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Gás de cozinha e conta de luz puxam custo de vida em setembro no ES

Inflação medida pelo IPCA mostra que na Grande Vitória, no mês passado, gastos com habitação, por exemplo, aumentaram 3,10% e com alimentos 1,6%. Somente energia elétrica teve alta de 7,35%

Publicado em 08/10/2021 às 10h34
Energia elétrica
Conta de energia elétrica tem pressionado o orçamento das famílias no Espírito Santo. Crédito: Carlos Alberto Silva

O avanço da inflação de itens básicos do dia a dia, como energia elétrica, gás de cozinha, alimentos e gasolina, tem pressionado o custo de vida das famílias capixabas. Em setembro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentou alta de 1,24% na Grande Vitória, um aumento acima da média nacional (1,16%).

No ano, o indicador inflacionário alcança 7,93% na Região Metropolitana capixaba, um ponto percentual acima da inflação oficial do país (6,9%).

Um dos grandes pesos na elevação dos gastos do consumidor é o setor de habitação, que registrou 3,1% de inflação no período. Logo depois, aparecem as despesas com alimentação (1,6%). Os dois segmentos apresentam os maiores pesos no cálculo do IPCA. São, respectivamente, 16,19% e 17,15%.

Os vilões do orçamento no quesito moradia, conforme mostra a pesquisa, são os combustíveis (como o botijão de gás e a energia elétrica) com alta de 6,84% somente em setembro, cinco pontos percentuais acima do segundo colocado que é a alimentação no domicílio (1,81%). A conta de luz, sozinha, apresentou inflação de 7,35%. Já o gás de cozinha ficou com 4,83%.

No segmento de transporte, a altas significativas foram vistas na venda de passagens áreas (14,5%) e no serviço de locomoção urbana por aplicativo (12,17%). Já a gasolina, no mês passado, registrou 1,5% de alta.

ALIMENTOS

No setor de alimentação, a cesta de frutas ficou mais salgada. Crise hídrica e fenômenos como frio no Sul do país, que causou geadas recentemente, afetaram a produção do agronegócio. Entre as maiores altas estão o limão (30,6%), mamão (29,14), banana-prata (17,81) e laranja-pera (12,95%).

Entre outros itens que compõem a alimentação das famílias, destaca-se o café moído (10,1%), o açúcar cristal (7,9%), o frango inteiro (6,56%), batata-inglesa (5,84% e frango em pedaços (5,04%).

INFLAÇÃO NO BRASIL

A inflação teve alta de 1,16% em setembro, a maior para o mês desde 1994, quando o índice foi de 1,53%. Com isso, o indicador acumula altas de 6,90% no ano e de 10,25% nos últimos 12 meses, acima do registrado nos 12 meses imediatamente anteriores (9,68%). Em setembro do ano passado, a variação mensal foi de 0,64%. Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado hoje (8) pelo IBGE.

Oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados subiram em setembro, com destaque para habitação (2,56%), que foi puxado pelo aumento de 6,47% na conta de energia elétrica. Em setembro, passou a valer a bandeira tarifária “escassez hídrica”, que acrescenta R$ 14,20 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos. No mês anterior, vigorou a bandeira vermelha patamar 2, em que o acréscimo é menor, R$ 9,49. Além disso, houve reajustes tarifários em Belém, Vitória e São Luís.

“Essa bandeira foi acionada por conta da crise hídrica. A falta de chuvas tem prejudicado os reservatórios das usinas hidrelétricas, que são a principal fonte de energia elétrica no país. Com isso, foi necessário acionar as termelétricas, que têm um custo maior de geração de energia. Assim, a energia elétrica teve de longe o maior impacto individual no índice no mês, com 0,31 ponto percentual, acumulando alta de 28,82% em 12 meses”, explica o gerente do IPCA, Pedro Kislanov.

Os preços do gás de botijão (3,91%) também continuaram subindo em setembro. “A gente tem observado uma sequência de aumentos do GLP (gás liquefeito de petróleo) nas refinarias pela Petrobras. Há ainda os reajustes aplicados pelas distribuidoras. Com isso, o preço para o consumidor final tem aumentado a cada mês. Já foram 16 altas consecutivas. Em 12 meses, o gás acumula aumentos de 34,67%”, detalha Kislanov.

O grupo dos transportes (1,82%) acelerou, mais uma vez, por conta dos combustíveis, que subiram 2,43%, influenciados, pela gasolina (2,32%) e o etanol (3,79%). Em 12 meses, a gasolina já aumentou 39,60% e o etanol, 64,77%. Também subiram no mês o gás veicular (0,68%) e o óleo diesel (0,67%).

As passagens aéreas (28,19%) tiveram a maior alta entre os itens não alimentícios no mês, após queda de 10,69% em agosto, registrando o terceiro maior impacto individual no índice geral. Os preços dos transportes por aplicativo avançaram 9,18% em setembro, e já tinham subido 3,06% no mês anterior.

Alimentação no domicílio desacelera com queda nos preços das carnes

Alimentação e bebidas (1,02%) tiveram uma leve desaceleração em relação a agosto (1,39%) por conta do recuo das carnes (-0,21%), após sete meses consecutivos de alta, o que acabou puxando a alimentação no domicílio para baixo (1,19%), frente ao resultado de 1,63% no mês anterior. “Essa queda das carnes pode estar relacionada à redução das exportações para a China. No início do mês, houve casos do mal da vaca louca na produção brasileira. Com a suspensão das exportações, aumentou a oferta de carne no mercado interno, o que pode ter reduzido o preço”, explica Pedro Kislanov.

Também recuaram os preços da cebola (-6,43%), do pão francês (-2,00%) e do arroz (-0,97%). “No caso do pão francês, tivemos uma redução no preço do trigo no mercado internacional, o que pode ter impactado esse resultado”, disse Kislanov.

Por outro lado, o IPCA continua registrando altas expressivas na alimentação dentro do domicílio. É o caso das frutas (5,39%), que contribuíram com 0,05 p.p. no índice de setembro, do café moído (5,50%), do frango inteiro (4,50%) e do frango em pedaços (4,42%). “O frango tem subido bastante por conta da alta do custo da ração animal. Ele também é impactado pela alta da energia elétrica. Por ser um substituto das carnes, o preço do frango costuma subir com a maior demanda”, explica o gerente do IPCA.

Também aumentaram em setembro os preços da batata-doce (20,02%), da batata-inglesa (6,33%), do tomate (5,69%) e do queijo (2,89%).

A alimentação fora do domicílio desacelerou, passando de 0,76% em agosto para 0,59% em setembro. O principal fator foi o recuo do lanche (-0,35%), que havia subido 1,33% no mês anterior. A refeição teve alta de 0,94%, acima do 0,57% observado em agosto. Além disso, os preços da cerveja (1,32%) e do refrigerante e água mineral (1,41%) também subiram em setembro.

Os grupos habitação, transporte e alimentação e bebidas contribuíram com cerca de 86% do resultado de setembro (1 p.p. do total de 1,16). Os demais ficaram entre a queda de 0,01% em educação e a alta de 0,90% em artigos de residência.

O aumento dos preços ocorreu em todas as áreas pesquisadas em setembro. O maior índice foi registrado em Rio Branco (1,56%), influenciado pelas altas nos preços da energia elétrica (6,09%) e do automóvel novo (3,57%). Já o menor resultado ocorreu em Brasília (0,79%), por conta da queda nos preços da gasolina (-0,81%) e do seguro de veículo (-3,36%).

Com informações da Agência IBGE

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