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Abusos

Delegados fazem apelo no ES: "Ouçam seus filhos e vejam os sinais"

Representantes da Delegacia de Proteção de Criança e Adolescente reforçam a necessidade dos responsáveis estarem atentos às mudanças comportamentais, sentimentais e até mesmo gestuais dos pequenos

Publicado em 31 de Julho de 2025 às 19:34

Mikaella Mozer

Publicado em 

31 jul 2025 às 19:34
Durante coletiva de imprensa, nesta quinta-feira (31), delegados da Polícia Civil alertaram para sinais de crianças que sofreram com abuso.
Durante coletiva de imprensa, nesta quinta-feira (31), delegados da Polícia Civil alertaram para sinais de crianças que sofreram com abuso. Crédito: Divulgação | Polícia Civil
A prisão de um professor de música de 37 anos, na quarta-feira (30), suspeito de abusar da própria aluna dentro da escola, em Vila Velha, deixou os pais em alerta. A descoberta do caso se deu dias depois, quando a criança de oito anos contou à avó, que repassou a notícia aos pais e então procuraram a Polícia Civil. A ação dos familiares é exatamente o indicado pelos policiais civis. Ouvir e estar atento aos sinais dos filhos.
A delegada Thais Cruz, adjunta da Delegacia de Proteção de Criança e Adolescente (DPCA), em coletiva de imprensa durante a tarde desta quinta-feira (31), frisou que é importante observar mudanças de atitudes e, principalmente, acreditar nos relatos dos pequenos.
“Muitas vezes os abusos não vêm de uso de ameaça, violência, ou conjunção carnal. Ele é sútil, foque em região íntima, mas qualquer toque em menores de 12 anos é abuso de vulnerável”, explicou a delegada.
Delegados fazem apelo no ES: "Ouçam seus filhos e vejam os sinais'"
Os pais devem conversar com os filhos e, mais do que conversar, é acreditar. Os pais precisam dar atenção
Delegada Thais Cruz - adjunta da Delegacia de Proteção de Criança e Adolescente (DPCA)
Por medo de quem pratica o abuso ou da reação de parentes, muitas crianças não contam sobre o estupro. Segundo a titular da DPCA é importante estar alerta aos sinais e mudanças de comportamento: Confira algumas citadas pela delegada:
  • Se tornam agressivos;
  • Se mutilam;
  • Ficam trancados no quarto;
  • Se tornam mais quietos ou/e retraídos;
  • Passam a ficar mais no celular;
  • Mudança de hábitos;
  • Não querem contato com adultos ou pessoas do sexo masculino.

Procurar a delegacia

A titular da DPCA explicou ainda que os responsáveis podem ir até a delegacia mesmo sem a intenção de registrar boletim de ocorrência. Na primeira desconfiança de abuso ou atitude contra criança e adolescente, adultos podem ir até a unidade policial para tirar dúvidas ou relatar a situação.
Já em casos de flagrante, quando a pessoa vê o abuso acontecendo, é possível ligar para o 190 ou até mesmo ir até a delegacia mais próxima. 
Os pais precisam dar atenção às crianças, vejam que o abuso ocorreu em uma escola onde deveriam estar sendo educados para se tornarem adultos
Delegado Glalber da Costa Cypreste Queiroz - Adjunto da DPCA, Glalber da Costa Cypreste Queiroz

Conversa aberta

O conhecimento abre portas para denúncias, conforme o delegado adjunto, Glalber da Costa Cypreste Queiroz. Isso porque quando a criança tem consciência sobre os limites que ele deve dar ao outro sobre o próprio corpo, abusos podem ser evitados e os pequenos ganham confiança para denunciar.
“É importante conversar sobre limites que a criança tem que impor ao corpo dela e o que pode e o que não pode. Reforçamos que os pais conversem com os filhos, deem nome às partes dos corpos, que conversem sobre outras pessoas não poderem tocar o corpo dele”, relatou.
Professor de música foi preso suspeito de abusar de aluna de oito anos em escola particular em Vila Velha.
O professor de música de uma escola particular de Vila Velha foi preso na manhã de quarta-feira (30) Crédito: Divulgação | Polícia Civil
O delegado chamou atenção da importância de atenção dos responsáveis em relação às crianças, já que situações de abuso podem acontecer em qualquer espaço de vivência dos pequenos.
"Vejam que o abuso ocorreu em uma escola onde deveriam estar sendo educados para se tornarem adultos. Faço apelo para que a informação chegue ao máximo de lares para conscientização. A vítima reportou que os abusos já vinham ocorrendo e ela tinha medo de falar. Isso ocorre muito e muitas vezes as crianças não interpretam abuso como abuso por não ter percepção sexual", frisou o adjunto. 

Dentro de escola

O professor de música de uma escola particular de Vila Velha, preso na manhã de quarta-feira (30), por suspeita de abusar de uma aluna, de 8 anos, agia de forma calculada para abusar de crianças. A investigação da Polícia Civil, por meio da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), com base em imagens de videomonitoramento e no relato da vítima, detalhou que o suspeito levava os alunos para uma sala fechada, onde se posicionava em um ponto cego da câmera para cometer o crime. O nome da escola e do professor não serão divulgados para resguardar a identidade das vítimas.
O adjunto da DPCA, delegado Glauber da Costa Cypreste Queiroz, explicou que o professor se aproveitava de momentos em que estava sozinho com as crianças.
"Nós tivemos acesso às imagens. Ele sentava em uma cadeira e usava a mão para tocar a partes íntimas das crianças. O relato da vítima somado as imagens ficou comprovado o abuso perpetrado", disse o delegado. 
As gravações também mostram que o suspeito tocava uma menina de pé de forma "nociva" e outra que estava no colo dele. Durante o interrogatório, o professor negou as acusações, afirmando que os toques "não eram abuso e sim um carinho". A delegada Thaís Cruz, que também participou da investigação, reforçou que o abuso nem sempre é violento, mas que qualquer toque em menores de 12 anos é considerado abuso de vulnerável. A polícia informou que, além do relato inicial, outras denúncias surgiram após a prisão do professor.
O advogado da família da criança de 8 anos, Willian Bulhões, disse que o desejo é que o suspeito seja denunciado, processado e condenado pelo crime."A pena pelo crime de estupro de vulnerável vai de 8 a 15 anos de prisão, então nós vamos trabalhar com a maior técnica possível para que ele seja condenado pelo ato que cometeu", finalizou o advogado.
A reportagem tenta localizar a defesa do professor e o espaço segue aberto para manifestação.

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