Corregedoria da PM abre procedimento para investigar agressão em Piúma

Em nota, a PM afirma que está acompanhando o caso e que está analisando os elementos que serão apresentados da forma transparente, respeitando os direitos das partes envolvidas. Um vídeo mostra momento da agressão

Vitória
Publicado em 04/01/2021 às 12h48
Atualizado em 04/01/2021 às 18h40
O caso aconteceu nesta sexta-feira (01)
Homem é agredido por PMs em Piúma. Crédito: Reprodução/ TV Gazeta

Após a agressão registrada em vídeo na última sexta-feira (01) contra o técnico de refrigeração Willian Martinusso, que afirma ter sido atingido por policiais militares com socos e tapas em Piúma, no Litoral Sul do Estado, a Polícia Militar informou nesta segunda-feira (04) que a Corregedoria já instaurou um procedimento apuratório para analisar o caso.

Em nota, a PM afirmou que está acompanhando o caso e que está analisando os elementos que serão apresentados da forma transparente, respeitando os direitos das partes envolvidas. "A PMES declara ainda que preza incansavelmente, todos os dias, pela ordem social e pelas práticas de seus agentes vinculadas à dignidade da pessoa humana. As apurações ocorrerão com a devida isenção e dentro dos trâmites legais que, no momento, não preveem afastamento das atividades", finalizou.

O CASO

As imagens gravadas por celular mostram uma discussão entre agentes da Polícia Militar e o técnico de refrigeração. Um dos policiais aparece dando um tapa nele, enquanto outro PM teria dado socos. Em outro momento do vídeo, o homem aparece sendo algemado.

Em entrevista à TV Gazeta, o advogado de Willian, Geferson Ronconi disse que a confusão se deu na garagem de um condomínio em Piúma, e que a polícia foi chamada porque havia um carro com som alto na rua. "Já foi realizado um procedimento na Corregedoria, ainda no domingo (03). Também foi feito exame de corpo de delito no sábado (02)", afirmou.

A discussão começou na rua e terminou na garagem. O advogado acrescentou que seu cliente e o irmão chegaram a ser detidos, mas foram liberados.

Ordem dos Advogados do Brasil no Espírito Santo (OAB-ES) foi demandada e o presidente da seccional do Estado, José Carlos Rizk Filho, informou que vai denunciar e acompanhar na Corregedoria da Polícia Militar o episódio de agressão praticado por policiais militares contra um técnico em refrigeração. Rizk disse que a atitude dos policiais mostra despreparo e que, apenas pelas imagens do vídeo, gravadas pelo celular por um familiar do técnico, é possível afirmar que houve abuso de autoridade.

O presidente da OAB afirmou que esse não é o primeiro caso de agressão envolvendo militares que a OAB-ES tem acesso e disse que pretende denunciar e acompanhar todos os processos na Corregedoria. Rizk disse ainda que vai recorrer ao governador Renato Casagrande (PSB) para que medidas efetivas sejam tomadas no caso em questão "para que sirvam de exemplo" para outros militares.

POLICIAIS ALEGAM QUE FORAM AGREDIDOS

Pelo menos seis policiais aparecem no vídeo gravado. Três deles prestaram depoimento na delegacia. São eles: tenente Marcio Gladston Lamas Couto, soldado Gilberto Mota Junior, soldado Viulian Amorim dos Santos. Em depoimento, os policiais militares alegaram que foram agredidos por Willian e que ele foi "contido".

No boletim registrado na Delegacia de Itapemirim, os soldados Gilberto e Viulian contaram que, durante patrulhamento na orla de Piúma, eles avistaram uma caminhonete com som em volume alto. Segundo os militares, ao determinarem que o veículo parasse, o motorista, irmão de Willian, não obedeceu e fugiu.

Os policiais relataram ainda que seguiram o veículo, cujo motorista – segundo relato dos militares– afirmava ser um policial civil. O motorista teria, então, parado em frente a garagem de um condomínio e, assim que os policiais saíram do carro para abordá-lo, teria jogado o veículo para cima deles.

Os militares disseram que chamaram reforço, já que o motorista estava muito alterado. Enquanto isso, Willian, que estava dentro do condomínio, chegou à garagem e começou a discutir com os policiais. O tenente Marcio Gladston Lamas Couto contou que foi agredido por ele com socos. Eles finalizaram o depoimento dizendo que os policiais tiveram que usar "de força proporcional e técnicas de imobilização preconizada pela PMES".

Já o tenente Couto, em depoimento, afirma que ao chegar ao local foi agredido por Willian, que o xingou e partiu para vias de fato, "devendo ser contido".

EMBRIAGUEZ AO VOLANTE

O irmão de Willian, que não quis se identificar e que também disse que foi agredido, afirmou à reportagem de A Gazeta que houve omissão da Polícia Civil.

"Eu sou o rapaz que foi acusado de embriaguez ao volante. Não me foi dado o direito de fazer o exame de sangue. O que aconteceu foi que eles me conduziram, prenderam minha habilitação, me autuaram por embriaguez ao volante para justificar a agressão na face do meu irmão. Só que eu não bebo, não faço uso de bebida alcoólica, e não pude me defender", afirmou.

A Polícia Civil foi acionada nesta segunda-feira (04) para comentar o assunto e informou, após a publicação desta matéria, que o suspeito de 36 anos conduzido à Delegacia Regional de Itapemirim foi autuado em flagrante por embriaguez ao volante e foi liberado após o pagamento da fiança arbitrada pelo delegado de plantão.

Em nota, disse que "o segundo suspeito conduzido foi somente ouvido e liberado, visto que a autoridade policial entendeu que não haviam elementos suficientes para lavrar uma prisão em flagrante. O procedimento foi encaminhado para a Delegacia de Polícia de Piúma para melhor apuração dos fatos, no que diz respeito à embriaguez. Em relação ao possível crime militar, a autoridade policial de plantão entendeu que as investigações e diligências são de responsabilidade da Polícia Militar".

Atualização

4 de Janeiro de 2021 às 18:41

A Polícia Civil se manifestou sobre a autuação em flagrante por embriaguez ao volante. O texto foi atualizado.

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