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Detento morre de coronavírus no ES uma semana após deixar presídio

A informação foi confirmada pela família de Paulo Roberto da Silva, que cumpria pena desde 2014 por ter participado de um crime que vitimou jovem de 20 anos naquele ano

Publicado em 24/04/2020 às 17h00
Atualizado em 24/04/2020 às 17h37
Paulo Roberto foi enterrado na quinta-feira (23), na Grande Vitória
Paulo Roberto foi enterrado na quinta-feira (23), na Grande Vitória. Crédito: Arquivo pessoal

Foi registrado no último dia 23 de abril a primeira morte por coronavírus de um detento que cumpria pena no Espírito Santo. O homem que morreu foi identificado como Paulo Roberto da Silva, e estava preso desde 2014 por ter participado no crime que vitimou uma jovem de 20 anos em abril daquele ano.

Paulo Roberto era casado, tinha 59 anos e era natural de Belo Horizonte. Ele faleceu às 18h do dia 22 de abril, e estava internado no Hospital Estadual Jayme Santos Neves, na Serra.

De acordo com a certidão de óbito obtida pela TV Gazeta, a causa da morte de Paulo foi o novo coronavírus. O homem teve síndrome respiratória aguda grave e tinha comorbidades, como doença isquêmica crônica do coração e hipertensão arterial sistêmica. O detento foi internado no Cemitério de Santa Inês, em Vila Velha.

O QUE DIZ A SEJUS

Em nota, a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) ressaltou que o interno possuía diversas comorbidades. "No período em que esteve detido, desde março de 2014, foi constantemente acompanhado e assistido pela equipe de saúde do sistema prisional", disse. A secretaria disse que Roberto cumpria pena em prisão domiciliar.

Paulo Roberto da Silva estava preso desde 2014
Paulo Roberto da Silva estava preso desde 2014. Crédito: Reprodução | TV Gazeta

A Sejus reitera que é responsável pela custódia de presos e administração das unidades prisionais do Estado e que as determinações para prisão domiciliar e/ou alvarás de soltura cabem ao Poder Judiciário.

O QUE DIZ A FAMÍLIA

De acordo com familiares, Paulo Roberto estava detido há seis anos no presídio de Viana. Ele tinha problemas de saúde e precisou passar por uma cirurgia no coração, no hospital do complexo penitenciário, no início deste ano. A família ainda conta que entrou com um pedido para que Paulo pudesse cumprir pena em prisão domiciliar e se recuperasse da operação em casa, mas o pedido foi negado. Só na semana passada o interno foi liberado, porque estava com quadro de pneumonia, segundo a família.

De acordo com o filho, Roberto Guasti Silva, Paulo Roberto deixou a prisão muito debilitado. “Meu pai estava praticamente desmaiando, ele não conseguiu andar”. Ele foi levado para casa, mas, depois de apresentar piora no quadro de saúde — com sintomas como tosse e dificuldade para respirar —, foi hospitalizado e entubado. A família estuda acionar a Justiça contra o Estado, pois acredita que houve negligência no tratamento com o interno. “Foi culpa do Estado! Nós pedimos a liberação dele, antes de começar a pandemia, mas foi negado, demoraram demais”, disse o filho.

CASOS EM PRESÍDIOS

Nesta manhã (24), a Sejus informou que subiu para seis o número de internos do sistema penitenciário do Espírito Santo que testaram positivo para Covid-19. O número de presos com a doença dobrou desde a última terça (21), quando a Sejus divulgou que eram três casos de coronavírus.

Com informações de Naiara Arpiri, do G1 ES, e do repórter da TV Gazeta, André Falcão

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