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Crimes em 1994

Homem condenado a 46 anos de prisão por duplo homicídio no ES é preso em Goiás

Jonas Mantovani, de 59 anos, fugiu da prisão nos anos 2000 e vivia com identidade falsa em Goiânia, onde acreditava que 'jamais seria punido', informou a polícia

Publicado em 22 de Abril de 2025 às 18:45

Wilson Rodrigues

Publicado em 

22 abr 2025 às 18:45
Jonas Montovani, de 59 anos, foi encontrado trabalhando como motorista em Goiânia nesta terça-feira (22)
Jonas Mantovani, de 59 anos, foi encontrado trabalhando como motorista em Goiânia nesta terça-feira (22) Crédito: Polícia Civil de Goiás
Trinta anos e sete meses depois, foi preso nesta terça-feira (22), na cidade Goiânia, capital de Goiás, Jonas Mantovani, de 59 anos, foragido e condenado pela Justiça a 46 anos de prisão pelos assassinatos de Santiago Martins e Zenildo dos Santos, em 21 de setembro de 1994. O crime ocorreu na região onde hoje fica o distrito de Baixo Quartel, em Linhares, no Norte do Espírito Santo.
Na época, segundo a polícia, uma terceira vítima também foi atacada por Jonas e um comparsa, o dono de um bar, Emilio Ramos da Silva, mas sobreviveu aos disparos e golpes de faca. As vítimas eram frequentadoras do estabelecimento e, após uma confusão, os suspeitos decidiram matá-las.
Segundo a Polícia Civil, na época, houve uma confusão no bar de Emílio, em Baixo Quartel. Após os três clientes deixarem o local, Jonas e o dono do estabelecimento, Emílio, decidiram matá-los. Os suspeitos, em uma moto, teriam emboscado o trio: uma das vítimas foi atingida por disparos feitos por Jonas, mas conseguiu correr para uma área de mata e sobreviveu ao ataque.
Zenildo foi atingido por dois tiros na cabeça e morreu no local. Já Santiago, segundo a polícia, foi baleado com um disparo de uma arma conhecida como “garruchão”, efetuado por Emílio, caiu no chão e foi esfaqueado até a morte por Jonas.
Conforme a Polícia Civil, Emílio e Jonas foram denunciados pelo Ministério Público do Espírito Santo à Justiça por duplo homicídio e por uma tentativa de assassinato, sendo presos na época. No entanto, Jonas fugiu da prisão nos anos 2000 e se mudou para Goiás, utilizando uma certidão de nascimento falsa em nome de "Ademilson Rodrigues dos Santos", documento falsificado, segundo a polícia, no Maranhão. Foi com esse registro que o criminoso construiu uma "nova vida" — chamada pelos investigadores de "vida paralela" — no estado goiano, onde viveu por todos esses anos.
Para o delegado Fabrício Lucindo, titular da Delegacia Regional de Linhares, a Polícia Científica capixaba foi "crucial" na descoberta da fraude que levou à identificação real e prisão do suspeito nesta terça-feira (22), em Goiânia. Em uma comparação de impressões digitais, peritos e papiloscopistas identificaram que as digitais presentes na identidade do falso "Ademilson", em Goiás, eram compatíveis com as de Jonas Mantovani, foragido da Justiça do Espírito Santo, desmontando a farsa que o levou de volta à cadeia. Os policiais civis de Goiás, encontraram Jonas trabalhando como motorista de uma empresa de coleta de lixo em Goiânia.
Em um vídeo ao qual a reportagem teve acesso, um delegado de Goiânia comunica ao homem que ele estava sendo preso por conta de uma condenação da Justiça, referente a um duplo homicídio e uma tentativa de assassinato ocorridos em 1994, em Linhares. O suspeito, aparentemente, não esboça qualquer reação.
A Polícia Civil do Espírito Santo informou que o condenado foi encaminhado ao sistema prisional goiano, onde permanece à disposição da Justiça de Linhares, que deverá decidir se ele será ou não recambiado ao estado capixaba para cumprir a pena de 46 anos de prisão. O homem agora também responderá por falsificação de documento público.
Segundo a Polícia Civil capixaba, na delegacia em Goiânia, Jonas teria confessado, "diante das provas contra ele", que de fato utilizava documentos falsos há muitos anos.
"A prisão de Jonas Mantovani é uma vitória da sociedade, da Polícia Civil e da Polícia Científica, contra a impunidade", declarou o delegado regional de Linhares, Fabrício Lucindo.
A reportagem tenta localizar a defesa dos citados, e o espaço segue aberto para posicionamento. 

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