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Investigação

Médico é indiciado por morte de bebê durante consulta em Vila Velha

Polícia Civil concluiu que houve imprudência e negligência no atendimento; profissional deverá responder por homicídio culposo.
Nayra Loureiro

Publicado em 

26 nov 2025 às 18:31

Publicado em 26 de Novembro de 2025 às 18:31

O pediatra Adoris Loureiro Lopes, responsável pelo atendimento que resultou na morte de um bebê de 35 dias no dia 21 de julho deste ano, no Centro de Vila Velha, foi indiciado por homicídio culposo. A Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) concluiu que ele agiu com imprudência ao manipular o recém-nascido e, depois, negligenciou o socorro. Os detalhes da investigação foram divulgados nesta quarta-feira (26).
Segundo o adjunto da DPCA, Glalber Queiroz, os pais levaram o bebê de Aracruz até uma clínica para investigar uma suspeita de refluxo, mas a criança estava saudável. Durante a consulta, conforme apontou as investigações, o bebê começou a chorar e o médico recomendou que a mãe o amamentasse.
“Logo após isso, o médico foi tirar a roupa do bebê e viu que ele havia defecado. Então, por conta própria, levou o bebê até a pia, que existe dentro do consultório, para limpar as fezes. E nesse momento, o médico teria manipulado o bebê de forma indevida, que levou a broncoaspirar o próprio leite materno que tinha acabado de digerir. Ou seja, ele foi colocado numa posição de barriga para baixo, com a cabeça para baixo, ele vomitou, e broncoaspirou o próprio vômito”, explicou o delegado.
Após o procedimento, o bebê teria ficado em silêncio e roxo. O delegado afirma que o médico iniciou manobras de reanimação e acionou o Samu/192. No entanto, quando a equipe chegou, ele saiu da sala sem repassar informações. “Ele deixou de prestar o atendimento à vítima para atender outros pacientes que já estavam no consultório. Há relatos dos atendentes do Samu que, inclusive, nem viram esse médico lá na clínica”, relatou Queiroz.
Com base nisso, a Polícia Civil concluiu que Adoris contribuiu diretamente para a morte do bebê por manipular de forma indevida um paciente com sintomas de refluxo e agido com negligência ao não acompanhar e colaborar com o trabalho das equipes de socorro.
A polícia apreendeu as câmeras de segurança da clínica, mas o DVR (Gravador de Vídeo Digital) era antigo e as gravações não puderam ser extraídas. “O laudo indica que não existem essas imagens. Não dá para dizer se foi apagado ou se estava com defeito”, salientou o delegado.
Em depoimento, o médico alegou ser muito experiente e que, ao longo de sua carreira, nunca havia ocorrido um incidente semelhante. Ele justificou que sempre atuou daquela forma e negou ter havido falha de sua parte, classificando a morte do bebê como um acidente.
O médico colaborou com a polícia, e não houve pedido de prisão durante as investigações. Adoris Loureiro Lopes segue em liberdade. Segundo o delegado, o Ministério Público recebeu o relatório da polícia e ofereceu denúncia contra o médico por homicídio culposo. “E agora a gente aguarda que a Justiça receba a denúncia e o médico, de fato, seja processado, julgado e condenado por homicídio culposo”, finalizou o delegado.
Procurada pela reportagem, a defesa do médico, representada pelos escritórios dos advogados David Metzker, Mário de Oliveira Filho e Rodrigo Faucz, afirma que “o atendimento prestado observou integralmente os preceitos médicos aplicáveis" e que "mantém plena confiança no Judiciário para que os fatos sejam analisados e a situação seja esclarecida de forma definitiva”.
Médico é indiciado por morte de bebê durante consulta em Vila Velha

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