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Polícia investiga mensagens trocadas por casal suspeito de matar filho no ES

Pai da criança enviou mensagem para a esposa dizendo que os dois precisavam conversar sobre os detalhes do relato dela à polícia em relação à morte do filho

Tempo de leitura: 4min
Vitória
Publicado em 06/07/2022 às 20h39
Atualizado em 07/07/2022 às 17h11
Maycon Milagre da Cruz, de 35 anos, o menino Jorge Teixeira da Silva, de 2 anos, e Jeorgia Karolina Teixeira da Silva, de 31 anos
Maycon Milagre da Cruz, de 35 anos, o menino Jorge Teixeira da Silva, de 2 anos, e Jeorgia Karolina Teixeira da Silva, de 31 anos. Crédito: Reprodução / Fabrício Christ 

Uma troca de mensagens entre os pais de Jorge Teixeira da Silva, de 2 anos, que morreu após – segundo laudo pericial – ser torturado e violentado em Vila Velha, chamou a atenção da polícia. Eles conversaram logo após a médica do hospital onde o garoto estava internado alertar a mãe sobre os sinais de abuso sexual encontrados na criança.

"Assim que a mãe toma ciência pela médica, lá no Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernadino Alves (Himaba), com a criança viva, de que supostamente o menino teria sido vítima de um estupro, ela vai à delegacia e faz um boletim de ocorrência, retornando ao hospital", contou o delegado Alan Moreno de Andrade, adjunto da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vila Velha.

De acordo com ele, no Boletim de Ocorrência a mãe apenas relatou que havia sido informada pela médica sobre a possibilidade de um abuso.

A gerente Jeorgia Karolina Teixeira da Silva, de 31 anos, entrou em contato com o pai da criança, o porteiro Maycon Milagre da Cruz, de 35 anos. "Ela diz assim: 'O nosso filho foi vítima de um estupro'. O pai responde: 'Estupro, mas por quê?', e ela diz que a médica estava falando que ela precisava ir até a delegacia fazer um boletim. O pai fala que isso é normal, que todo hospital faz isso, e para a mulher ficar tranquila", detalhou o delegado.

Segundo o delegado, após confeccionar o boletim, quando a criança ainda estava viva no hospital, Maycon mandou uma mensagem no WhatsApp para a mulher. "Ele fala a seguinte frase: 'Depois nós temos que sentar e conversar sobre o boletim, pode ser que tenhamos passado alguma coisa despercebida'. Quero deixar claro que temos que entender o que foi dito antes e após essa mensagem, para fazer uma contextualização, mas causa estranheza à polícia", disse Alan.

ENTENDA O CASO

Na última segunda-feira (4), o casal levou o filho ao Pronto Atendimento da Glória alegando que a criança estava com pneumonia. Devido à gravidade do quadro, foi necessário transferir Jorge para o Himaba. Após a morte do menino na unidade hospitalar, os policiais receberam a informação de que a criança estava com sinais de violência física e sexual.

O médico legista detectou lesões circulares na face, no dorso, no braço esquerdo e em parte da coxa esquerda, que podem ter sido provocadas por cigarro.

Contrariando a vontade do casal e seguindo os procedimentos de praxe, a Polícia Civil realizou todos os procedimentos periciais e investigativos. Foi constatado que a morte da criança não teria acontecido em decorrência de uma pneumonia, como preliminarmente afirmado, ou de qualquer outra doença respiratória, mas sim por um instrumento contundente inserido no ânus que causou lesões que romperam seu intestino.

FRALDAS COM SANGUE

Em buscas na casa da família, a polícia encontrou fraldas e papéis higiênicos cheios de sangue. "Esse material vai ser analisado posteriormente para ser comparado ao sangue da vítima e ver se realmente pertence a ele", explicou o delegado.

O casal nega as acusações. Em depoimento, eles disseram que não sabiam como as lesões do filho haviam acontecido. "Eles negam veementemente que tenham praticado as lesões. Afirmam que no domingo à noite a criança dormiu com um pequeno machucado na virilha, e no outro dia acordou da forma que acordou. As investigações vão continuar. Não podemos descartar participação de outras pessoas. Quem vai dizer para nós o que aconteceu naquele quarto, de domingo para segunda-feira, são os dois pais presos. Só que eles não falam. Porque só eles estavam na residência", ressaltou o delegado.

FILHO MAIS NOVO TAMBÉM ESTÁ INTERNADO

Ainda de acordo com as investigações, outro filho do casal, uma criança de nove meses, deu entrada no Himaba logo após a morte do irmão, com suspeita de pneumonia. Ele foi levado à unidade por uma tia. Segundo o delegado, não há sinais de agressão no bebê.

O QUE DIZ A DEFESA

Um dia após a prisão dos pais de Jorge Teixeira da Silva, principais suspeitos do crime, a defesa de Jeorgia Teixeira da Silva se pronunciou sobre o caso, afirmando que ela "não tem nenhum envolvimento com a morte do filho".

Em nota enviada nesta quinta-feira (7), a defesa considerou que houve "erro na conclusão das investigações, que foram conduzidas de forma açodada e irresponsável".

Em contato com a reportagem de A Gazeta, os advogados Carlos Bermudes e Lucas Kaiser informaram que estão defendendo apenas a mãe da criança, sem envolvimento com a defesa de Maycon Milagre da Cruz.

Segundo a nota, a mãe está interessada em saber o que aconteceu com a criança. "A Jeorgia não pode ser julgada e muito menos condenada, antes que todo o processo seja concluído. Os equívocos encontrados serão esclarecidos e temos plena convicção de que iremos provar a inocência dela quanto a morte da criança."

A reportagem de A Gazeta não localizou o responsável pela defesa de Maycon, mas reforça que este espaço está aberto, caso a parte queira se manifestar sobre o assunto.

Atualização

7 de Julho de 2022 às 17:10

Após a publicação desta matéria, a defesa de Jeorgia enviou uma nota sobre o caso, afirmando que a mãe da criança é inocente. O texto foi atualizado.

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