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Publicado em 30 de março de 2022 às 18:00
Após dois anos sem a possibilidade de conceder aumento de salário para os servidores por conta da Lei da Pandemia, 29 prefeituras do Espírito Santo não podem dar reajuste neste ano, que é de eleição, e terão que passar mais um ano segurando os gastos com pessoal. >
Segundo projeção feita pelo Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCES), essas cidades não têm margem financeira para conceder reajustes em 2022. O Tribunal de Justiça do Estado (TJES) está na mesma situação, de acordo com o estudo. >
Segundo o TCES, foi considerada a projeção do crescimento das receitas dessas prefeituras (quanto elas devem receber ao longo do ano) e a projeção das despesas com pessoal (quanto vão gastar pagando os servidores). >
No caso das 29 prefeituras, só o crescimento normal da folha de pagamento previsto para 2022 (sem considerar possíveis aumentos e reajustes) já fará com que elas atinjam o limite de alerta da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que é de 48,6%. Essa lei diz que o dinheiro usado para pagar os servidores não pode representar mais de 54% do valor que o município recebe. >
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Outras oito prefeituras possuem uma margem pequena, menor que 5%, para conceder reajustes. Na Grande Vitória, a Serra é um deles.
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O mesmo vale para os diversos Poderes. No caso do TJES, o limite da LRF é de 6%, sendo que gastos acima de 5,4% já o colocam no nível de alerta. Segundo a corte de contas, para 2022 está projetado que esse índice chegará em 5,6% mesmo que não seja concedido nenhum reajuste. >
"Na administração pública, há hoje uma combinação explosiva composta de variáveis como: congelamento parcial de salários durante a pandemia; inflação, que cria ambiente para pressões por aumento de salários; e projeções que apontam ausência de margem fiscal. Nossos números dão conta da necessidade de prudência absoluta na concessão de aumentos,", alertou o presidente do TCES, Rodrigo Chamoun.>
O coordenador do Núcleo de Avaliações de Tendências e Riscos do TCES, Robert Detoni, aponta que no ano passado, o segundo de pandemia, houve um crescimento grande nas receitas estaduais e dos municípios. Contudo, isso não é mais esperado para 2022. >
“Este ano não é mais considerado ano de recuperação, e pra piorar veio um conflito que deixou as coisas indefinidas. Por isso é mais prudente para os municípios adotarem uma cenário mais pessimista”, diz. >
O cenário pessimista a que ele se refere é a perspectiva de crescimento de receitas de 0,36% projetado pelo mercado e divulgado pelo boletim Focus, do Banco Central. Esse foi o percentual utilizado no estudo e é considerado o mais próximo da realidade. >
Embora o Tribunal de Contas tenha apontado nesta quarta-feira a falta de limite fiscal de alguns municípios para conceder reajustes neste ano, algumas cidades já fizeram esse movimento. É o caso de Guarapari, que deu em fevereiro aumento de 10,16% aos servidores ativos e pensionistas. >
Os servidores do Judiciário, também em fevereiro, tiveram aprovado o aumento de 6%. De acordo com o TCES, também não havia margem fiscal para a concessão. >
A Gazeta procurou tanto a prefeitura de Guarapari quanto o TJES, mas ainda não obteve retorno. Esse conteúdo pode ser atualizado caso haja resposta. >
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