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Publicado em 1 de agosto de 2025 às 19:04
Crime organizado é cada vez mais uma nomeação fiel para descrever facções instaladas no Espírito Santo. Lideranças, gerentes e "vapor" são alguns dos cargos dentro das associações ligadas à atividades ilegais criadas para manter a hierarquia organizacional. Mas os grupos sempre estão se movendo para manter o poder. A mais nova estrutura é o Núcleo de Informação, que explica a matança na Grande Terra Vermelha. >
A informação é do comandante-geral da Polícia Militar, Douglas Caus. Em entrevista ao repórter Álvaro Guaresqui, da TV Gazeta, nesta sexta-feira (1º), a chefia da corporação militar explicou que o núcleo é um setor que funciona dentro das facções. Os integrantes designados a participarem tem como função principal monitorar rivais de forma pertinente. >
“Esses faccionados são responsáveis em vigiar os alvos que serão eliminados pela facção no seu cotidiano: aonde vai de manhã cedo, aonde vai à tarde, supermercado, padaria, escola, bares que frequenta... Já é um núcleo de informações que tem a obrigação de passar informações para aqueles que vão matar esse indivíduo, vão executar”, contou Caus. >
Apesar de já existir casos de monitoramento com foco em execução de rivais, a criação do núcleo específico para a atividade mostra um cenário preocupante para a polícia. Principalmente, por ser a ação que deve estar causando tantos ataques em bairros como Ulisses Guimarães, Normília da Cunha e Barramares. >
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"Tem uma guerra de facções na região 5, que é a região da (Grande) Terra Vermelha, entre o PCV, que tem área de atuação em 20 bairros, e o Terceiro Comando Puro/Primeiro Comando da Capital, que tem área de atuação em 3 bairros", explicou.>
Um dos gestores da informação, segundo Caus, ligados a mortes e baleados nesses locais foi preso na manhã desta sexta-feira (1º) durante a Operação Telic, contra a associação criminosa Primeiro Comando de Vitória (PCV), realizada pelo Ministério Público do Espírito Santo em conjunto com a Diretoria de Inteligência da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES).>
“Isso nos preocupa, mas isso também nos dá uma clara dimensão de que essa facção, se não for enfrentada com o patrulhamento forte, ostensivo, mas também com integração e com inteligência, a gente não consegue fazer enfrentamento qualificado”, analisou o comandante-geral.>
O contra-ataque vem a partir de diversas ações, inclusive integração entre a segurança pública. Uma delas aconteceu na manhã desta sexta-feira, durante a operação, quando dois homens foram presos: Thiago Barroso Matos, apontado como gerente do tráfico em Terra Vermelha, e Sidney Pereira Fernandes, identificado nas investigações como dono de uma oficina onde aconteceriam reuniões para planejar os ataques em Grande Terra Vermelha. >
Além deles, Caus informou que um gestor de informação e grande liderança também foram presos. Entre os alvos também estava uma advogada, que não teve o nome divulgado.>
Além de operação em parceria, o chefe da PM capixaba apontou outro caminho que vem mostrando bons resultados, como a radiografia da facção. Assim como o exame de imagens, o comandante explicou que as facções são analisadas por dentro. >
Os resultados mostram quem são os integrantes, como atuam, de onde vem o financiamento, entre outras atividades. >
“Nós estamos radiografando com o Ministério Público quem é quem nessas organizações para que nós possamos compreender, desde o presídio, até advogado, até liderança, até gerente, como funciona esse ecossistema para que nós consigamos prender as pessoas certas para desarticular se essas organizações. Nós temos uma estratégia na parte de inteligência integrada com o MP, mas também a Polícia Militar já vem fazendo uma grande saturação na região, a Grande Terra Vermelha, e agora vamos intensificar", informou. >
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