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Publicado em 18 de outubro de 2022 às 14:41
A Justiça decidiu manter a prisão preventiva dos suspeitos de integrarem e manter uma milícia, grupo paramilitar criado com a finalidade de prática de crimes na Grande Vitória. Dentre os seis réus, há quatro policiais militares. >
A decisão da juíza Lívia Regina Savergnini Bissoli Lage saiu nesta segunda-feira (17), e está disponível no site do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES). >
"Deve-se destacar que não vislumbro a possibilidade de fixação de medidas cautelares diversas da prisão, diante da gravidade em concreto dos fatos narrados nos autos, motivo pelo qual necessária a manutenção da segregação cautelar dos acusados para assegurar a lisura dos testigos da primeira fase do procedimento do júri e para garantia da ordem pública. Isto posto, mantenho a prisão preventiva já decretada nestes autos", ponderou a magistrada.>
Cinco dos investigados foram presos em 13 de maio deste ano, em uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado no Espírito Santo (Gaeco-ES), do Ministério Público Estadual (MPES). >
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Segundo a denúncia do Ministério Público do Estado (MPES), os denunciados “integravam e mantinham organização paramilitar, milícia particular, grupo armado com finalidade de praticar qualquer dos crimes previstos no Código Penal”. >
No documento encaminhado à Justiça estadual, a que A Gazeta teve acesso, eles informam que o grupo realizava “incursões ilícitas” pelas ruas da Grande Vitória “com o propósito de cometer crimes e ilegalidades”.>
Um dos crimes praticados pelo grupo aconteceu no dia 21 de fevereiro, na praça do bairro Itararé, em Vitória. No local, Felypy Antônio Alves Chaves, o "Cambalaxo", foi assassinado ao lado da arquibancada do campo de futebol, por volta das 2h, com vários disparos de arma de fogo.>
Foram identificados como membros da milícia que atuava na Grande Vitória e agora são réus em ação penal: >
Dos seis denunciados pelo MPES, cinco foram presos na Operação “La Liga”, realizada no mês de maio. Na decisão judicial, as prisões foram convertidas para preventivas. O único a permanecer em liberdade foi o soldado Josemar Fonseca Lima, o Baiano. >
“A decretação da prisão preventiva dos acusados se mostra necessária a fim de garantir a lisura da colheita de provas em andamento, isso porque, além de 3 deles integrarem as forças de segurança pública deste Estado, é imperioso ressaltar que o grupo composto por eles (denominado “liga extraordinária”) realiza eventos de grande proporção em condomínios de alto padrão na cidade de Vila Velha, contando com a presença de convidados que compõem a cúpula das forças de segurança”, foi dito na decisão de julho deste ano, quando a Justiça aceitou a denúncia e os seis viraram réus. >
A juíza também destacou que a manutenção da prisão deles é importante para evitar possível coação a testemunhas. >
“Importante registrar, ainda, que a instrução processual contraditória cognoscitiva, a qual sequer se iniciou, contará com a oitiva de testemunhas, sendo notório o temor delas de prestarem seus depoimentos em crimes dessa natureza, motivos pelos quais, diante das peculiaridades do caso concreto, necessária a aplicação da medida drástica da segregação cautelar para assegurar a lisura dos testigos”, pontuou a juíza.>
À época, a juíza também aceitou o pedido do MPES e determinou que a Corregedoria da PM suspenda o exercício da função de policial militar do soldado Josemar. >
“Oficie-se à Corregedoria da Polícia Militar do Estado do Espírito Santo para que adote as providências cabíveis, a fim de dar cumprimento à suspensão do exercício da função do Policial Militar JOSEMAR, comunicando-se a este Juízo”, foi dito na sentença. >
Imagens do videomonitoramento flagraram o soldado em um carro, com placa fria, durante umas das incursões do grupo, segundo a investigação do MPES. A ele, segundo a decisão judicial, foi imputado o crime de associação criminosa: “Na medida em que comprovada sua presença em incursões realizadas pelo grupo denunciado através de automóveis que utilizavam a mesma 'placa fria' do Honda Civic que transportou os executores de Felypy no dia do crime”.>
Na casa de Josemar também foi apreendido material suspeito. “Em cumprimento de mandado de busca e apreensão na residência de Josemar, foram encontrados 5 rádio-comunicadores que não fazem parte da carga da PM, correspondendo ao modelo utilizado pelos demais denunciados, conforme registrado em fotografia existente no aparelho celular de Walace. Como se não bastasse, o denunciado integra grupo de WhatsApp criado por Ronniery 3 dias após o crime, denominado 'Estado Maior', com a finalidade de trocar informações implícitas acerca da necessidade de agendar encontros e conversas informais com membros da Polícia Civil desta Capital.” >
A Josemar foram impostas medidas cautelares diversas da prisão: proibição de contato com as testemunhas e familiares da vítima; proibição de ausentar-se da Comarca sem prévia autorização da Justiça; suspensão do exercício de função pública de Policial Militar.>
Um dos crimes praticados pelo grupo aconteceu no dia 21 de fevereiro, na praça do bairro Itararé, em Vitória. No local, Felypy Antônio Alves Chaves, o "Cambalaxo", foi assassinado ao lado da arquibancada do campo de futebol, por volta das 2h, com vários disparos de arma de fogo. >
Na ocasião, a Polícia Civil informou que ele tinha sido atingido por pelo menos 15 tiros. No dia seguinte, foram encontradas cápsulas de calibre 9 mm e 380 no local do crime. >
No dia, um carro com quatro ocupantes e uma moto, com dois ocupantes, chegaram a uma rua próximo à Unidade de Saúde de Itararé. Segundo o MPES, Walace pilotava a moto e com ele, na garupa, estava Glaydson. A moto foi utilizada pelos dois para bloquear o tráfego - sendo colocada, inclusive, em um cavalete -, e ali a dupla permaneceu para garantir a interdição da via. >
“O bloqueio da rua garantiu e impediu qualquer contratempo capaz de atrapalhar a execução do homicídio planejado por eles e, assim, assegurou a prática do crime”, é informado na denúncia.>
As imagens de videomonitoramento obtidas pela investigação mostram que Walace, durante o tempo em que permaneceu bloqueando a rua, empunhava uma arma de fogo. >
Os outros membros do grupo estavam em um carro, um Honda Civic. Na época, o veículo pertencia ao cabo Ronniery Vieira Peruggia, que alterou sua placa, utilizando uma fria. Ele era o condutor no dia do crime. Com ele estavam outras três pessoas: o cabo José Moreno, o cabo Welquerson e um terceiro não identificado. >
Nas imagens do videomonitoramento obtidas pela investigação é possível ver que os quatro saem do veículo e seguem para a quadra, local do homicídio. No caminho, abordam duas pessoas que, em seguida, são liberadas. Na sequência, tiros são disparados na quadra. Logo depois, seis pessoas deixam o local.>
A Polícia Militar informou que a situação segue a mesma de julho: três policiais continuam presos no quartel da corporação, enquanto Josemar permanece em liberdade, tendo que respeitar medidas cautelares. >
O advogado Carlos Antonio Tavares, que faz a defesa do cabo Ronniery Vieira Peruggia, enviou uma nota à reportagem. "Nossa defesa não apresentou esse requerimento e também não foi intimada de referida decisão, o que nos impede, por não conhecermos o requerimento formulado e a decisão proferida, de realizar qualquer manifestação sobre o assunto. Entretanto, mantemos nossa posição de que a prisão está eivada de vícios e fundamentada em possibilidades abstratas, sem qualquer ato ou fato concreto que possa corroborar com a narrativa do MP." >
"Somente de que o que temos, além do linchamento público de profissionais de conduta exemplar com centenas de elogios, decisões que nos remetem ao estado de exceção, em virtude do pré-julgamento. Enquanto os criminosos andam soltos cometendo barbáries, a polícia é encarcerada", completou. >
Caio Guerra Gurgel, que faz a defesa de Walace Luiz dos Santos Souza, informou que "a nova decisão não trouxe nenhuma fundamentação nova e está pautada em fatos que não são contemporâneos". Ele acrescentou que o cliente permanece detido e que ele nega a participação em milícia ou grupo paramilitar. “Ele é um estudante de Direito, não é policial”, relatou. Afirmou ainda que não poderia informar mais detalhes para não atrapalhar a linha defensiva.>
A Gazeta também tenta localizar as defesas dos outros réus para comentarem sobre o caso. Assim que houver retorno, este texto será atualizado. >
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