Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Composição do valor

Entenda de quem é a culpa pela alta no preço dos combustíveis

Governo federal, Petrobras e Estados têm duelado sobre os motivos dos aumentos nas bombas. Mas afinal, o que tem feito os combustíveis ficarem mais caros?

Publicado em 09 de Outubro de 2021 às 08:26

Aline Nunes

Publicado em 

09 out 2021 às 08:26
Data: 28/11/2019 - ES - Vitoria - Posto de Gasolina - Editoria: Cidades - Foto: Ricardo Medeiros - GZ
Carro sendo abastecido com gasolina em posto de Vitória Crédito: Ricardo Medeiros
Em meio ao embate entre o governo federal e os Estados sobre o preço dos combustíveis, com a Petrobras aderindo ao discurso de que a culpa pela alta da gasolina seria dos impostos estaduais, uma onda de desinformação sobre o tema invadiu as redes sociais. Os boatos afirmam, de forma equivocada, que o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), tributo estadual, é o único que incide sobre o valor dos combustíveis, o que é falso.
A verdade é que a formação do preço final que o consumidor paga ao abastecer é feita considerando uma série de variáveis. São diversas cobranças, que vão bem além do que apenas o ICMS e o custo da realização da Petrobras, que aliás, vai ficar ainda mais caro. Nesta sexta-feira (8), a estatal anunciou um novo aumento de 7,2% sobre o preço da gasolina nas refinarias.
Os ataques que petroleira vem fazendo aos Estados foi parar na Justiça, com a empresa sendo acusada de propaganda enganosa. Para saber por que a conta está pesando mais no bolso do consumidor, é preciso entender como é feita a composição dos preços.
Na página oficial da Petrobras – estatal de economia mista, cujo principal acionista é a União – pode-se observar que quatro impostos incidem diretamente sobre o preço da gasolina.
Desses, três são federais: a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), o Programa de Integração Social (PIS/Pasep) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Também incide o ICMS, recolhido pelos Estados.
Nessa conta, ainda se somam o valor repassado pelas distribuidoras do combustível, a margem dos postos, o custo do álcool anidro - que compõe a gasolina comercializada no Brasil - e o "preço de realização do produtor", no caso, a Petrobras. 
Contudo, ao contrário do que tem sido sugerido pelo governo de Jair Bolsonaro (sem partido), a maior participação no custo da gasolina não é do tributo estadual que, na média nacional, estava em 27% em setembro.
Na composição do preço, a parte que cabe à Petrobras é a que representa a maior fatia do valor que chega na bomba dos postos. 
Composição de preço da gasolina no Brasil
Composição de preço da gasolina no Brasil Crédito: Reprodução/Petrobras
Além de o ICMS não representar a maior fatia do custo da gasolina, Marcelo Altoé, secretário da Fazenda do Espírito Santo, explicou que a redução do preço do combustível não está diretamente relacionada à diminuição da alíquota do imposto estadual porque há outros componentes que afetam o valor que chega ao consumidor. 
O valor do ICMS decorre de uma base de cálculo - o PMPF (Preço Médio Ponderado a Consumidor Final) - e sobre essa base é aplicada uma alíquota.
"Todo tributo no Brasil é assim: existe uma base, sobre ela incide uma alíquota e se chega ao resultado do tributo a ser recolhido. No caso do Espírito Santo, a alíquota do ICMS é a mesma desde 2006 (27% e a 3ª menor do país). Como a alíquota é a mesma, o que faz variar o valor do ICMS é exclusivamente a base de cálculo", pontua o secretário. 
Altoé esclarece que é sobre essa base de cálculo, o PMPF, que entra a política de preços da Petrobras. "O Estado, portanto, não tem como intervir diretamente no PMPF", acrescenta. 
Para se chegar ao preço ponderado ao consumidor, a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) reúne as notas fiscais de toda a comercialização de gasolina no Espírito Santo e calcula a média. Há um ano, o PMPF era R$ 4,30. Já no último levantamento, do dia 16 de setembro, estava em R$ 6,06, isto é, quase R$ 2 a mais no intervalo de 12 meses. 
Esse cálculo do PMPF é feito quinzenalmente. No entanto, diante das altas nos preços, o governo capixaba congelou no final de setembro o PFMF para evitar que os aumentos sejam ainda maiores. Com isso, a base de cálculo não será atualizada. 
Em entrevista recente para A Gazeta, o secretário ressaltou que não procede o discurso do governo federal e da Petrobras, que afirmam que compete aos Estados reduzir o ICMS para baixar o valor da gasolina.
"A partir do momento que não variou a alíquota do ICMS, não tem como imputar aos Estados a responsabilidade pelo aumento do combustível. O que está aumentando é a base de cálculo e sobre essa base o Estado não tem como atuar, porque é a política de preços praticada pela Petrobras", reforçou. 
A estratégia adotada para conter a elevação dos custos no Estado, de não atualizar a base de cálculo, consiste em manter o valor vigente anteriormente. Assim, diminui a arrecadação, mas, ao mesmo tempo, evita que o aumento seja maior para o consumidor. 
A variação cambial é também um componente no valor do combustível, considerando que a política de preços da Petrobras está alinhada à cotação do petróleo no mercado internacional. Altoé observa, porém, que as oscilações no preço do barril são para cima e para baixo, mas, para o consumidor, praticamente não se vê aplicada a redução e os reajustes são para cima na maioria dos casos. 
Questionado se a Petrobras deveria voltar a intervir no preço do combustível com antigamente, o secretário avaliou que, ao menos, a petroleira deveria acompanhar o cenário mais de perto para que, quando houver redução no preço do barril no mercado internacional, o custo menor chegue também às bombas de gasolina no Brasil. 
Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Garupa de moto morre em acidente envolvendo carreta em Castelo
Jovem morre após ficar preso entre rodas de carreta em acidente em Castelo
Imagem BBC Brasil
Lula anuncia reajuste de 15% no Bolsa Família, às vésperas da eleição
PF faz operação contra comercialização de cigarros eletrônicos
PF apreende cigarros eletrônicos enviados do Paraná para Cachoeiro

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados