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Crise na saúde

Crianças dormem em cadeiras no pronto-socorro do Infantil de Vitória

A reportagem de A Gazeta teve acesso a uma circular da Sesa orientando que as equipes do Samu levem para o Infantil de Vitória os pacientes que iriam normalmente para o Himaba. A medida foi tomada para desafogar o Himaba durante esse início de transição na administração do hospital, mas o pronto-socorro do Infantil de Vitória ficou lotado

Publicado em 07 de Novembro de 2019 às 13:50

Redação de A Gazeta

Publicado em 

07 nov 2019 às 13:50
Foto mostra crianças em cadeiras no corredor do pronto-socorro do Hospital Infantil de Vitória Crédito: Internauta
A transição para a nova Organização Social de Saúde (OSS) que começou a gerir o Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino (Himaba) levou o pronto-socorro do Hospital Infantil de Vitória, em Bento Ferreira, a apresentar superlotação desde a noite dessa quarta-feira (06), segundo acompanhantes e servidores. Mães relataram que passaram a madrugada no corredor da unidade com seus filhos, com as crianças dormindo em cadeiras e sem cobertor.
O Himaba enfrenta uma mudança na gestão após o Estado romper o contrato com a IGH, organização social (OSS) que administrava a instituição. De forma emergencial, o Himaba passou a ser comandado pelo Instituto Gnosis desde quarta-feira. Com isso, pacientes que seriam levados para Vila Velha foram transferidos para o Infantil de Vitória.
Com capacidade para 26 crianças, o pronto-socorro do Infantil de Vitória ficou com mais de 40 pacientes durante a madrugada, de acordo com servidores e pais ouvidos pela reportagem.
A reportagem de A Gazeta teve acesso a uma circular da Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo (Sesa) orientando que as equipes do Samu levem para o Infantil de Vitória os pacientes que iriam normalmente para o Himaba. A medida foi tomada para desafogar o Himaba durante esse início de transição na administração do hospital, mas deixou o pronto-socorro do Infantil de Vitória lotado.
Circular da Sesa orienta que as equipes do Samu levem para o Infantil de Vitória os pacientes que iriam normalmente para o Himaba Crédito: Reprodução
Com pneumonia, a filha de quatro meses de Lisa Ketlen teve que ficar a madrugada no corredor do pronto-socorro do Infantil de Vitória. A menina, segundo a mãe, recebeu alta por falta de leitos na unidade.
"Cheguei aqui ontem (quarta) por volta de 18h porque a minha filha fez um raio-x no PA e deu que ela tem pneumonia grave. Demorou três horas para ser atendida e a médica pediu outros exames. E deixou a gente no corredor. Passamos a madrugada toda no corredor e no frio porque eles disseram que nem podia emprestar a coberta", relatou Lisa.
A situação crítica deixa as mães revoltadas. A auxiliar de serviços gerais Claudiane dos Santos está com o filho de 13 anos no corredor do pronto-socorro há mais de 12 horas. O menino se machucou ao cair de bicicleta. "Não tem leito para deitar, meu filho quebrou o maxilar e até agora nem o médico atendeu ele. Está cheio de dor e o médico só vai chegar às 14h. O corredor está lotado e as crianças todas sentadas na cadeira porque não tem leito e nem maca para deitar. Fico muito triste porque meu filho está chorando, com dor, e sentado naquela cadeira com sono e num frio por causa do ar-condicionado. É uma situação muito triste para o ser humano", lamentou a mãe.

O QUE DIZ A SESA

Procurada por A Gazeta, a Sesa confirmou que o fluxo do Samu foi ajustado para o Hospital Estadual Infantil Nossa Senhora da Glória (Hinsg), o Infantil de Vitória, para não sobrecarregar o Himaba neste período de antecipação da transição da Organização Social. Garantiu que o pronto-socorro do Himaba não teve o atendimento interrompido e está funcionando normalmente, assim como todos os demais serviços da unidade, e afirmou ainda que não há desassistência no Hospital Infantil de Vitória.
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