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Coronavírus leva o comércio do ES a pior queda nas vendas em 20 anos

Redução foi de 17,9% em abril, mês com ações mais fortes de combate ao avanço da Covid-19. Vestuário apresentou retração de 82,5%, a maior entre os outros segmentos comerciais

Publicado em 16/06/2020 às 11h31
Atualizado em 16/06/2020 às 15h19
Vitória - ES - Abertura do comércio na avenida Jerônimo Monteiro no Centro de Vitória.
Abertura do comércio foi parcial no Espírito Santo. Crédito: Vitor Jubini

As vendas no comércio varejista do Espírito Santo caíram 17,9% em abril em comparação com o mês anterior. A retração, o pior resultado em 20 anos, tem forte ligação com as medidas de combate à pandemia do novo coronavírus, como mostra a Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada nesta terça-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Abril foi o mês com maiores restrições econômicas impostas pela quarentena iniciada no final de março. A maior parte das lojas, principalmente, na Grande Vitória, manteve-se fechada por todo o mês, funcionando apenas os estabelecimentos considerados essenciais. É a primeira vez que a pesquisa traz os resultados de um período inteiro de confinamento.

A volta das atividades foi feita de forma gradual no Estado, começando com as autorizações para a abertura dos negócios nos municípios do interior ainda em abril. No entanto, na Região Metropolitana o retorno ocorreu apenas em maio e não foi total. Até agora, as lojas de rua podem abrir em dias alternados.

Os shopping centers foram liberados para funcionar desde o início de junho, mas apenas de segunda a sexta e com horário reduzido.

Com o fechamento prolongado do comércio, os números do IBGE revelam o grave problema econômico deixado pelo avanço da Covid-19 no Estado.

De acordo com o levantamento, as quedas nas vendas só não foram mais profundas por causa dos setores considerados essenciais. Supermercados e hipermercados, por exemplo, tiveram crescimento de 12,3% nas vendas em abril em comparação com março. Em relação a quarto mês de 2019, o avanço foi de 8,1%.

Outros segmentos, no entanto, bateram recorde de redução de vendas. O mais afetado foi o de tecido, vestuários e calçados: 82,5% de queda em abril. Depois aparece de livros, jornais, revistas e papelaria, com redução de 72,4%. Em seguida estão: móveis (-59,8), artigos de uso pessoal e doméstico (-52,5%), equipamentos para escritório (-47,9), combustíveis (-39,2),  eletrodomésticos (-32,5%) e artigos farmacêuticos (-4,4%).

No comércio varejista ampliado, que inclui os setores de veículos e de material de construção, o impacto foi o segundo mais forte do país. As vendas tiveram redução de 23,4%.

O peso maior nessa conta é o de venda de automóveis, motocicletas e peças. Em abril, a queda foi de 46,6%. Já as lojas de material de construção, apesar da crise, conseguiram expandir em 3% as comercializações.

RETRAÇÃO NACIONAL

No país, segundo o IBGE, as vendas no comércio varejista caíram 16,8% na comparação com o mês anterior, refletindo os efeitos do isolamento social para controle da pandemia de Covid-19. É o pior resultado desde o início da série histórica, em janeiro de 2000, e a segunda queda consecutiva, acumulando uma perda de 18,6% no período.

O recuo nas vendas no varejo atingiu, pela terceira vez desde o início da série, todas as oito atividades pesquisadas. A maior queda foi em Tecidos, vestuário e calçados (-60,6%), seguido de Livros, jornais, revistas e papelaria (-43,4%) e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-29,5%).

Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-11,8%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-17%), setores com atividades consideradas essenciais na pandemia e que tiveram avanço no mês passado, caíram em abril.

“Em março, podemos imaginar o cenário em que essas atividades essenciais absorveram um pouco das vendas das outras atividades que tinham caído muito, mas nesse mês isso não foi possível. Tivemos também uma redução da massa salarial que, entre o trimestre encerrado em março para o encerrado em abril, caiu 3,3%, algo em torno de 7 bilhões de reais. Isso também refletiu nessas atividades consideradas essenciais”, explica o gerente da PMC, Cristiano Santos.

Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-29,5%), Móveis e eletrodomésticos (-20,1%) e Combustíveis e lubrificantes (-15,1%) completam o grupo das atividades que tiveram queda em abril.

Já o volume de vendas do comércio varejista ampliado, que integra também as atividades de veículos, motos, partes e peças (-36,2%) e material de construção (-1,9%), caiu 17,5% nesse mês. “No caso do ampliado, ele já vinha numa queda intensa desde o mês passado (-13,7%), especialmente devido ao recuo em veículos, motos partes e peças”, comenta Cristiano.

O patamar de vendas chegou ao seu ponto mais baixo, registrando os maiores distanciamentos dos recordes históricos, tanto para o comércio varejista (22,7% abaixo do nível recorde, em outubro de 2014) quanto para o comércio varejista ampliado (34,1% abaixo do recorde, em agosto de 2012).

De acordo com o gerente da pesquisa, o resultado do volume de vendas no varejo é uma intensificação do resultado de março, quando o impacto não pôde ser sentido completamente. Do total de empresas coletadas pela pesquisa, 28,1% relataram impacto em suas receitas em abril por conta das medidas de isolamento social, contra 14,5% no mês de março.

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