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Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 13:58
Foi em uma clínica psiquiátrica no bairro Joana D’Arc, em Vitória, que a Polícia Civil localizou e prendeu Thiago Gonçalves Sttofel, de 26 anos, suspeito de matar o namorado, o cuidador de idosos Gabriel Costa de Castro, de 35. O crime ocorreu no dia 28 de dezembro, no apartamento da vítima, no bairro Ourimar, na Serra. Segundo a Polícia Civil, o indivíduo se internou no local horas após o assassinato, e a prisão ocorreu no dia seguinte.>
O delegado-adjunto da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, Paulo Ricardo Gomes, explicou que as investigações apontaram que, no dia 26 de dezembro, Thiago discutiu com o irmão em Vila Velha, onde a família reside, e foi agredido durante a briga. Após o desentendimento, ele procurou abrigo no apartamento de Gabriel. >
Foi apurado que Gabriel recebeu o namorado em casa e prestou toda a assistência necessária. Em razão da briga, Thiago ficou com um hematoma no olho. A atenção da vítima com o suspeito, conforme o delegado, confirma relatos de testemunhas que o descrevem como uma pessoa afetiva, caridosa e cuidadosa.>
No dia 27 de dezembro, Gabriel saiu para cuidar de uma idosa, enquanto Thiago permaneceu no apartamento. As imagens das câmeras de segurança tornaram-se fundamentais a partir da noite anterior ao crime e da madrugada do assassinato, pois registram os últimos momentos do cuidador de idosos ao lado do namorado. Por volta das 2h da manhã do dia 28, os dois aparecem chegando ao condomínio em situação aparentemente normal, ambos com bebidas alcoólicas nas mãos.>
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O delegado destacou que familiares relataram que Thiago tinha dependência química desde a adolescência, com uso de maconha e cocaína. Uma testemunha do convívio de Gabriel afirmou que ele já havia comentado sobre o uso contínuo de drogas por parte do namorado, especialmente durante os fins de semana.>
Delegado Paulo Ricardo Gomes
Adjunto da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da SerraAs imagens das câmeras de segurança mostram Thiago deixando o condomínio por volta das 4h da madrugada e retornando cerca de 20 minutos depois. Já às 9h, ele é novamente flagrado saindo do local. Nesse momento, Gabriel já estava morto dentro do apartamento.>
Por volta das 8h, vizinhos relataram ter ouvido pedidos de socorro. O síndico foi acionado e, em seguida, comunicou a Polícia Militar. Nesse intervalo, Thiago saiu do imóvel e deixou pegadas de sangue na área externa do apartamento.>
“Antes de sair, ainda dentro do apartamento, ele, com o celular da vítima, liga para um familiar e fala que teria feito ‘merda’. Não entra em detalhes, mas diz que precisa de ajuda”, explicou o delegado. >
Thiago combinou com o familiar um local de encontro. Ao encontrá-lo, o parente percebeu que ele estava transtornado, com discurso desconexo, e o orientou a procurar atendimento em uma clínica em Vitória. “Essa internação não partiu do suspeito, mas desse familiar, que percebeu uma situação de transtorno e também de uso de entorpecentes. Ele é internado no próprio domingo (28), duas horas após o crime”, disse o delegado Paulo Ricardo.>
Com a comunicação do assassinato, a Polícia Civil passou a coletar informações, obteve imagens do condomínio e reuniu vestígios encontrados no local do crime. As buscas pelo suspeito começaram em endereços cadastrados e junto a familiares, até que os investigadores conseguiram contato com uma testemunha que informou sobre a internação dele na clínica.>
A equipe foi ao local, conversou com os responsáveis, explicou a situação e buscou informações sobre o estado de Thiago, incluindo a condição de internação e eventual previsão de alta. Após avaliação, o médico psiquiatra constatou que o suspeito estava lúcido e orientado. Ele foi preso após receber alta médica.>
Em depoimento, Thiago afirmou que o crime ocorreu em um momento de fúria e que acreditava que Gabriel estaria incorporado por uma entidade. O cuidador foi esfaqueado nas costas, no abdômen e no tórax. "Ele disse que o Gabriel estaria em uma situação de incorporado a uma entidade, por isso ele pegou a faca que estava na mochila dele e acabou esfaqueando ele", comentou o delegado. >
O suspeito declarou ainda que a faca utilizada no crime não estava na casa da vítima, afirmando que objeto já estava em sua mochila desde a sexta-feira, quando saiu de Vila Velha em direção à Serra. “O que trouxe para a gente uma possível premeditação em relação à prática do crime”, destacou o delegado-adjunto da DHPP da Serra.>
Conforme o delegado Paulo Ricardo, o suspeito possui um histórico de agressões, principalmente relacionadas à violência doméstica. Registros policiais indicam que esse comportamento começou a aparecer em 2017, quando ele foi acusado de agredir a própria mãe. Posteriormente, em 2023, Thiago voltou a aparecer em registros policiais, desta vez por agressões contra uma companheira.>
Uma testemunha do convívio com Gabriel relatou o histórico do relacionamento do casal, que durou cerca de dois anos. Segundo esse relato, a vítima já havia mencionado comportamentos agressivos e possessivos por parte de Thiago, descrito como extremamente ciumento. Gabriel, inclusive, teria tentado encerrar o relacionamento em algumas ocasiões, mas acabava retomando a convivência.>
Os advogados Hugo Weyn e Rodrigo Costa, que fazem a defesa de Thiago, informaram, por meio de nota, que a prisão do suspeito é ilegal, tendo em vista que se encontrava internado e que a Policia Civil requereu a alta do paciente.
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“Levando ele logo em seguida para delegacia para prestar depoimento, fato que o acusado prestou depoimento sem a observância do direto ao silêncio e consulta ao seu advogado., isso estando supostamente em surto”, disse a defesa.>
Ainda conforme os advogados, Thiago tem histórico de tratamento de saúde mental desde criança e no presídio tem fala desconexa, sem discernimento do que é real. A defesa vai pedir a liberdade ou internação do cliente para tratamento psiquiátrico.>
Nota defesa de Thiago Gonçalves Sttofel
"A defesa alega que a prisão do acusado é ilegal, tendo em vista que ele estava internado e assim, a Policia Civil foi na clínica, requerendo a alta do paciente e levando ele logo em seguida para delegacia para prestar depoimento, fato que o acusado prestou depoimento sem a observância do direto ao silêncio e consulta ao seu advogado., isso estando supostamente em surto.
O acusado tem um vasto histórico de tratamento de saúde mental desde criança, o que vai ser questionado se ele tinha real conhecimento da realidade no momento que ocorreu os fatos.
No presídio, o acusado tem fala desconexa, sem discernimento do que é real. A defesa diz, ainda, que vai aguardar a conclusão do inquérito para requerer o que é de direito. Vamos pedir a liberdade ou internação do cliente para tratamento psiquiátrico."
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