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Auxílio emergencial: PF prende suspeitos de clonarem cartões no ES

A Polícia Federal conseguiu identificar os suspeitos depois que a coordenação geral de segurança da Caixa Econômica Federal repassou a relação de agências com maior número de contestações de saques indevidos de auxílio emergencial

Publicado em 20/05/2020 às 10h42
Atualizado em 20/05/2020 às 14h16
Vitória - ES - Movimentação em frente agência da Caixa Econômica em Jucutuquara para retirada do benefício do Governo Federal.
Vitória - ES - Movimentação em frente agência da Caixa Econômica em Jucutuquara para retirada do benefício do Governo Federal. Crédito: Vitor Jubini

Polícia Federal prendeu no Espírito Santo dois suspeitos de clonarem cartões de benefício social através de um dispositivo que era instalado em terminais de autoatendimento de agências da Caixa Econômica Federal. As prisões, em flagrante, ocorreram em agências no Ibes, em Vila Velha, e em Jucutuquara, em Vitória, na noite desta terça-feira (19).

Em entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira (20), o delegado Leonardo Rabello, chefe da Delegacia de Combate aos Crimes Fazendários da Polícia Federal (Delefaz), explicou que o grande volume de dinheiro destinado à criação do auxílio-emergencial, e a consequente necessidade de realização de muitos saques, havia a possibilidade de que grupos que atuam na prática de crimes de clonagem de cartão pudessem estar atuando.

"Em face disso, foi criado em Brasília um trabalho em parceria com a Coordenação de Segurança da Caixa Econômica Federal e com a Coordenação Geral de Polícia Fazendária, através do serviço de repressão a crimes cibernéticos, em que, através dessa dinâmica de investigação de levantamento de informação, foi possível que recebêssemos, aqui na Delefaz do Espírito Santo, informações de que estava havendo saques de cartões clonados aqui no Estado e de que um grupo estava atuando nessas práticas".

A PF conseguiu identificar os suspeitos depois que a coordenação geral de segurança da Caixa  repassou, ao Serviço de Repressão aos crimes cibernéticos da Polícia Federal em Brasília, a relação de agências com maior número de contestações de saques indevidos de auxílio emergencial e outros valores em seus terminais de autoatendimento, dado que foi repassado para as unidades nos Estados.

MODO DE ATUAÇÃO

No momento da prisão, segundo a Polícia Federal, foram encontrados com os presos os dispositivos maliciosos e câmeras, que estavam instalados nas máquinas de autoatendimento das agências, tendo sido apreendidos com eles outros elementos de prova. "O objetivo era de fazer leitura dos cartões de benefício, que não possuem chip, e que, por isso, permitem a leitura magnética. Com a câmera, os criminosos obtinham a senha para que pudessem depois clonar o cartão e fazer os respectivos saques em outro Estado da federação, prática conhecida como streaming ou, vulgarmente, 'chupa-cabra'", relatou a autoridade.

O delegado explicou ainda que o método utilizado para os crimes era muito comum anos atrás nas fraudes bancárias, mas que, em função de um trabalho de segurança feito pelos bancos, com criação do chip nos cartões, houve redução significativa dessas práticas. "Mas o que acontece é que, nesse momento de crise, os cartões de benefício não possuem chip e isso acaba criando uma janela de oportunidades para esses grupos atuarem", disse.

O material apreendido foi submetido à perícia para elaboração de laudo pericial e a investigação prosseguirá para identificação da extensão da fraude.

O PREJUÍZO

De acordo com Rabello, já foi comprovado que os dois presos movimentaram nos saques efetuados uma quantia de aproximadamente R$ 110 mil. "Com a prisão deles conseguimos cessar várias práticas criminosas que aconteceriam agora na segunda remessa do auxílio emergencial, que começou esta semana. Então, se fizermos uma contabilidade lógica de que, através de uma estimativa, na primeira parcela do benefício, conseguiram efetuar uma fraude dessas, podemos projetar o número para mais R$ 110 mil na segunda etapa e mais R$ 110 mil na terceira parcela. Como estimativa, a gente teria R$ 220 mil a mais de saques, prejudicando nossa população que tanto precisa desse dinheiro nesse momento", afirmou.

TRAJETÓRIA NO CRIME

O delegado da PF contou também que os presos tratam-se de dois homens neste momento. "Estamos investigando para verificar o envolvimento de outros integrantes do grupo, mas o que sabemos é que conseguimos uma vitória importante ontem nesse combate", comemorou.

Segundo a autoridade policial, um dos presos já contava com dois mandados de prisão em aberto, por práticas semelhantes, que aconteceram em outros estados, além da confirmação de que o outro suspeito já havia sido preso anteriormente por essas práticas, através de checagem em notícias veiculadas na mídia. "Provavelmente já devem ter sido cumpridas as penas e, soltos, voltaram a praticar esses delitos", sugeriu ele.

OS BENEFICIÁRIOS NÃO TERÃO PREJUÍZOS

A respeito dos beneficiários do auxílio-emergencial, que deixaram de receber o valor a que fazem jus, estes serão ressarcidos. "É evidente que, quando se trata de fraude bancária, o banco fica na condição de ressarcir as pessoas, que não podem ficar prejudicadas. O montante total é muito grande, uma verba federal de bilhões de reais foi destinada a esses pagamentos. Esse tipo de desvio impacta na crise que vivemos nesse momento de pandemia", disse o delegado.

Por fim, a Leonardo Rabello disse que não se descarta que o valor obtido via fraude seja ainda maior. "Temos elementos importantes a serem obtidos nos meios de prova que foram apreendidos e estamos tomando providências nesse sentido. É evidente que podemos ter algumas surpresas durante a investigação", mencionou.

Com informações da TV Gazeta.

Material usado para fraudar cartões de benefício social no ES
Material usado para fraudar cartões de benefício social no ES. Crédito: Divulgação/ Polícia Federal

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