O que diz a PM
O que diz a Suzano | Nota na íntegra
A Suzano informa que mantém equipes de vigilância patrimonial que atuam no monitoramento e segurança das áreas pertencentes à companhia. Os profissionais contratados para essa atividade são treinados e orientados para adotarem sempre uma abordagem educativa e orientativa e jamais agressiva, não usam armas de fogo e tem como premissa o acionamento das autoridades policiais competentes para tratamento de qualquer conduta criminosa.
Foi o que ocorreu na noite da última terça-feira (28 de novembro), na comunidade de Nova Vista, em São Mateus, quando uma equipe de brigadistas da companhia foi impedida de atender a uma ocorrência de incêndios em área privada, pertencente à companhia, inclusive com a constatação de que uma das pessoas ateava fogo em um talhão florestal.
A região sofre com o aumento significativo de incêndios, potencializados pela onda de calor, mas com fortes indícios de ação criminosa. No período de 27 a 29 de novembro, foram ao menos 17 focos de incêndio, atingindo entre áreas de plantio e áreas de preservação ambiental.
Os profissionais da empresa foram ameaçados com arma branca e pedras, o que gerou o acionamento da força policial. Ao chegar ao local, a Polícia Civil que atendeu ao chamado juntamente com a Polícia Militar, presenciou uma tentativa de agressão contra os colaboradores da Suzano, realizando a abordagem e condução do suspeito. Já com relação à suposta agressão da guarda canina, as evidências demonstram que o cão, que tem objetivo de resguardar a integridade física do vigilante condutor, foi incitado e provocado pelo suspeito.
A companhia tem atuado de forma colaborativa com as autoridades, se colocando à disposição e oferecendo todas as informações que dispõe no tratamento dessa e de outras ocorrências similares, que colocam em risco a sociedade local.
Destaca ainda a relevância de sua presença nas regiões onde atua, assim como a importância e os direitos legalmente constituídos das comunidades tradicionais. Esse relacionamento é direcionado por sua Política de Relacionamento com Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais.
Para isso, busca manter uma relação pautada no diálogo aberto, frequente e transparente, de maneira amigável e equilibrada. Especificamente no norte do Espírito Santo e na região de Nova Vista, mantém relacionamento constante com as lideranças da associação comunitária dessa comunidade e com as comunidades quilombolas vizinhas, que também tem se mobilizado contra os incêndios criminosos na região.
O que diz a comunidade quilombola
“Iniciamos um processo de retomada de terras que historicamente são nossas. A retomada é um manifesto que fazemos na nossa luta territorial, uma luta pela reparação de nossos direitos. A empresa fala que é um território dela, quando a gente alega que é nosso.
Estamos tendo muita interferência da PM, PC e da segurança patrimonial da empresa, mas temos reconhecimento da Fundação Palmares e do Incra. Temos a nossa história nessas terras. Fazemos tudo de forma pacífica, com a plantação de banana e mandioca e também colocamos cercas.
O Antonio foi ao local após saber que estavam derrubando a cerca que colocamos. Ele foi falar para os vigilantes não quebrarem a cerca e lá tiveram um desentendimento. Ele ficou à flor da pele e levaram ele preso. Disseram que o Antonio estava colocando fogo, mas eles não tinham testemunhas.
O Antonio permanece preso no CDP de São Mateus. Tivemos a informação de que o juiz arbitrou uma fiança de R$ 2 mil. Estamos nos mobilizando para tentar juntar esse dinheiro e libertá-lo”
Natival da Conceição Aires - liderança da comissão do território quilombola do Sapê do Norte