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Após acidentes com mortes, sindicato cobra fiscalização em pedreiras do ES

Em dois dias nesta semana, dois acidentes foram registrados em pedreiras localizadas no Noroeste do Espírito Santo. Duas pessoas morreram e duas ficaram feridas

Publicado em 16/07/2020 às 11h58
Atualizado em 16/07/2020 às 12h32
Após acidentes com mortes, sindicato cobra fiscalização em pedreiras do ES
Após acidentes com mortes, sindicato cobra fiscalização em pedreiras do ES. Crédito: TV Gazeta/Reprodução

Na semana em que o setor de mármore e granito capixaba registrou duas mortes de funcionários que atuavam na extração de rochas em empresas localizadas na Região Noroeste do Estado, o Sindicato dos Trabalhadores do Mármore e Granito do Espírito Santo (Sindimármore) cobrou mais fiscalização dos órgãos competentes para reduzir os riscos de acidentes.

Na última segunda-feira (13), uma explosão em uma pedreira no interior de Barra de São Francisco matou uma pessoa identificada pela empresa como Jeeam Lucindo Caseli, de 31 anos, e deixou outras duas feridas – que continuam internadas em hospitais da região. No dia seguinte, outro acidente em pedreira matou o trabalhador Aziel Betzel, de 32 anos, em Nova Venécia.

Em entrevista para a TV Gazeta, o secretário do Sindimármore, Reginaldo Célia, ressaltou que o sindicato atua com o objetivo de preservar a saúde e segurança dos funcionários do setor. “O sindicato não tem como fazer essa fiscalização. O sindicato tem poder de denúncia apenas, então quem tem que fazer a outra parte são os órgãos. A gente vem cobrando uma fiscalização, mas isso não vem acontecendo”, comentou.

Em um comunicado divulgado no site da entidade, o sindicato reforçou que “os acidentes no setor enlutam famílias, chocam a população, indignam a Justiça, mas as tragédias continuam acontecendo. O Sindimármore, mais uma vez, está fazendo denúncias junto aos órgãos competentes”.

O sindicato também cobra mais investimentos em para evitar outros acidentes. “É preciso que os empresários entendam que acidentes podem ser evitados. São necessários investimentos em segurança, em treinamento do trabalhador, em equipamentos novos. O local de trabalho é onde nossos trabalhadores deveriam ganhar vida, não perdê-la”, diz o comunicado.

O QUE DIZ O MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO DO ES

Em nota enviada à TV Gazeta, o Ministério Público do Trabalho no Espírito Santo (MPT-ES) informou que “teve ciência dos três acidentes de trabalho em pedreiras nos últimos dias e já autuou notícias de fato (NFs) para realizar as investigações”.

Segundo o MPT-ES, “o procedimento de investigação será instruído com relatórios de perícias técnicas a serem elaboradas pela Superintendência Regional do Trabalho (SRT) ou por outras equipes técnicas especializadas em segurança e medicina do trabalho, bem como pela tomada de depoimentos de testemunhas, requisição de documentos, realização de diligências e demais medidas que se fizerem necessárias para o devido esclarecimento dos fatos e atribuição de responsabilidades pelos acidentes”.

O órgão ressaltou ainda que, ao constatar o descumprimento da legislação trabalhista, “o MPT poderá propor aos investigados a assinatura de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), com o objetivo sanar administrativamente as irregularidades constatadas no curso da investigação, ou mesmo ingressar com uma ação no âmbito da Justiça do Trabalho para a defesa dos direitos coletivos”.

O QUE DIZ O SINDIROCHAS

O presidente do Sindicato da Indústria de Rochas Ornamentais, Cal e Calcários do Espírito Santo (Sindirochas), Tales Machado, ressaltou que a entidade auxilia as empresas com cursos e treinamentos para diminuir os riscos de acidentes. “Nós, do Sindirochas, trabalhamos muito em levar informação para as nossas empresas associadas, temos vários cursos, diálogos com o Exército, palestras sobre como atender as normas do Exército, entre outros. É a função que o Sindirochas tem, de treinar as empresas, treinar seus funcionários e dar visibilidade aos riscos para um maior debate para minimizarmos esses riscos”, disse Machado em entrevista à TV Gazeta.

Segundo Machado, o sindicato patronal trabalha com foco em evitar que acidentes como esses voltem a acontecer. “É muito ruim para o setor. Trabalhamos com o objetivo de segurança total, acidente zero e toda vez que acontece uma calamidade dessa, ficamos, todo mundo, com a tristeza. É muito ruim para o setor”, disse.

O QUE DIZEM AS EMPRESAS CITADAS

A reportagem de A Gazeta procurou, nesta quinta-feira (16), o Grupo Guidoni e a Monte Douro Mineração Ltda., onde ocorreram os acidentes da última segunda (13) e terça-feira (14), respectivamente. 

Em nota, o Grupo Guidoni informou que “segue à risca todos os protocolos de segurança desde os treinamentos, ao uso de equipamentos de proteção individual, rotinas de segurança, licenças necessárias e demandadas pelas leis que regem os trabalhos executados” nas unidades do grupo. A nota diz ainda que o grupo “tem também como prática, diálogos frequentes de segurança como forma de prevenção a acidentes. A empresa continua empenhada na investigação das possíveis causas do acidente e reitera que está prestando toda a assistência aos envolvidos e as suas famílias”.

A outra empresa, a Monte Douro Mineração Ltda., ainda não se posicionou sobre o assunto. A matéria será atualizada assim que houver um posicionamento.

Após acidentes com mortes, sindicato cobra fiscalização em pedreiras do ES
Local onde ocorreu o acidente que matou o trabalhador Jeeam Lucindo Caseli, de 31 anos, na explosão em uma pedreira no interior de Barra de São Francisco . Crédito: Divulgação

FUNCIONÁRIOS FERIDOS

Além da morte do trabalhador Jeeam Lucindo Caseli, de 31 anos, na explosão em uma pedreira no interior de Barra de São Francisco, no Noroeste do Espírito Santo, outros dois funcionários ficaram feridos.

De acordo com a direção do Hospital Dr. Alceu Melgaço Filho, em Barra de São Francisco, um dos funcionários continua internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e o estado de saúde dele é estável. O outro, que inicialmente foi atendido no local, foi transferido para um hospital particular da cidade. De acordo com o Grupo Guidoni, o funcionário passou por cirurgia e segue internado.

Com informações de Alessandro Bacheti, da TV Gazeta Noroeste

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