação do governo na pandemia de Covid-19, gastos do Executivo e até ações contra seus filhos e uma base aliada radical ligada à rede de divulgação de desinformação.
"O que acontece é que é uma vitória, mas é uma vitória que tem seu preço. E, se o presidente não entregar o que prometeu, o Centrão não tem fidelidade nenhuma. Não está ligado a valores democráticos, é pragmático e está pensando em cargos, recursos, política miúda que tem que se conviver", explica o cientista político e professor da Mackenzie Rodrigo Prando.
Também cientista político e professor do Insper, Leandro Consentino complementa:
"Ele (Bolsonaro) fica refém de um Centrão que se tornou ainda mais poderoso. Não é o presidente que domina o Centrão, mas o oposto"
Leandro Consentino - Cientista político e professor do Insper
Com um aliado na presidência da Câmara, o presidente também perde a oportunidade de culpar alguém pela demora na aprovação de pautas que são de interesse do governo, como fazia com Rodrigo Maia (DEM-RJ), embora o demista seja mais entusiasta de reformas na área econômica do que o próprio Bolsonaro.
Tramitam no Congresso a reforma administrativa e a tributária. Mesmo com Lira no comando, no entanto, o processo para aprovação não fica "magicamente mais rápido", como aponta o doutor em ciência política Humberto Dantas.
"As reformas não dependem só dos presidentes e de quem eles querem agradar. O que eu tenho para mim é que vai demorar mais do que as pessoas estão imaginando para começar a tomada de decisão. A gente não tem orçamento. O governo não tem prioridades claras e absolutas, as comissões não estão definidas. O ritmo não é o que o mercado quer, não é o ritmo do que as pessoas sonham", assinala.
O resultado dos votos, entretanto, já apazigua ânimos da base conservadora que apoia o presidente. Isso porque, com Lira e Pacheco, as pautas de costumes podem ser turbinadas e votadas em momento oportuno. A bancada da bala também se anima. O presidente tem uma agenda de ampliar o acesso da população a armas.

NA CAMPANHA, CENTRÃO ERA "NATA DE TUDO QUE NÃO PRESTA"

Uma das principais conclusões que podem ser tiradas da eleição das Mesas do Congresso é a contradição no discurso do próprio presidente, aponta Humberto Dantas. Durante a campanha eleitoral, o mandatário fez duras críticas ao grupo do Centrão e a prática que chamou de "velha política" e "toma lá dá cá". 
"Essa eleição significou para Bolsonaro uma traição ao próprio discurso. Mostrou que não é avesso ao toma lá dá cá, antes é agente central da política brasileira com todas as suas características"
Humberto Dantas - Doutor em Ciência Política pela USP
Em 2018, durante a campanha, o então candidato à Presidência da República disse que o Centrão era "a alta nata de tudo que não presta no Brasil". Bolsonaro mesmo passou uma parte de sua carreira política no PP, sigla de Lira, e também já esteve no PTB de Roberto Jefferson.
O Centrão é famoso por protagonizar troca de favores para garantir governabilidade ao presidente da ocasião, mas mesmo assim muda de lado, como ocorreu no impeachment de Dilma Rousseff (PT). 
Integrantes do grupo também figuram em casos de corrupção. O novo presidente da Câmara dos Deputados, por exemplo, é réu por corrupção em duas ações no Supremo Tribunal Federal (STF).
festa de comemoração do progressista, que reuniu cerca de 300 pessoas em meio à pandemia, deu sinais de "novos velhos tempos". O evento contou com a presença, por exemplo, de Cristiane Brasil, filha do mensaleiro Roberto Jefferson. Cristiane, há poucos meses, estava presa. Ela foi acusada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro de desviar recursos da prefeitura carioca quando era secretária.

RESULTADO ESCANCAROU DESPRAPARO DA OPOSIÇÃO

Outro ponto que pode ser ressaltado do resultado da eleição, em Brasília, é a "bagunça partidária" na qual se encontra a oposição. Com o desmonte da candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP) que, às vésperas do pleito, perdeu o apoio do DEM, partido de Rodrigo Maia, que articulou a candidatura do emedebista, ficou claro, segundo Consentino, que os desentendimentos da oposição podem atrapalhar os planos para a formação de uma "frente ampla" para enfrentar Bolsonaro nas urnas em 2022.
"A situação mostra que a posição está completamente desarticulada e que, se quiser derrotar Bolsonaro em uma frente ampla, ela precisa colocar 'sebo nas canelas' e aglutinar forças, ter projeto comum e lideranças fortes. Projeto comum e liderança forte é tudo que a oposição não tem", afirma.

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