ASSINE

Quanto cada escola investiu para levar o samba para a avenida em Vitória?

Para produzir carros alegóricos, fantasias, adereços, e ainda colocar milhares de componentes na avenida, agremiações investem alto. Despesas e receitas raramente estão equilibradas

Publicado em 18/02/2020 às 14h50
Atualizado em 20/02/2020 às 15h23
Unidos da Piedade abriu os desfiles de sábado, cuja apresentação foi estimada em R$ 700 mil. Crédito: Rodrigo Gavini
Unidos da Piedade abriu os desfiles de sábado, cuja apresentação foi estimada em R$ 700 mil. Crédito: Rodrigo Gavini

Um ano inteiro de trabalho para produzir o carnaval que, em pouco mais de uma hora, se acaba na avenida. Mas, após os desfiles, as escolas de samba ainda se veem às voltas com as contas da folia. A confecção de carros alegóricos, fantasias, adereços e tudo o mais que envolve a preparação das apresentações tem um custo alto, e nem sempre despesas e receitas ficam equilibradas.

Os carros luxuosos que a Mocidade Unida da Glória (MUG) levou para o Sambão do Povo no sábado (15), junto a todos os preparativos do desfile, exigiram um investimento vultuoso. As contas ainda estão sendo feitas, mas o presidente Robertinho da MUG estima na faixa de R$ 1,2 milhão a R$ 1,5 milhão. 

Ensaios na escola, venda de fantasias e eventuais patrocínios ajudam a custear os desfiles, porém nem sempre é o suficiente. Até porque, algumas vezes, o apoio pode faltar. As agremiações de Vila Velha ainda estão na expectativa de receber recursos da prefeitura. Além da MUG, a Independentes de São Torquato também espera a chegada da verba para ajudar a pagar as contas. Para cada uma serão R$ 200 mil cujo pagamento,  segundo a administração municipal, está sendo programado. 

"Fizemos carnaval com recursos nossos mesmo, e tivemos que nos virar para conseguir levar a escola para a avenida", ressalta o presidente Jonas Schneider, que estima gasto em torno de R$ 450 mil. 

Em Cariacica, a Independente de Boa Vista recebeu do município R$ 300 mil para o desfile, mas o presidente Emerson Xumbrega ainda não conseguiu finalizar as contas dos gastos que a escola teve com a apresentação. "De toda maneira, eu sei que não tivemos arrecadação suficiente", aponta.

As escolas de Vitória que desfilaram no grupo especial receberam, cada uma, pouco mais de R$ 302 mil da prefeitura. O valor é apenas uma parte do que as agremiações gastam para fazer um desfile que encante o público. A Imperatriz do Forte, que foi a agremiação com o menor investimento do grupo, já estimou despesas em torno de R$ 360 mil. "Não temos quadra para ensaios que ajudam a arrecadar; fizemos tudo com muita dificuldade",  desabafa o presidente  Gilson Barcelos. 

Já o presidente da Unidos da Piedade, Valdeir Lopes de Sá, calcula que a agremiação gastou cerca de R$ 700 mil na apresentação, enquanto Rogério Sarmento, da Unidos da Jucutuquara, afirma que a contabilidade será feita apenas depois do Carnaval oficial.  A Novo Império não deu retorno para a demanda. 

Presidente da Liga das Escolas de Samba do Grupo Especial (Liesge), Edvaldo Teixeira da Silva destaca que o Carnaval de Vitória promove o turismo, gera emprego e renda não apenas na Capital e, embora a cada ano fique maior - ou até mesmo por isso - as agremiações precisam de mais apoio. "Todo ano,  quando os desfilem terminam, as escolas estão devendo", lamenta. 

O prêmio para o 1º e 2º lugares no desfile ameniza um pouco, mas não  costuma ser o suficiente. Neste ano, a campeã vai receber R$ 40 mil e a vice, R$ 20 mil, segundo Edvaldo. A apuração do resultado será feita nesta quarta-feira (19). 

A Gazeta integra o

Saiba mais

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.