O desmoronamento de uma ponte na cidade de Baltimore, nos Estados Unidos após ser atingida por um navio cargueiro na última terça-feira (26) impressionou o mundo. A colisão fez com que a estrutura fosse caindo em partes na água. O acidente foi flagrado por uma câmera que monitorava a ponte em tempo real.
O acidente levantou a curiosidade sobre a segurança da Terceira Ponte, principal ligação entre as cidades de Vitória e Vila Velha, que fica na rota de navios a caminho do Porto de Vitória.
A ponte que caiu nos Estados Unidos tinha três quilômetros, mesma extensão da Terceira Ponte. Outra curiosidade liga as vias: em 1990 um navio cargueiro colidiu com a Terceira Ponte, mas o caso não comprometeu a estrutura nem chegou a colocar a vida das pessoas em risco.
Mas como será que é garantida a segurança da Terceira Ponte, estrutura inaugurada há mais de 34 anos? Segundo o governo do Espírito Santo, que atualmente administra a via, há dois sistemas distintos de proteção aos pilares.
Terceira Ponte: saiba como é a proteção para a passagem de navios
"De um lado, uma estrutura dupla de concreto com pedras. Do outro, um enrocamento de pedras. Essas estruturas protegem e amortecem os pilares de qualquer colisão de navios. Esses sistemas estão íntegros e são independentes à estrutura da ponte", informou a Secretaria de Estado de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi), por meio de nota.
A passagem de navios sob a Terceira Ponte, além de todas as regras de segurança estabelecidas pela Marinha, é sempre realizada junto a rebocadores. Atualmente, o limite de velocidade de navios ao passar pela região é de 5 nós, o que equivale a 9,2 quilômetros por hora. A regra está na Norma de Tráfego e Permanência de Navios e Embarcações no Porto de Vitória (Normap 1).
Já a Vports, autoridade responsável pela administração dos terminais do Porto de Vitória, informou que existe um sistema de monitoramento que contribui para a segurança no acesso de navios à baía, envolvendo a passagem por baixo da Terceira Ponte na rota.
Lucas Bozolon Mendes, gerente de Operações da Vports, explica que a empresa tem um sistema de monitoramento pioneiro e único no Brasil, o VTMIS, que garante a gestão do tráfego marítimo, todos os dias da semana, durante 24 horas.
"Por meio de câmeras e radares, localizados em pontos estratégicos, é possível acompanhar em tempo real o posicionamento de navios e sua movimentação, incluindo a rota traçada no acesso ao porto, estabelecendo contato direto por sistema de rádio com as embarcações. O objetivo é contribuir para a segurança das operações e garantir o cumprimento das normas locais, nacionais e internacionais", afirma.
A passagem de navios pela Terceira Ponte também é gerida pela Norma de Tráfego e Permanência de Navios e Embarcações no Porto de Vitória (Normap 1). Segundo Mendes, a normativa traz referências e parâmetros do canal do Porto de Vitória, incluindo itens como dimensões, profundidade, limites, capacidade, regras por horário, especificidades de cada berço, entre outras informações necessárias para acesso e manobra de navios.
"Além de trazer as especificidades do porto, está alinhada às normas estabelecidas pela Marinha e por parâmetros internacionais, como o sistema de balizamento marítimo IALA e o IHS Maritime. Para realizar mudanças representativas nessas normas, como alterar a velocidade permitida para tráfego dos navios, é necessário realizar novo estudo", detalha.
Mendes acrescenta que, neste mês, a Normap passou por uma atualização por conta do processo em curso de criação de um novo berço em Capuaba, incluindo na normativa seus parâmetros específicos para atracação.