ASSINE

Seis meses depois, assassinatos em Cariacica desafiam a Força Nacional

O subsecretário da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), Guilherme Pacífico, destacou que o foco é a redução dos crimes letais no município

Publicado em 25/02/2020 às 06h00
Atualizado em 25/02/2020 às 16h05
Agentes trabalham em Cariacica desde agosto do ano passado. Crédito: Vitor Jubini
Agentes trabalham em Cariacica desde agosto do ano passado. Crédito: Vitor Jubini

A cada 10 assassinatos registrados em Cariacica, oito são praticados por arma de fogo. O combate aos homicídios dolosos é o principal desafio a ser vencido pelos agentes da segurança pública, seis meses após a chegada dos agentes da Força Nacional.  A cidade, única da região Sudeste a receber o projeto-piloto “Em frente, Brasil”, do governo federal, sofre com os confrontos entre gangues do tráfico de drogas. 

Enquanto o Espírito Santo apresenta uma taxa de 82% dos homicídios provocados por armas de fogo, Cariacica, município com população estimada em 381.285 mil habitantes, marca 88%. Conforme o Atlas da Violência, divulgado em 2019, a cidade apresenta índice de 58,9 assassinatos por 100 mil habitantes.

Em agosto do ano passado, 28 bairros do município receberam 100 agentes da Força Nacional. O subsecretário de Integração Institucional da Secretaria de Segurança Pública (Sesp), Guilherme Pacífico, destacou que a atuação é feita de forma integrada entre a tropa, as Polícias Civil, Militar e Polícia Rodoviária Federal. O trabalho, que terminaria em dezembro, foi prorrogado pelo Ministério da Justiça para agosto deste ano.

De acordo com Pacífico, os bairros foram escolhidos a partir do mapa do crime de critérios levantados após serviço da área de inteligência das forças de segurança do Estado. Os últimos dados da Sesp apontam que em janeiro de 2019, 11 pessoas foram assassinadas. Já em janeiro deste ano,  seis assassinatos foram computados.

Agentes da Força Nacional em Cariacica. Crédito: Ricardo Medeiros
Agentes da Força Nacional em Cariacica. Crédito: Ricardo Medeiros

“O foco principal é a redução da criminalidade letal. Estamos focando na captura de criminosos, foragidos, em especial, os que cometeram crimes de homicídio, latrocínio, feminicídio e tráfico de drogas. É quase uma caça diária desses criminosos que estavam mantendo ou insistem manter a hegemonia territorial, domínio do tráfico ou ascendência criminal nesses locais”, enfatiza.

Além do município capixaba, outras quatro cidades brasileiras receberam a Força Nacional como Ananindeua, no Pará, Paulista, em Pernambuco, Goiânia, capital de Goiás, e São José dos Pinhais, no Paraná. Em todas as regiões, 80 agentes são responsáveis pelo patrulhamento na rua enquanto 20 atuam na polícia judiciária com investigação e perícia.

INVESTIGAÇÃO

Para Henrique Kerkenhoff, professor de mestrado em Segurança Pública, é necessário um prazo maior para analisar os indicadores de violência de Cariacica após a chegada da Força Nacional.

Henrique Herkenhoff

Especialista em segurança pública

"É prematuro tirar conclusões. A grande dificuldade que a Força Nacional tem nesses trabalhos de auxílio é que esses policiais são de fora e quando começam a conhecer a geografia da cidade, eles vão embora"
Força Nacional em Cariacica. Crédito: Foto: Reprodução/TV Gazeta
Força Nacional em Cariacica. Crédito: Foto: Reprodução/TV Gazeta

Ainda segundo Herkenhoff, o município precisa de mais  investimentos para ter uma redução significava no número de assassinatos. "A Força Nacional foi pensada para atuar em momentos de crise. É preciso haver investimento na investigação de homicídios para identificar, localizar e tirar de circulação os responsáveis por esses crimes. Esse tipo de atuação sai mais barato que todo o aparato montado para receber a tropa, por exemplo", explicou. 

CIDADE VAI RECEBER R$ 200 MILHÕES DE INVESTIMENTOS

cidade de Cariacica vai receber R$ 200 milhões do Governo Federal para investimentos nas áreas de segurança, educação, saúde e saneamento básico. Há também uma série de iniciativas que formam uma rede de apoio às mulheres vítimas de violência no município. 

Entre as ações previstas está a construção da Casa da Mulher, um lugar que será referência para as que forem vítimas de qualquer tipo de violência tenham todo o atendimento necessário, do boletim de ocorrência ao abrigamento temporário junto com seus filhos.

O programa federal também vai apoiar ações de outros segmentos. Para o público jovem, será criada a Estação 4.0, um lugar para qualificação profissional com cursos na área de tecnologia da informação, design e desenvolvimento de soluções.

Cariacica também vai receber um micro-ônibus e o veículo ficará à disposição da Secretaria de Assistência Social para atendimento de idosos em atividades voltadas para a terceira idade.

NÚMEROS DA FORÇA NACIONAL

  • Quantidade: 100 agentes
  • Duração: 4 meses
  • Locais: 28 bairros
  • Organização: Dos 100 agentes, 80 estão em alojamentos da PM e atuam no patrulhamento ostensivo. 20 atuam na área investigativa, e estão em alojamentos da Polícia Civil
  • 28 bairros escolhidos: Flexal I; Flexal II; Graúna; Padre Gabriel; Alzira Ramos; Castelo Branco; Jardim Botânico; Jardim de Alah; Rio Marinho; Nova Esperança; Nova Rosa da Penha; Bandeirantes; Bela Aurora; Maracanã; Vista Mar; Vila Isabel;
  • Cariacica Sede; Prolar; Aparecida; Porto de Santana; Porto Novo; Itacibá; Nova Brasília; Nova Valverde; Mucuri; Campo Grande; e Vila Capixaba.

A Gazeta integra o

Saiba mais

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.