Publicado em 18 de julho de 2025 às 16:03
Com o uso de um drone, o criminoso Afonso dos Santos Teixeira, conhecido como "Capitão" ou "Barriguinha", planejava arremessar itens dentro da área dos presídios de Segurança Máxima em Viana, a mando do traficante Fernando Moraes Pereira Pimenta, o Marujo. O esquema foi descoberto pela Polícia Civil, que encontrou vídeos feitos pelo suspeito mostrando o local onde ele soltaria as "encomendas" (veja acima).>
"Ele é um cara das antigas e tinha a missão de jogar, na época a gente não conseguiu definir se era celular, droga ou catuque (bilhete para os presos) dentro do presídio. Tem as conversas dele com o Fernando, onde ele mira e pergunta onde era para jogar", detalhou o delegado Alan Moreno de Andrade, do Centro de Inteligência e Análise Telemática (Ciat). >
No áudio do vídeo ele fala o seguinte: "A Máxima é ali, né chefe? Soltar daqui, entendeu? Pertinho, o mais perto". Afonso já está preso. Essa função dele dentro do Primeiro Comando de Vitória (PCV), de suporte e logística, foi apresentada pela Polícia Civil nesta sexta-feira (18), assim como a de outros aliados de Marujo, que foram alvos de uma investigação que culminou na "Operação Marujada", ocorrida em abril deste ano. Confira, abaixo, quem são os denunciados:>
Gustavo Bueno Veloso de Oliveira, de 32 anos, conhecido como "GVT", era apontado como uma das lideranças do PCV e parceiro de Marujo. Ele estava na Rocinha, no Rio de Janeiro, e voltou para o Espírito Santo em dezembro do ano passado com armas, drogas e pessoas para auxiliar na tomada de territórios para o tráfico. >
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"Gustavo foi preso no dia da operação (Marujada), no trevo de Guarapari, indo para o Rio de Janeiro com o carro cheio de malas. Ele e Marujo eram realmente muito ligados, conversavam o tempo todo", disse o delegado Alan.>
Felipe Dias do Espírito Santo, conhecido como "B2", de 22 anos, foi preso em outubro do ano passado. Na ocasião, ele chegou a morder o dedo de um dos policiais. Segundo as investigações, o acusado tinha uma alta posição dentro da hierarquia do PCV, e envolvimento direto em ataques a facções rivais. >
"Era o braço direito do Fernando, tudo o que o Fernando pedia, ele fazia; até mesmo se fosse para comprar algo na rua. Ele era o cara que recebia as ordens diretas para fazer o que o Fernando não podia, como, por exemplo, ficar andando pelo bairro", ressaltou o delegado Alan. >
Lutieley Costa Elesbão, conhecido como "PK ou Frango", de 37 anos, está foragido do sistema prisional. Ele é procurado desde 2021, e considerado uma das lideranças do PCV que permanece nas ruas. Segundo o delegado, ele tinha a missão de auxiliar Marujo na tomada de decisões e na gestão dos pontos de venda de drogas, transmitindo "catuques", que são os chamados bilhetes trocados entre presos e o lado externo.>
Afonso dos Santos Teixeira, o "Capitão ou Barriguinha", de 36 anos, está preso. Ele era responsável pelo suporte e logística. O acusado chegou a planejar um voo com drone sobre os presídios de Segurança Máxima em Viana, a mando de Marujo, para arremessar itens que poderiam ser celulares, por exemplo.
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Com passe livre nos presídios, o advogado Ederson Paiva Facini, de 41 anos, transmitia ordens de líderes da facção aos detentos. Atualmente, ele está preso. "Ele é denunciado por organização criminosa, mas foi preso em uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) também por integrar facção criminosa", disse o delegado Alan. >
Jean Finamore Bento, de 25 anos, também conhecido como "Boca de Lata", foi uma prisão de destaque durante a Operação Marujada. >
"Após a prisão de Marujo, alguns indivíduos que estavam escondidos em comunidades na cidade do Rio de Janeiro foram convocados a retornar ao Espírito Santo para auxiliarem a facção na retomada de territórios que estavam sob o controle da facção rival, o Terceiro Comando Puro (TCP). Dentre estes indivíduos, estão Tiago de Jesus Fernandes, o "Tiago Folha" (preso em fevereiro de 2025), e Jean Finamore. A missão destes era, num primeiro momento, efetuar a tomada de controle do tráfico de drogas no bairro Conquista, em Vitória", destacou o delegado Alan. >
As investigações ainda descobriram outros integrantes da facção, que não tinham uma posição de liderança, mas eram importantes para Marujo, com relevância no tráfico de drogas, na parte da comunicação ou na proteção de Fernando. São eles:>
O delegado Alan destacou a integração da Polícia Civil com a Subsecretaria de Inteligência (SEI) da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), Polícia Penal e Núcleo de Operações e Transporte Aéreo da Secretaria da Casa Militar (Notaer). "A gente percebeu que, quando as forças de Segurança trabalham juntas, a chance de sucesso é maior", ressaltou Alan.>
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