"Indústria capixaba ainda é excessivamente concentrada e dependente do mercado externo"
O Espírito Santo apresentou algumas das piores quedas em relação ao mês anterior, -4,9%, sendo a segunda taxa negativa consecutiva. Além disso, na comparação com o mesmo mês de 2018 a queda ficou em -24,3%. E por fim, no acumulado do ano para o período janeiro a novembro de 2019, a redução no Espírito Santo já chega a -14,9%, o pior valor entre as 15 regiões pesquisadas. Segundo o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) a queda de novembro de 2019 em relação a novembro de 2018, foi pressionada principalmente pela Indústria Extrativa (-31,8%) que reflete a queda de produtividade na produção de minério de ferro pelotizado e o setor de petróleo e gás natural. De acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), no acumulado do ano, a produção do setor de petróleo caiu -16,8% em comparação com o mesmo período do ano passado. Também tivemos quedas significativas nesse período na indústria de transformação (-16,9%), na qual vemos variações na fabricação de celulose e papel (-44,5%) e metalurgia (-28,9%). Apesar dos números, o empresariado capixaba segue confiante na recuperação econômica, segundo o Ideies/Findes, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) do Espírito Santo atingiu 64,1 pontos em dezembro de 2019, permanecendo acima dos 60,0 pontos e superior à média histórica (54,1 pontos). De fato, uma recuperação econômica nacional, como de fato é esperada, irá contribuir, mesmo que marginalmente, com a indústria local. Porém, ainda temos uma indústria excessivamente concentrada e dependente do mercado externo, o que nos torna sempre condicionados ao cenário internacional, sobretudo por uma alta demanda global por aço e celulose. Sendo assim, as expectativas para um bom 2020 irão girar em torno de uma retomada da economia local e de um crescimento global, além de um melhor clima quanto as tensões internacionais principalmente entre as duas maiores economias do planeta, EUA e China. (Naone Garcia, economista e conselheiro do Corecon)
"Nos próximos anos vamos observar um novo crescimento"
É um problema sério o que vem acontecendo com a indústria brasileira e especialmente a capixaba. Já tem cerca de 20 anos que a nossa matriz produtiva vem se desindustrializando. Optamos desde, pelo menos a 2003, a construir a nossa economia em cima de commodities. Tivemos um crescimento fantástico de 2002 a 2006 vendendo commodities, especialmente, para a China. Portanto, os dados da pesquisa não indicam que não estamos retomando o caminho do crescimento. Estamos retomando sim, ainda que vagarosamente, mas há indicativos que o PIB deste ano passa de 2% no Brasil. As reformas estão sendo feitas, nos próximos anos vamos observar um novo crescimento, mas ainda com centro em commodities. Mas, é bem possível que, se as reformas forem sérias, sobretudo, no tocante a viabilizar a ação dos empreendedores, ou seja, se as reformas conseguirem nos vocacionar novamente a indústria, nós pode mudar a nossa matriz econômica. Mas, essa pesquisa não indica que não retomamos o crescimento, somente indica a nossa desindustrialização.
(Vaner Corrêa, economista e conselheiro do Corecon)