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Preços de produtos típicos do verão sobem junto com a temperatura

A primavera mal começou e a procura por ventiladores e ar-condicionado, entre outros itens, já voltou a crescer nas lojas do Estado. Entretanto, estoque das empresas não acompanham a procura

Publicado em 15/10/2020 às 13h00
Mulher com calor em frente ao ventilador
Mulher com calor em frente ao ventilador. Crédito: shutterstock

As temperaturas mais baixas desde o final de semana quase fazem esquecer o calorão da semana passada. Quase. A primavera mal começou e muitos consumidores têm corrido às lojas para comprar ventiladores, ar-condicionado e outros produtos típicos do verão – e não sem motivo.

No último dia 3, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Estado registrou a maior temperatura do ano, que ficou próxima ao maior valor da história.

Em Alegre, no Sul do Espírito Santo, os termômetros marcaram 41,5ºC – somente 1ºC abaixo da temperatura recorde de 42,5º C, registrada em Cachoeiro de Itapemirim, também na região Sul, em 9 de janeiro de 1969.

Na Capital, a maior temperatura já observada foi de 39,6°C, em 25 de fevereiro de 2005, no bairro Ilha de Santa Maria. O Inmet informou ainda que, neste ano, a maior temperatura registrada em Vitória foi de 37,3º, no mesmo bairro. 

Se na primavera já está assim, como será no verão? O fato é que o aumento da procura por equipamentos para fugir do calor está diretamente relacionado à elevação dos preços.

Conforme explicou o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Espírito Santo (Fecomércio-ES), José Lino Sepulcri, em função da pandemia do novo coronavírus, muitas indústrias tiveram queda na produção e agora operam com estoques mais baixos.

"É a lei natural da oferta e demanda. O país passa por uma carência de reposição de equipamentos. No período de pandemia, grande parte das indústrias reduziu a produção, tanto pela baixa procura, como pela diminuição da oferta de matéria-prima – isso aconteceu não apenas nesse segmento, mas em outros, inclusive o setor automotivo."

Ou seja, como a procura por ventiladores, ar-condicionado, entre outros produtos, aumentou conforme as temperaturas foram subindo, mas os estoques não acompanharam essa elevação, os preços também subiram.

Membro do Departamento Nacional de Fabricantes de Ar-condicionado e gestor do Comitê de Eficiência Energética da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava), Luciano de Almeida Marcato observa que, além desse fator, como a demanda pelos equipamentos diminuiu muito nos primeiros meses da pandemia – inclusive pelo medo de utilizar o ar-condicionado em locais fechados –, os preços deixaram de ser reajustados, muito embora o câmbio tenha valorizado mais de 40% desde o início deste ano. 

"Os aparelhos vendidos recentemente são do estoque antigo. Agora, as empresas estão abastecendo o estoque para os próximos meses, já com preços reajustados. Então, houve essa elevação."

O preço do ar-condicionado, por exemplo, ficou 3,88% mais caro na Grande Vitória em setembro, na comparação com o mês anterior. No acumulado do ano, a alta chega a 2,5%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na última sexta-feira (9).

A pesquisa não mostra dados acerca do preço de ventiladores, contudo, representantes do comércio e do segmento de refrigeração confirmam que houve uma sutil elevação dos preços.

Apesar do aumento, que pode levar o consumidor a questionar se vale mesmo o investimento, ainda mais considerando que haverá uma elevação no valor da conta de energia diante do uso contínuo dos equipamentos, a tendência é que os preços comecem a se estabilizar.

"Mesmo com a chegada do verão, posteriormente, a tendência é que os preços se estabilizem no patamar atual. Quem tinha que reajustar, já reajustou", destacou Marcato.

DICAS PARA ECONOMIZAR COM O USO DOS APARELHOS

Se, por um lado, os gastos com chuveiro elétrico diminuem em épocas de calor, o uso frequente de ventilador e ar-condicionado pode elevar – e muito – o valor da conta de energia. Para quem está trabalhando em home office, e lida ainda com aumento de gastos relacionados ao uso constante do computador, por exemplo, o peso das despesas no orçamento pode parecer ainda mais preocupante.

Mas, não é preciso passar calor. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), coordenado pelo Ministério de Minas e Energia (MME), deram algumas dicas para economizar com energia ao usar esses e outros aparelhos.

  1. 01

    Ar-condicionado

    No verão, o ar-condicionado chega a representar um terço do consumo de energia da casa. Para gastar menos, regule a temperatura e evite o frio excessivo. Mantenha janelas e portas fechadas e o desligue quando o ambiente estiver desocupado. Se possível, dê preferência à ventilação natural ou de ventiladores. Mantenha os filtros limpos e coloque cortinas nas janelas que recebem sol direto.  Ao adquirir um novo aparelho, opte por um que tenha o selo máximo de eficiência energética Procel .

  2. 02

    Tomadas, inclusive de ventiladores

    Retirar os aparelhos da tomada quando possível, ou durante longas ausências. Deixar equipamentos em stand-by, isto é, conectados à tomada, mesmo quando não estão ligados, também consome energia. Mudar esse hábito, não apenas em relação aos ventiladores, mas também outros equipamentos, pode reduzir o gasto com energia elétrica em até 12%.

  3. 03

    Iluminação

    Pintar o ambiente com cores claras pode não apenas tornar o ambiente mais iluminado, como ajudar a diminuir a sensação de calor. Mas, em se tratando de iluminação, a regra é simples: dê preferência à  iluminação natural ou lâmpadas econômicas, e lembre de sempre apagar a luz ao sair de um cômodo.

  4. 04

    Geladeira

    Só deixe a porta da geladeira aberta o tempo que for necessário. Regule a temperatura interna de acordo com o manual de instruções, e nunca coloque alimentos quentes dentro do equipamento. Deixe espaço para ventilação na parte de trás da geladeira e não utilize-a para secar panos ou peças de roupa. Descongele a geladeira e verifique as borrachas de vedação regularmente. Além disso, não forre as prateleiras.

  5. 05

    Ferro de passar

    Junte roupas para passar de uma só vez. Separe as peças por tipo e comece por aquelas que exigem menor temperatura. E, principalmente, nunca deixe o ferro ligado enquanto faz outra coisa. Além de gastar energia,  o hábito pode provocar acidentes que vão desde peças de roupa queimadas a incêndios.

  6. 06

    Chuveiro elétrico

    Tome banhos mais curtos, de até cinco minutos. Em dias quentes, ajuste a chave de seu chuveiro para a posição "verão". Dessa forma, o consumo de energia é reduzido em 30%. Feche a torneira quando se ensaboar, assim você economiza água e energia.

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