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Decisão da Opep

Entenda como o aumento mundial na produção de petróleo vai impactar o ES

Com mais produto disponível, é esperado que haja queda no preço do barril de petróleo, o que poderá se refletir nos preços ao consumidor e na arrecadação pública

Publicado em 19 de Julho de 2021 às 20:39

Natalia Bourguignon

Publicado em 

19 jul 2021 às 20:39
Produção de petróleo em terra: Petrobras vai vender blocos
Países da Opep vão aumentar produção Crédito: Petrobras/Divulgação
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (Opep+) decidiu neste domingo (18) aumentar a produção de petróleo no mundo a partir de agosto. O objetivo é segurar a alta dos preços do barril que, segundo analistas, poderia chegar aos US$ 100 no segundo semestre.
Atualmente, o valor do barril de petróleo brent, que é a referência internacional, está próximo de US$ 70, ou seja, em um patamar similar ao período pré-pandemia. Contudo, a produção é menor e a demanda, puxada pela retomada econômica dos países desenvolvidos, vem crescendo.
Essa combinação, associada ao dólar alto, tem levado a Petrobras a subir os preços da gasolina, do diesel e dos gás de cozinha. No Espírito Santo, alguns postos já chegam a vender gasolina a R$ 6,69 o litro.
Para especialistas, o incremento na produção de petróleo pelos membros da Opep deve provocar uma desaceleração no aumento do preço do barril, o que teria reflexos no Brasil e no Estado, inclusive no preço dos combustíveis.
Para o especialista em petróleo e gás Fernando Taboada, essa medida foi tomada porque os países da Opep reduziram a produção durante a pandemia e agora têm margem para crescimento e podem usar essa estratégia para regular o preço do barril. A situação é diferente para a Petrobras, que produz petróleo para o mercado interno.
“O Brasil já produz o máximo que pode. Esses países têm uma margem para aumentar. O Brasil nunca se preocupou com isso porque a empresa (Petrobras) é verticalizada e tem objetivo de abastecer o mercado. Então nunca fez estoque visando uma mudança de preço”, aponta.
O acordo prevê uma produção extra de 400 mil barris por dia a cada mês até que toda produção interrompida durante a pandemia tenha sido reativada. A Petrobras afirmou que não comenta decisões da Opep.
Mesmo sem mudança na quantidade produzida pela estatal brasileira, os efeitos da decisão internacional podem chegar ao Brasil sob a forma de uma desaceleração na alta dos combustíveis, por exemplo.
“Para a Petrobras, enquanto empresa de petróleo, nunca é bom. Porque o petróleo alto significa mais receita para ela. Mas é interessante para o governo. Nós estávamos imaginando uma pressão grande nos preços dos combustíveis no segundo semestre. Dependendo do efeito desse acordo da Opep no preço do barril, essa pressão pode ser menor, podemos ter aumentos menores nos preços dos combustíveis nos segundo semestre”, afirma o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie) e especialista em energia, Adriano Pires.

CÂMBIO PREOCUPA

Ele pondera, porém, que para que essa mudança seja sentida pelos brasileiros, é preciso que o dólar se mantenha, pelo menos, estável. Se houver uma desvalorização ainda maior do real, é possível que ela acabe compensando a queda no preço do barril de petróleo.
O câmbio também é apontado como fator preocupante para o economista e professor da Fucape, Felipe Storch.
“Se o dólar continuar subindo - e ele voltou a subir nas últimas semanas por conta de instabilidade política - ele compensa a queda no preço do barril. O petróleo cai de um lado e o dólar sobe do outro. Em real essa redução não chega pra gente”, aponta.
Ele acrescenta que a própria retomada econômica dos países que estão em estágios mais avançados de vacinação também pode contrapor esse incremento na produção dos países membros da Opep. Isso porque se a demanda aumentar na mesma proporção que a produção, é possível que a queda nos preços do barril não aconteça.

QUEDA NA ARRECADAÇÃO COM ROYALTIES

Ainda segundo o professor, para os Estados produtores de petróleo, como é o caso do Espírito Santo, a lógica é inversa.
Como eles recebem recursos dos royalties - que têm como base de cálculo o preço do barril e a cotação da moeda americana -, uma redução no valor do brent pode significar uma queda na arrecadação.
“O efeito pros royalties é oposto ao do consumidor final. Se o preço do petróleo diminuir, pra gente é bom, mas para a arrecadação é ruim”, diz.
Até junho deste ano, o Espírito Santo já arrecadou R$ 386 milhões em royalties, segundo informações da Agência Nacional de Petróleo (ANP). No ano passado, quando o preço do barril despencou por causa da pandemia, a arrecadação foi de R$ 275 milhões no mesmo período.

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