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Polícia investiga ataques racistas durante jogo de futebol no ES

Um boletim de ocorrência foi registrado no último domingo (29) em Venda Nova do Imigrante. Partida aconteceu em Marechal Floriano, entre dois clubes amadores

Tempo de leitura: 3min
Vitória
Publicado em 01/06/2022 às 18h45

Por meio de um boletim de ocorrência registrado no último domingo (29), uma torcedora foi acusada de ataques racistas durante uma partida de futebol amador em Marechal Floriano, na Região Serrana do Espírito Santo. Segundo relato das vítimas, a mulher teria usado as seguintes palavras: "macaco, malandro, maconheira e urubu". A Polícia Civil informou à reportagem de A Gazeta que uma suspeita foi autuada em flagrante por injúria racial, e liberada para responder em liberdade após o pagamento de fiança.

O caso aconteceu durante um jogo da segundo divisão do campeonato intermunicipal. A equipe do Florianense, time da casa, recebeu o Clube Cruzeiro de Ponto Alto para uma partida válida pelo campeonato. Durante a disputa, foram ouvidos ataques racistas de torcedores do time visitante.

Futebol, esporte, soccer
Caso de racismo aconteceu durante partida do Intermunicipal, em Marechal Floriano. Crédito: Pixabay

Em conversa com a reportagem de A Gazeta, a auxiliar de cozinha Fernanda Rodrigues explicou que os gritos foram ouvidos ao longo dos 90 minutos e que a partida não foi paralisada. A torcida do Florianense, segundo ela, teria esperado o fim do jogo para tirar satisfação com a autora dos ataques.

"Ouvimos durante o jogo inteiro, mas esperamos o fim do jogo para tirar satisfação. Algumas pessoas estavam dizendo que não fizeram aquilo, mas o pessoal provou que uma delas fez aquilo. Ouvimos ela chamando o time e a torcida de macaco e urubu. Elas não sabem torcer. E estamos revoltados porque não é a primeira vez", relata.

Os gritos, conforme explicado à reportagem e relatado em boletim de ocorrência, foram direcionados aos torcedores do Florianense e aos atletas. "Macaco, malandro, urubu e maconheiras" foram as palavras ouvidas e relatadas à polícia, segundo a ocorrência.

A dona de casa Alessandra Silva, que também esteve na partida e ouviu os gritos, testemunhou contra a suspeita.

Alessandra Silva

Dona de casa

"Essa não foi a primeira vez que isso aconteceu. A mulher parecia estar com raiva, ela olhava diretamente para mim e me xingava de urubu. Ficamos muito revoltadas e nervosas"

O boletim de ocorrência foi registrado momentos depois do jogo. Nas redes sociais, a equipe da casa, que teve seus atletas e torcedores atacados, publicou uma nota repudiando o ato de racismo, afirmando esperar que as providências sejam tomadas.

Segundo a organização do time, um protesto antirracista está sendo preparado para a próxima partida da equipe no Intermunicipal.

Procurada pela reportagem de A Gazeta, a Polícia Civil informou que a suspeita, de 51 anos, conduzida à Delegacia de Venda Nova do Imigrante, foi autuada em flagrante por injúria racial. A mulher, que não teve o nome divulgado, foi liberada para responder em liberdade após pagar fiança — o valor não foi informado.

O procedimento do flagrante foi encaminhado para a Delegacia de Polícia de Marechal Floriano e, segundo a corporação, dentro de 30 dias o inquérito policial será concluído e enviado à Justiça.

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