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Apagão de mão de obra no setor de tecnologia
Apagão de mão de obra no setor de tecnologia. Crédito: rawpixel.com / Aew/ Freepik

Saiba as profissões que têm empregos sobrando por falta de mão de obra

Setor de tecnologia é o que mais sofre para encontrar profissionais capacitados para preenchimento de vagas; veja outros

Tempo de leitura: 5min
Vitória
Publicado em 05/02/2022 às 20h14

Mesmo com 14 milhões de desempregados em todo o país, empresas enfrentam dificuldades na hora de encontrar profissionais para preencher determinadas vagas. O problema é detectado nos mais diversos níveis de escolaridade, transformando-se em um verdadeiro apagão de mão de obra qualificada.

Entre os setores que mais sofrem com a falta de trabalhadores está o de Tecnologia da Informação. Segundo a supervisora de recrutamento e seleção da Rhopen Consultoria, Drielle Bianchini, as áreas ligadas a este segmento ocuparam lugares de destaque onde não há profissionais suficientes para atender a demanda.

“A velocidade com que a demanda por adoção tecnológica avança, por conta da transformação digital e a explosão de contratações por empresas de base tecnológica, colocam o mercado de TI no topo dos que necessitam de mão de obra”, observa.

Conforme uma pesquisa realizada pelo Núcleo de Engenharia Organizacional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pela Agência Alemã de Cooperação Internacional, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), a demanda será de 401 mil profissionais da área tecnológica nos próximos dois anos, entretanto, só haverá 106 mil trabalhadores disponíveis, o que representa uma lacuna de 74%.

Para o diretor-presidente da Associação Capixaba de Tecnologia (Act!on), Emílio Barbosa, a falta de mão de obra está ligada diretamente à formação.

“Esta é uma situação que ainda vai perdurar por muitos anos, pois não há um aumento de profissionais disponíveis no mercado. É necessário despertar o interesse dos jovens para essas carreiras. Eles precisam saber que são profissões muito rentáveis e com grande potencial”, comenta.

O home office também contribui para a falta de colaboradores na área, pois as empresas brasileiras estão perdendo profissionais para as internacionais. “Isso ocorre porque fica bem difícil competir com os salários”, lamenta.

Ele cita como exemplo de demanda maior que a oferta em cargos como programador de software, analista de infraestrutura e engenheiro de telecomunicações. É bom lembrar que além das empresas de tecnologia, organizações de outros segmentos também contratam estes profissionais.

Emílio Barbosa

Presidente da Act!on

"O grande problema é que a entrada no mercado é baixa. É possível ingressar neste mercado mesmo sem formação. A graduação não é uma exigência e até durante o estágio é possível ter uma boa remuneração"

A psicóloga e Diretora de Talentos da Selecta, Lívia Meneghel, complementa que com o mundo cada vez mais tecnológico, esses profissionais são muito disputados. Ela avalia que são pessoas que geralmente não estão disponíveis no mercado, que já estão trabalhando, então existe muita barganha de salário, é necessário apresentar ao profissional o projeto da empresa e verificar se o candidato vai ter aderência a ele.

“É preciso fazer todo um processo de persuasão nesse sentido. Por isso são profissionais difíceis de achar. Algumas empresas abrem mão da experiência e treinam os profissionais recém-formados, outras não”, ressalta a psicóloga.

Além da tecnologia, outros setores também estão apresentando dificuldade em encontrar candidatos qualificados para posições específicas. Um deles é a área comercial, conforme informações de Drielle Bianchini, da Rhopen.

Ela avalia que essa dificuldade se dá porque as empresas estão em busca de profissionais com perfis altamente qualificados em termos comportamentais e com conhecimentos técnicos específicos. Na opinião da supervisora, isso é uma consequência direta da evolução do comportamento do consumidor.

“Hoje, a pessoa que vai adquirir um produto ou serviço já vem com um volume de informação muito alto. Portanto, acaba exigindo mais do profissional que vai conduzir a venda. Quando a posição é para o mercado B2B (empresa para empresa), o desafio é ainda maior”, comenta.

Drielle destaca que no segmento industrial a busca por profissionais também é grande, pois há escassez de mão de obra qualificada. Ela também indica que outro grande grande desafio neste momento é atender a demandas de mercado exclusivas para pessoas com deficiência (PCD).

“Esse é um perfil que exige um modelo mais complexo de avaliação e as exigências para as posições também são elevadas. Ou seja, não é fácil de encontrar”, salienta.

Também há muitas opções de vagas nas áreas de logística, saúde assistencial, marketing digital e recursos humanos, que segundo Drielle, ficaram em alta durante o período de pandemia, pois esses serviços se tornaram essenciais para a manutenção da nova realidade pandêmica do mundo.

QUALIFICAÇÃO

O mercado de trabalho exige que os profissionais sejam cada vez mais bem preparados. E na indústria, a situação não é diferente. Para resolver o problema, a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), por meio do Senai, oferece cursos conectados com as demandas das empresas.

“Temos aumentado cada vez mais o seu diálogo junto ao setor produtivo e estamos atentos às novas cadeias globais para oferecer um portfólio de cursos em sintonia com as reais necessidades do mercado. A Federação entende que a educação, desde a sua base até os cursos técnicos, qualificação e aperfeiçoamento, tem que estar conectada com as necessidades do século XXI. O mundo está se transformando muito rapidamente e o ambiente corporativo acompanha esse dinamismo”, ressalta a presidente da Findes, Cris Samorini.

Ela aponta que com tantas transformações, as áreas que mais vão demandar a capacitação de profissionais com formação técnica no Espírito Santo nos próximos anos são: tecnologia da informação, metalmecânica, energias, telecomunicações, logística, transportes e informática.

A previsão é de que em 2022 o Senai ofereça mais de 24 mil vagas em cursos técnicos, qualificações e aprendizagem e aperfeiçoamento. Cris ressalta que este é o maior volume de vagas disponibilizadas nos últimos anos pela instituição. Ela lembra que sete em cada 10 alunos dos cursos técnicos estão empregados.

Sem dúvida nenhuma, um dos maiores aliados para profissionais que querem manter-se competitivos é a formação de qualidade. Para a psicóloga e diretora da Psico Store Consultoria, Martha Zouain, é possível se antecipar na busca de oportunidades, preparando-se para o que o mercado deseja. “Este pode ser exatamente o diferencial entre conquistar ou não um novo emprego”, avalia.

Segundo ela, pesquisas recentes, juntamente com a observação das mudanças que acontecem no cenário mundial, sinalizam tendências que devem se confirmar nos próximos anos. A diretora da Psico Store lembra que alguns segmentos encontram-se com investimentos maiores no nosso estado do que outros. Martha cita como exemplo a mineração, alimentos, tecnologia, serviços e logística.

Martha Zouain

Psicóloga

"As oportunidades devem aparecer para profissionais de nível superior, mas também de nível técnico. Para qualquer profissional, de qualquer área, cursos complementares continuam importantes. Projetos, gestão, liderança, tecnologia, inovação, comunicação, negociação, dentre outros, podem realmente ser o diferencial para abrir portas"

PROFISSÕES EM QUE EMPREGOS SOBRAM

No topo da lista, está a Tecnologia da Informação (TI). A área demandará cerca de 420 mil profissionais até 2024. O número, porém, se contrapõe à baixa quantidade de formação de mão de obra anual e desperta um alerta para o risco de um apagão de profissionais qualificados para ocupar os postos vagos.

Algumas oportunidades:

  1. Analista de Segurança da Informação
  2. Webmaster
  3. Analista de Desenvolvimento
  4. Programador/Desenvolvedor Web
  5. Cientista de dados
  6. Analista de BI
  7. Analista de Desenvolvimento de Sistemas
  8. Assistente de Recursos Humanos
  9. Engenheiro
  10. Arquiteto 

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