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A Gazeta cria canal para mulheres denunciarem assédio e violência

Informações serão usadas para mapear os assédios sexual e moral no trabalho, além de agressões sofridas pelas mulheres no ambiente doméstico, na rua e até na escola

Publicado em 04/03/2020 às 07h39
Atualizado em 06/08/2020 às 13h35
Violência contra mulher: ferramenta vai coletar histórias sobre assédio, agressão e discriminação contra o público feminino. Crédito: Pixabay
Violência contra mulher: ferramenta vai coletar histórias sobre assédio, agressão e discriminação contra o público feminino. Crédito: Pixabay

Todos os dias, muitas mulheres sofrem com assédios sexual e moral de chefes ou colegas. Existem ainda aquelas que são agredidas por maridos, namorados, pais, parentes, amigos, vizinhos e até desconhecidos. Denuncie aqui casos de violência doméstica, assédios sexual e moral.

Por medo, vergonha ou por simplesmente não saberem como denunciar, as vítimas de violência acabam não procurando as autoridades para revelar as agressões que sofrem na rua, no trabalho, na escola ou mesmo em casa.

Ferramenta do projeto Todas Elas, de A Gazeta, vai permitir essas mulheres contarem suas histórias. A proposta é mapear, com base nas denúncias, os tipos de violência mais comuns no dia a dia do público feminino, mostrando onde eles ocorrem, quem comete e como acontece.

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Vítimas e pessoas próximas poderão usar o formulário para formar esse banco de dados que vai permitir contabilizar os casos. O nome e a história das pessoas que denunciarem serão reveladas apenas com autorização. As informações também serão visualizadas apenas pelas editoras de Cidades e de Economia.

As mulheres poderão denunciar crimes de assédio sexual e moral no ambiente corporativo, de importunação sexual, de violência doméstica, discriminação de gênero no trabalho e tentativa de feminicídio. Parentes das vítimas também poderão contar a história de mulheres agredidas e mortas apenas pelo fato de serem mulheres.

A proposta, contudo, não tem a intenção de substituir os canais oficiais, como polícia, Ministério Público e a Justiça. Porém, como muitos acabam não chegando às autoridades, a ideia é documentar esses crimes a partir da colaboração. As histórias de vítimas que autorizarem a publicação passarão por um criterioso trabalho de apuração antes de serem usadas em reportagens.

Apesar de o foco ser a violência contra a mulher, homens vítimas de agressão e assédio poderão também responder ao formulário.

POR QUE DOCUMENTAR O CRIME CONTRAS AS MULHERES?

Nem todos os crimes contra as mulheres viram estatísticas apesar de ocorrem diariamente. Abusos cometidos, por exemplo, na rua, nos ônibus públicos, acabam, muitas vezes, não tendo qualquer registro oficial. Só é possível conhecer a história por meio das vítimas.

O mesmo ocorre no ambiente de trabalho. Muitas profissionais, com receio de perderem os empregos, não revelam nem para pessoas próximas os assédios que sofrem. É ainda um grande tabu. Poucos casos acabam nas delegacias ou na Justiça do Trabalho.

No núcleo familiar, a violência contra a mulher é até conhecida pelos parentes da vítima. O medo do agressor ficar ainda mais violento acaba desestimulando algumas de procurarem ajuda.

O PROJETO TODAS ELAS

O Todas Elas foi lançado no início de janeiro deste ano por A Gazeta. O projeto envolve a produção de uma série de conteúdos para falar do universo feminino. Serão produzidas reportagens, podcasts, vídeos e além de eventos para discutir o papel da mulher. Também foi criado um contador de feminicídio, que mostra o número de crimes de ódio que levaram a morte dessas mulheres já confirmados no Estado,

O programa envolve toda a redação, sendo coordenado pelas editorias de Cidades e Economia. A intenção é revelar que a violência contra mulher tem um viés social e também econômico. Outro objetivo é apresentar histórias de mulheres que estão vencendo as barreiras ainda existentes na sociedade para empreender, progredir na carreira e mudar a cultura da desvalorização feminina.

A Gazeta integra o

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