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Prefeituras do ES apostam em qualificação e geração de renda para mulheres

Serra, Cariacica e Vitória tem políticas públicas específicas e oferecem cursos de qualificar para que elas tenham condições de conseguir emprego e gerar renda

Publicado em 31/01/2020 às 11h33
Atualizado em 31/01/2020 às 12h12
Mulheres fazem aula de elétrica básica em Vitória. Crédito: PMV/Divulgação
Mulheres fazem aula de elétrica básica em Vitória. Crédito: PMV/Divulgação

Qualificação profissional, orientações para entrar no mercado de trabalho e apoio psicológico. Essas são algumas das ações desenvolvidas pelas prefeituras da Grande Vitória voltadas exclusivamente às mulheres. As iniciativas têm como objetivo fazer com que elas se sintam seguras para trabalhar e gerar renda, por exemplo.

Há oito anos a Prefeitura da Serra criou a Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres do município. A secretária titular da pasta, Luciana Malini, explica que aquelas que dão queixa na Delegacia da Mulher são orientadas a procurar o órgão para receberem outros tipos de atendimento.

Segundo ela, a pasta trabalha com a ideia de desconstrução do machismo, além de atender aquelas mulheres que estão destruídas emocionalmente e que, por algum motivo, são incapazes de seguir suas próprias vidas.

“Identificamos a situação dessa mulher para saber como ela está e onde quer chegar. Somos um canal de articulação entre o emocional e o social delas. Se a intenção dessa pessoa é trabalhar, verificamos que tipo de curso é possível fazer e até a encaminhamos para uma oportunidade de emprego. O nosso foco é dar autonomia para elas”, ressalta Luciana.

A secretária explica cursos de qualificação e oportunidades de emprego são articuladas junto à Secretaria de Trabalho e Renda do município.

Luciana Malini

Secretária de Políticas Públicas para as Mulheres da Prefeitura da Serra

"Fazemos um diagnóstico para saber se essa mulher precisa voltar a estudar ou ter alguma qualificação e até que vaga de emprego é melhor para ela. Há ainda o trabalho de dar orientações de como se comportar em uma entrevista de emprego. Estar no mercado de trabalho pode ajudar a refazer a própria vida"

De acordo com Luciana, pesquisas revelam que as mulheres levam cerca de 10 anos para perceber uma situação de violência. Na Serra, por conta do trabalho desenvolvido pela secretaria, o prazo é de cinco anos.

Ainda de acordo com a secretária, o primeiro passo para superar essa situação é conquistar a independência financeira. Para isso, alguns cursos são oferecidos para mulheres que querem trabalhar por conta própria. Dentre eles, há os de produção de biscoitos, artesanato em sandálias, manicure e cabeleireira.

Também há oportunidade em se qualificar para trabalhar na construção civil. A ideia é que elas trabalhem nas obras na área de acabamento.

Uma outra iniciativa da secretaria é o Serra Mais Mulher, que trabalha em parceria com empresas de cosméticos. “Desta forma, elas podem trabalhar, por exemplo, como revendedoras da marca”, resume.

CARIACICA

Em Cariacica, a secretária interina de Assistência Social, Claudia Hackbart, explica que os cursos de qualificação profissional são oferecidos pela Agência do Trabalhador, de acordo com a demanda de mercado.

E para aproximar as mulheres do mercado de trabalho há outras iniciativas como oficinas com orientação para elaboração de currículo e para entrevista de emprego. O primeiro trabalho neste sentido foi realizado em 2019 em Nova Rosa da Penha.

A iniciativa deve continuar este ano. Em março, as oficinas serão destinadas às moradoras de Padre Gabriel. A ideia é levar os trabalhos para outros bairros, mas o cronograma ainda não foi elaborado.

Claudia Hackbart

Secretária interina de Assistência Social da Prefeitura de Cariacica

"Até o final de fevereiro vamos concluir um levantamento baseado nos boletins de ocorrência registrados na Delegacia da Mulher. Com esses dados, poderemos identificar qual a maior dificuldade dessa mulher, se é emprego ou estudo, por exemplo. A partir daí, poderemos desenvolver ações diretamente para este público, de acordo com o bairro, com o objetivo fazer com que elas saiam desse ciclo de violência"

Outra iniciativa que poderá ser desenvolvida é voltada para economia solidária, em parceria com o Instituto de Desenvolvimento da cidade. “Estamos em contato com eles para oferecer oficinas específicas para elas”, destaca.

VITÓRIA

A luta contra a violência doméstica e o machismo também está em pauta na Prefeitura de Vitória. O secretário da Cidadania e Direitos Humanos, Bruno Toledo, explica que a ideia é atuar na perspectiva de empoderamento feminino.

“Queremos dar a oportunidade para elas terem condições de ocuparem o espaço que quiserem e uma dessas possibilidades é oferecer condições para a geração de emprego e renda. Muitas são dependentes financeiramente dos companheiros, e dar alternativas para mudar este quadro é uma de nossas tarefas”, pontua Toledo.

Ele lembra que, em 2019, o Projeto Fazendo Arte,  desenvolvido nos bairros da regional 1 da cidade (que compreende Fonte Grande, Piedade, Moscoso, Santa Clara, Vila Rubim, Ilha do Príncipe e Morro do Quadro), ofereceu diversos cursos voltados para as mulheres. As aulas foram de estamparia, macramê, crochê, bordado, entre outros. O Fazendo Arte funciona na praça Misael Pena, nº 168, no Parque Moscoso, Centro.

Durante os cursos, as alunas recebem orientações sobre técnicas de venda, de divulgação nas redes sociais, entre outras. Ao todo, em 2019, foram qualificadas 500 mulheres.

Bruno Toledo

Secretário da Cidadania e Direitos Humanos da Prefeitura de Vitória

"A oferta de curso é feita de acordo com a demanda. Só para se ter uma ideia, no ano passado, as mulheres também pediram curso de manutenção elétrica, pois queria saber consertar chuveiro e ferro elétrico sem precisar da ajuda dos homens. Isso só ressalta o empoderamento feminino"

A secretaria também ofereceu cursos de estética, maquiagem, sobrancelha, entre outras. Com uma dessas qualificações, é possível trabalhar em casa ou em ponto comercial. A ideia é ampliar as possibilidades de renda”, explica.

O secretário diz ainda que, em conjunto com o Sine, são detectadas as demandas por qualificação. Só para se ter uma ideia, há qualificação como secretária executiva e, telemarketing, voltadas para quem quer ingressar no mercado de trabalho.

“A perspectiva é ampliar o número de vagas de cursos. As novas oportunidades serão oferecidas a partir de março”, conclui.

PROJETO TODAS ELAS

O progresso feminino na sociedade não é capaz de acabar com os desafios que as mulheres ainda enfrentam. A discriminação de gênero é real, elas recebem menores salários, são rejeitadas por serem mães, são alvo de assédio no ambiente corporativo. Em casa, muitas são vítimas de violência doméstica. Para dar mais visibilidade a esses problemas e as formas de enfrentá-los, A Gazeta criou o projeto Todas Elas, que entrou na rotina da redação A Gazeta/CBN.

Para isso, reportagens em vídeos, textos, infográficos, podcasts, todos relacionados ao tema, serão reunidos em A Gazeta. As editorias da redação serão responsáveis por gerar conteúdo para o Todas Elas, como a de Economia. O projeto vai destacar as oportunidades de emprego, empreendedorismo, carreira, mulheres que se destacam independentemente de serem do sexo feminino.

O combate à violência também estará em destaque. Desde 1º de janeiro, A Gazeta passou a contar numericamente todos os casos de feminicídio no Espírito Santo.

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