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Professora que matou grávida é condenada a 13 anos de prisão no ES

Em dezembro de 2016, motivada por ciúmes do marido, Samantha Novais da Silva entrou no apartamento da esteticista Gleice Kele dos Santos Nicolau, na Praia da Costa, e a assassinou a facadas. A vítima estava grávida e o bebê também morreu

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 05/04/2021 às 15h30
Atualizado em 05/04/2021 às 15h30
Vila Velha
Samantha (com o rosto coberto) confessou ter matado a esteticista e se entregou a polícia três dias após esfaquear Gleice, no início de dezembro de 2016. Crédito: Edson Chagas - 05/12/2016

Após pouco mais de quatro anos, a Justiça condenou a professora Samantha Novais da Silva a 13 anos e sete dias de prisão em regime fechado pela morte da esteticista Gleice Kele dos Santos Nicolau. A vítima, que na época tinha 29 anos e estava grávida, foi assassinada a facadas no próprio apartamento localizado na Avenida Hugo Musso, na Praia da Costa, em Vila Velha, no dia 2 de dezembro de 2016. O bebê também morreu. A educadora foi a juri popular em audiência realizada no 15 de março deste ano e a sentença foi proferida pelo juiz Douglas Demoner Figueiredo.

De acordo com a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), Samantha está presa no Centro Prisional de Cariacica desde o dia 5 de dezembro de 2016, para onde foi levada três dias após esfaquear a esteticista. Na ocasião, ela se apresentou ao delegado Janderson Lube, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM), mudou a versão que havia dado antes e admitiu ter esfaqueado Gleice. Na data do crime, a professora havia se apresentado à polícia, mas como não existia um mandado de prisão, acabou liberada. O documento pedindo a prisão da suspeita foi expedido no dia seguinte.

"ARREPENDIDA"

A advogada de Samantha, Terezinha Sant'ana de Castro, explicou à reportagem de A Gazeta que a professora compreende a sentença contra ela e mostra-se "profundamente arrependida" pelo crime cometido.

"Ela é mãe de três filhos, uma mulher trabalhadora, mas que agiu motivada por ciúmes. Em um impulso por estar sob violenta condição emocional, ela acabou fazendo o que fez e demonstra bastante arrependimento desde então. Conversei com ela após o júri e ela está ciente da pena recebida", pontuou Terezinha.

Vila velha
Gleice estava grávida e foi morta com muitas facadas no próprio apartamento, pela mulher do homem com quem tinha um caso. Crédito: Carlos Alberto Silva

A defesa ainda conversará com a família da condenada para decidirem se recorrerão da sentença. Para a advogada, a pena de 13 anos e 7 dias é exagerada, já que na visão dela o aborto foi uma consequência do homicídio privilegiado, conforme foi condenada.

LESÃO CORPORAL

Antes do crime no dia 2 de dezembro, Samantha e Gleice haviam se encontrado em um shopping da cidade. No caminho até lá, elas foram abordadas por um homem, que se passou por assaltante. A pessoa em questão era Lucas Lanzelotti de Lima Santos. De acordo com as investigações do delegado na época, este assalto teria sido planejado pela professora, já premeditando o que faria com a esteticista. Pela ação, Lucas receberia uma quantia a ser paga pela condenada.

Lucas foi condenado no processo a 3 meses e 12 dias de detenção a serem cumpridos em regime aberto, mas na própria sentença o juiz do caso já havia deixado claro que o réu ficou preso pelo período determinado enquanto na prisão preventiva, desta forma extinguindo a punibilidade do mesmo.

MOTIVAÇÃO: CIÚMES

Samantha era casada e tinha ciúmes da relação extraconjugal do marido com a esteticista. Em depoimento dado à polícia, ela conta que foi até o prédio de Gleice no dia do crime com o objetivo apenas de conversar. A professora conta que teria entrado após aproveitar a saída de um morador do condomínio e quando chegou à porta do apartamento, Gleice estaria limpando o corredor. Na versão da acusada, ao vê-la, a vítima teria entrado no apartamento e trancado a porta. Samantha disse ter afirmado que só queria conversar com esteticista, que teria aberto a porta com uma faca, apontando para ela.

“A Samantha afirma que foi à casa de Gleice para conversar sobre o triângulo amoroso entre ela, o marido e a vítima. Gleice teria apontado a faca e as duas discutiram, entrando em luta corporal”, contou o delegado Janderson Lube na época. Na confusão, segundo a professora, ela teria acertado uma facada primeiro no braço esquerdo de Gleice e depois na lateral da barriga. O restante dos golpes – no pescoço e no abdômen – a acusada diz não se lembrar.

A versão, entretanto, foi contestada pelo delegado, inclusive desacreditando em legítima defesa como alegado durante o depoimento. "Conversei com o médico legista e tudo indica que a Gleice não teve chances de defesa. O crime teria sido premeditado pela Samantha”, disse Lube.

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