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Quase 700 funcionários são demitidos do setor de confecção em cidade do ES

Na Região Noroeste do Estado, as empresas estão adotando medidas para diminuir os impactos da crise e os gastos diante do novo cenário econômico

Publicado em 24/04/2020 às 10h26
Atualizado em 24/04/2020 às 10h26
Quase 700 funcionários do setor de confecções já foram demitidas em São Gabriel da Palha
A produção nas fábricas caiu bastante e os empresários já estão optando pela redução de carga horária e salário dos funcionários. Crédito: TV Gazeta Noroeste/Reprodução

A pandemia do novo coronavírus tem causado reflexos na economia de vários municípios capixabas. Em São Gabriel da Palha, por exemplo, o setor de confecções e vestuários já amarga prejuízos, o que resultou na demissão de quase 700 funcionários nos últimos dias.

De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Vestuário de Colatina (Sinvesco), Paulo Vieira, muitas das empresas do segmento precisaram readequar os gastos com a folha de pagamento de colaboradores. “Cinquenta porcento das empresas optaram por demissões. Na cidade de São Gabriel da Palha, por exemplo, são quase 700 demissões. É muito grande para um universo de 2,5 mil empregos lá naquela região”, explica.

Em outras cidades da região, o segmento está sendo diretamente impactado diante das medidas de prevenção adotadas para combater a proliferação da Covid-19. Em Colatina, com o comércio fechado durante os últimos 30 dias, a produção nas fábricas caiu bastante e algumas empresas tiveram o faturamento praticamente zerado.

Em algumas empresas, apenas a coleção de inverno, que já estava em andamento antes da pandemia continua em produção. Diante disso, vários empresários optaram pela redução da carga horária dos funcionários e, consequentemente, a redução proporcional do salário, o que não evitou, por exemplo, a demissão de 20% da equipe.

O Wdson Ramos é empresário do ramo e precisou mudar as decisões e ampliar os prazos para garantir as vendas. “A gente tem procurado fazer as próprias máscaras para poder ocupar um pouco mais. A gente também tem ainda uma produção a ser terminada e a gente está negociando com os clientes para dar um prazo um pouco melhor, para você fazer alguma coisa diferente, porque é nessa hora que todo mundo tem que está junto para as coisas funcionarem”, comenta.

Mais de 340 empresas integram o Polo de Confecções da Região Noroeste do Estado, que juntas geram juntas cerca de 8 mil postos de trabalho formal, além das vagas indiretas. De acordo com o sindicato do setor, 75% das fábricas deram férias e depois optaram por outras medidas de contenção de gastos.

Quase 700 funcionários do setor de confecções já foram demitidas em São Gabriel da Palha
Nessa reformadora de pneus a produção aumentou durante a pandemia . Crédito: TV Gazeta Noroeste/Reprodução

INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO

Se para o setor de confecção e vestuário os reflexos da pandemia já começaram a chegar, nas chamadas indústrias da transformação o trabalho tem aumentado. No entanto, a conselheira da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Walkinéria Bussolar, reforça que as demissões serão inevitáveis.

“Apesar da indústria em momento algum ela ter sido por decreto proibida de funcionar, nós tivemos indústrias que por si, pelo que ela produz, teve que parar. Então acredito que esse impacto ainda está por vir, numa proporção maior, ele ainda não chegou. Maio eu acho que vai ser o pico maior, onde podem vir muitas demissões. Acredito que 60% das indústrias entre micro, pequenas e até grandes empresas terão demissões”, ressalta.

Na contramão da crise, o empresário Mário Sérgio Nascimento, que é proprietário de uma fábrica de móveis, tem mantido o funcionamento com recursos próprios, mas espera apoio do governo e condições melhores dos bancos para conseguir superar os obstáculos.

“Meus maiores clientes são lojistas da Grande Vitória, e como as lojas já estão fechadas há mais de 30 dias, eles estão pedindo prorrogação de boletos. Meus dois caminhões têm mais de 30 dias que não viajam para fazer entrega, porque as lojas estão fechadas. Como eu não entrego, já não estou recebendo nem o que eu já vendi, quer dizer, estou sobrevivendo com os recursos próprios que a empresa tinha e vamos ver essa questão de capital de giro que os bancos e o governo estão oferecendo, com juros baixos para ver se a gente consegue salvar a empresa”, avalia.

Com informações de Gabriela Fardin, da TV Gazeta Noroeste

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