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Sérgio Blank
Sérgio Blank
1964
2020

Morre o poeta capixaba Sérgio Blank aos 56 anos

Escritor, que ocupava cadeira 9 da Academia Espírito-Santense de Letras, foi encontrado morto em casa, em Cariacica, pela irmã nesta quinta (23)

Publicado em 23/07/2020 às 19h09
Atualizado em 24/07/2020 às 11h03

O poeta Sérgio Blank, de 56 anos, foi encontrado morto no início da tarde desta quinta-feira (23). O corpo do escritor deve ser removido de sua casa, em Campo Grande, Cariacica, ainda nesta noite. Nilceia Blank, irmã de Sérgio, suspeita que o ocupante da cadeira 09 da Academia Espírito-Santense de Letras, empossado há um ano e um dia, foi vítima de infarto.

De acordo com ela, a família decidiu entrar na casa do poeta depois de ele não atender a telefonemas e a campainha. "Nós nos falamos por volta das 10h desta quarta (22) e ele estava bem, normal. Hoje (23) que tentei ligar e ele não atendeu. Peguei a chave da casa dele que eu tenho, fui entrando com o meu marido devagar e chamando, mas ele estava na cama com as mãos muito roxas", fala.

Apesar do relato da irmã, a Polícia Civil investiga a morte do poeta como um homicídio. "A Polícia Civil informa que o caso foi registrado como homicídio e seguirá sob investigação da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cariacica. Até o momento nenhum suspeito foi detido e outras informações não serão repassadas para que a apuração dos fatos seja preservada. O corpo da vítima foi encaminhado para o Departamento Médico Legal (DML) de Vitória, para ser liberado pelos familiares e para ser feito o exame cadavérico, que apontará a causa da morte.", diz o órgão por nota.

Em sua última publicação nas redes sociais, datada do dia 22 de julho, o poeta fala do seu contato com as crianças. "Fico feliz quando sou convidado para visitar escolas e conversar com as crianças sobre meu livro Safira. Gosto quando as professoras me apresentam com um escritor infantil. O compromisso de um escritor infantil devia ser soltar pipas, jogar bola de gude, tomar banho de chuva descalço, comer fruta tirada-do-pé, colecionar álbuns de figurinhas, brincar de pique-esconde e comer algodão-doce feito de nuvens. Essas pequenas delícias da poesia. Aprecio ser um escritor infantil".

Sérgio morava sozinho, era solteiro e não deixou filhos. Ele enfrentava um quadro de cirrose hepática há alguns anos, no entanto, estava na fila do transplante e a doença era controlada, segundo a própria irmã. Por conta da pandemia do novo coronavírus, ainda não há informações sobre velório e enterro.

O escritor Sérgio Blank
O escritor Sérgio Blank. Crédito: Fernando Madeira

"ERA UM GRANDE AMIGO"

Fernando Achiamé, historiador e comentarista da CBN Vitória, lamentou a morte do amigo. "Estou muito triste e abalado. Era um grande amigo", disse, ao contar que alertou a irmã de Sérgio sobre o sumiço do escritor.

De acordo com Achiamé, ele e Sérgio haviam marcado de se encontrar no almoço desta quinta (23). Ao tentar ligar para desmarcar o encontro, não conseguiu falar com o colega. "Liguei para ele hoje cedo, e o celular estava dando desligado. Por volta do meio-dia, falei com a irmã dele para ver o que estava acontecendo", relata.

Em seguida, o historiador recebeu a notícia de Nilceia de que Sérgio havia sido encontrado morto. Para Achiamé, a partida de Blank é uma perda irreparável, tanto para ele como amigo quanto para a Cultura.

A Academia Espírito-santense de Letras ressaltou a importância de Blank para a literatura capixaba. "Uma grande perda para a literatura do Espírito Santo, especialmente no campo da poesia, onde Sérgio desenvolveu sua brilhante carreira literária. Há exatamente um ano, o poeta tomava posse na cadeira 9 da Academia Espírito-santense de Letras. A saudade é grande, mas nos conforta saber que sua obra permanecerá viva entre nós".

O secretário de Cultura de Vitória, Francisco Grijó, também lamentou a morte pelas redes sociais. "Fico sabendo que meu amigo Sérgio Blank, poeta enormíssimo, e uma pessoa só coração, faleceu. Descanse, querido amigo!", escreveu. 

BIOGRAFIA

Nascido em 1964, em Cariacica, Sérgio Blank é conhecido por seus poemas, livros e atuação como promotor de lançamentos de obras e coordenador de oficinas e encontros literários. Sua última obra, "Blue Sutil" foi lançada em fevereiro do ano passado encerrando um hiato de 23 anos sem obras inéditas.

O termômetro para a nova obra veio de um universo não tão comum ao escritor: a internet. Os poemas que compõem o livro foram antes publicados nas redes sociais e a repercussão deu a ele o empurrãozinho necessário para encerrar o hiato.

O poeta ocupava a cadeira número 9 da Academia Espírito-santense de Letras há um ano. Sua posse aconteceu no dia 22 de julho de 2019.

Ao todo, Sérgio Blank tem seis obras publicadas antes de “Blue Sutil”: a infantil “Safira” (1989) e também “Poesia: Estilo de ser assim, tampouco” (1984); “Pus” (1987); “Um,” (1988); “A Tabela Periódica” (1993) e “Vírgula” (1996). “Os dias ímpares – toda poesia” (2011), reúne os cinco títulos anteriores.

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