Publicado em 10 de março de 2023 às 15:59
Em seu depoimento na 134ª DP (Campos), ao qual O Globo teve acesso, Cintia Fonseca, mãe da grávida Letycia Peixoto Fonseca — morta com cinco tiros há uma semana — relatou aos policiais que enquanto esteve internada, vítima de um tiro na noite do crime, "achou muito estranho" Diogo Viola não ter ido visitá-la ou ter procurado saber de Letycia, ou do bebê, que também morreu. >
Ela contou ainda ter ouvido da acompanhante de outro paciente que um homem grande com as características de seu genro teria perguntado sobre Letycia na porta do hospital: “Já morreu? Já morreu?”. Nesta quinta-feira (9) a justiça manteve a prisão do professor.>
"Então durante o atendimento do tiro que levou, ouviu de uma acompanhante de outra paciente, que um homem grande (deu as mesmas características do Diogo) chegou na frente do hospital e perguntou: "Já morreu? Já morreu?" (...) Que na sexta, dia 03/03/2023, enquanto a família estava na rua agindo as documentações, o Diogo ficou em casa dormindo, mostrando total indiferença", disse em depoimento que O Globo teve acesso.>
A mãe, que também foi vítima dos atiradores na noite do crime, revelou sempre achar que o professor "agia com falsidade nas atitudes relacionas à gravidez" e ele não teria comprado nenhum item para o bebê. Aos policiais, ela narrou ainda que ao saber da morte do bebê Hugo, que nasceu de cesárea pouco antes da morte de Letycia, Diogo reagiu de "forma exagerada".>
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"Na sexta, dia 03/03/2023, enquanto a família estava na rua agindo as documentações, o Diogo ficou em casa dormindo, mostrando total indiferença; Diogo, quando soube do falecimento do filho Hugo, reagiu de forma exagerada, nitidamente como se fosse um teatro, gritando, berrando, mas a declarante (Cíntia) sentiu que era falsidade; que no enterro a cena se repetiu, sempre usando óculos escuros, para esconder que não havia uma lágrima sequer; perguntada se o Diogo tinha ciúmes da família, respondeu que muita, pois ele via que a Letycia era muito mimada e cuidada pelos pais e pelo irmão", contou a mãe em depoimento.>
Ainda segundo publicou O Globo, eram 18h da última quinta-feira quando uma patrulha da Polícia Militar suspeitou de um Volkswagen Voyage branco, sem placa, em alta velocidade na Rodovia RJ-238, em Campos dos Goytacazes. O cabo Gabriel dos Santos da Silva Mendes, do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRV), começou, então, a perseguir o veículo e conseguiu interceptá-lo em uma estrada de terra. >
No carro, estavam Dayson dos Santos, de 21 anos, e Fabiano Conceição da Silva, de 20. Depois de revistados, nada ilegal foi encontrado. O policial descobriu que o veículo, que está com o licenciamento atrasado desde 2019, pertence à mãe de Dayson. No fim da abordagem, o cabo ainda fotografou os jovens antes de liberá-los. Três horas depois, os dois mataram a engenheira Letycia Peixoto Fonseca, grávida de oito meses, de acordo com a Polícia Civil. Cada um teria recebido R$ 1.250 pelo crime. >
Os suspeitos Dayson e Fabiano foram abordados a apenas 11 quilômetros do local onde Letycia e a mãe dela, Cintia Pessanha Peixoto Fonseca, foram baleadas. Câmeras de segurança gravaram o crime: a engenheira foi morta com cinco tiros na Rua Simeão Schremeth, no bairro Parque Aurora, às 20h58. As duas, acompanhadas de uma outra parente, chegavam em casa de carro, com a vítima ao volante, quando dois homens numa moto se aproximaram. >
A investigação mostra que Fabiano Conceição estava na garupa e atirou. Ao ver a filha baleada, Cintia foi em direção ao atirador e acabou atingida na perna esquerda. As duas foram levadas pela família para o Hospital Ferreira Machado, mas Letycia morreu ao chegar à unidade. Hugo, filho da engenheira, nasceu com vida, mas só resistiu algumas horas.>
Professor de Química do Instituto Federal Fluminense (IFF), Diogo de Nadai está preso temporariamente desde a última terça-feira, mas nega qualquer envolvimento no crime. No pedido de prisão, a delegada Natália Patrão diz que ele foi o mandante da execução. A decisão foi baseada em depoimentos e no fato de o companheiro ter, no dia do crime, consultado na internet como apagar o histórico do celular.>
Diogo Viola teria pedido à companheira, horas antes do crime, fazer um empréstimo de R$ 16 mil para pagar dívidas de sua loja. A informação foi dada por Cintia Pessanha Peixoto Fonseca, mãe de Letycia Peixoto Fonseca, na delegacia e foi uma das informações usadas pelo Tribunal de Justiça para decretar a prisão temporária do professor. >
Diogo é apontado pelo inquérito da Polícia Civil como autor intelectual e mandante do homicídio da companheira.>
"Desde 2015, Diogo esteve com as duas mulheres. Até que Letycia/vítima engravidou. A gestação foi evoluindo até que ela chegou aos oito meses. Aproximava-se o momento da decisão. O filho estava próximo de nascer. Chegou um momento crucial de Diogo decidir o que fazer da vida dele, até que decidiu matar uma das duas e optou por matar a Letycia, eliminando seu grande problema. Não havendo mais uma das duas mulheres, o relacionamento com a outra estava solucionado. Diogo tentou apagar todo seu Iphone e Icloud, conforme histórico de pesquisa. Se ele não fosse o mandante do crime não haveria nenhum motivo para fazer isso logo após a execução", escreveu a delegada Natália Brito Patrão ao pedir a prisão temporária do professor.>
* Com informações do O Globo>
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