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Auxílio emergencial é pago ao ex-pastor George, acusado de matar os irmãos Kauã e Joaquim

Por estar inscrito no CadÚnico, o suspeito de assassinar o filho e o enteado recebeu automaticamente o benefício do governo

Publicado em 27/07/2020 às 17h27
Atualizado em 27/07/2020 às 18h55
O pastor George Alves negou em todos os momentos que tenha abusado das crianças.
O pastor George Alves está preso em Viana. Ele nega os crimes. . Crédito: Fernando Madeira

Mesmo detido em uma unidade prisional em Viana, Georgeval Alves Gonçalves, figura central de um dos crimes mais brutais já cometidos no Espírito Santo obteve acesso a R$ 1.800 do auxílio emergencial do governo federal. Ele é acusado de homicídio duplamente qualificado, estupro de vulnerável e tortura praticada contra o filho de 3 anos e o enteado, de 6. O caso aconteceu em Linhares, em abril de 2018.   

Segundo registros do Dataprev, Georgeval, conhecido na época do crime como pastor George Alves, recebeu até o momento pelo menos três parcelas de R$ 600 reais. Outras duas ainda estão pendentes.Não é possível saber se ele sacou ou utilizou o dinheiro.

Como é inscrito no CadÚnico, o cadastro nacional de famílias em situação de pobreza, Georgeval não precisou baixar o aplicativo da Caixa e fazer o cadastro para acessar o benefício. Pelas regras do auxílio, todos os inscritos no CadÚnico recebem automaticamente o recurso contanto que cumpram os requisitos mínimos. 

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Como A Gazeta já apontou em outras ocasiões, uma falha no sistema do governo federal acabou pagando automaticamente o auxílio até para quem não se encaixava nas regras do programa, que é destinado às pessoas em situação de pobreza por conta da pandemia de coronavírus.  Pessoas que cumprem pena em regime fechado, como é o caso de Georgeval, não poderiam receber, mas os dados não foram cruzados.

 A reportagem tenta contato com a defesa de Georgeval.

Georgival consta na base de dados da Dataprev como um dos beneficiários do auxílio emergencial
Georgival consta na base de dados da Dataprev como um dos beneficiários do auxílio emergencial. Crédito: Reprodução

O Ministério da Cidadania, responsável pela gestão do auxílio emergencial, informou em nota que as informações que estão sendo inseridas no site e no aplicativo do benefício são cruzadas com vários bancos de dados oficiais de documentação e situação econômica e social. "Até o momento, o Governo Federal recuperou, R$ 83,6 milhões pagos a pessoas que não se enquadravam nos critérios para recebimento do benefício", disse.

Ainda segundo o ministério, quem quiser denunciar algum pagamento irregular, pode fazê-lo pelo sistema Fala.Br (Plataforma integrada de Ouvidoria e Acesso à Informação da CGU), ou pelos telefones 121 ou 0800–707–2003.

RELEMBRE O CASO

  O crime aconteceu no dia 21 de abril de 2018, na residência onde a família morava no Centro de Linhares, Região Norte do Estado. As crianças morreram após terem sido abusadas sexualmente e queimadas vivas. Elas estavam em casa, com o pastor. A mãe estava em Minas Gerais, com o filho mais novo do casal.

Sete dias após o crime o ex-pastor foi preso, ainda durante o inquérito policial. Ele permanece no Centro de Detenção Provisória de Viana 2, na Grande Vitória.

Em maio do ano passado, o juiz André Bijos Dadalto, concluiu pela pronúncia do ex-pastor George, levando o líder religioso a júri popular. Na mesma decisão, o magistrado entendeu que Juliana não deveria responder pelos crimes pelo qual foi denunciada.

Após a sentença, dada na primeira instância, os advogados de defesa de Georgeval entraram com recurso no Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) pedindo que a decisão seja revista.

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